A estrada da mudança

Certo dia minha mãe falou de um livro que comparava a vida a uma viagem de ônibus. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada.

Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de ônibus, cheia de embarques e desembarques alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Isso me fez lembrar uma célebre frase que diz que; “a estrada é sempre melhor que a estalagem.”

Estas sábias palavras do grande escritor Miguel de Cervantes refletem bem nosso momento atual no mundo.

A estalagem é apenas um ponto ao longo da estrada, pois o valor real da vida vem com o esforço e o desejo de nos mantermos em movimento constante.

A estrada significa seguir adiante para não ser atropelado, e, principalmente, estar aberto às alterações alucinantes que acontecem em todas as áreas do conhecimento humano.

Gostaria de ousar fazer uma leitura do passado e repensar o futuro imediato da administração.

Assim, não é mais possível deixar para depois, é preciso tomar o ônibus da mudança e pegar a estrada.

Vale a pena dizer que mudança é premissa incondicionalmente ligada à qualidade total e à produtividade, condição sine qua non para o sucesso, onde o processo de melhoria contínua há muito deixou de ser uma opção para tornar-se pré-requisito para a vida das organizações.

Conceitualmente a mudança tem seu início através do conhecimento.

Seu combustível principal é a informação, cujo produto final é o saber, adquirido via unidade ou conjunto de informações.

Informações essas que o homem foi conquistando ao longo de uma penosa viagem através de sua história.

A partir de 1750 até por volta de 1970, o mundo viveu o que os especialistas denominam Revolução Industrial, predominando uma visão de especialistas da produção em série, da adaptação do homem com a máquina.

Foi nessa etapa que se desenvolveu, na década de 1920, a Administração Científica de Taylor e a Administração de Relações Humanas encabeçada por Elton Mayo.

Período também conhecido como a Era da Produção em Massa.

Correntes opostas à Administração Científica e Relações Humanas não conseguiam conviver no mesmo ônibus e, com o intuito de amenizar o conflito entre essas duas correntes da administração, surge, a partir de 1950, a chamada Administração Burocrática com Max Weber, enfocando, sobretudo a eficiência, pregando o controle e a avaliação dos funcionários. 

Nosso ônibus da mudança continuou sua viagem, chegando em 1970 com a Revolução da Informação.

Ainda temos a produção em massa, porém a visão passou a ser global (globalização), de adaptação não somente do homem com a máquina, mas também com o meio, congestionando a estrada da ecologia.

É a Era da Qualidade ou da Competitividade.

É a consciência de que devemos partir para a estação da produtividade.

É a consciência de que os Recursos Humanos é quem detêm o conhecimento, transformando-se no maior capital da empresa, o Capital Intelectual.

O talento, a criatividade e a iniciativa das pessoas passaram a ser a chave do sucesso e das inovações.

Nessa estação o trabalho em equipe sobrepõe-se ao trabalho individual; o empregado deixou de ser tratado como subordinado para ser tratado como parceiro.

Nossa viagem não tem fim.

Estamos seguindo agora rumo à estalagem do terceiro milênio... ou a denominada Era 2000.

Para Peter Drucker, a principal característica do Administrador será a criatividade que virá seguida da Administração Holística e da Administração Virtual.

Nessa deixaremos a Tirania do OU, como dizem Collins e Porras, para embarcar em uma visão generalista e especialista, porém com toda Segurança Emocional.

O conhecimento é apenas uma bela e aconchegante estalagem em nossa caminhada.

Querer e não querer seguir adiante está diretamente condicionado à vontade, e querer nos leva à próxima estalagem: Atitude.

Popularmente há certa confusão com outra denominada comportamento, pois imagina-se que a atitude esteja ligada à ação e, em sua essência, não está.

Atitude significa um juízo de valor sobre determinado conhecimento, ou seja, uma forma analítica de pensar em relação a alguma informação que temos.

O encanto e o charme dessa estalagem nos faz sonhadores.

Nosso ônibus abastecido segue deixando-nos estacionados em meio à dúvida do querer. Por isso é preciso agir rapidamente, tomar uma decisão e seguir em frente.

Decisão tomada, nossa próxima estalagem, completando o processo de mudança, se chama comportamento.

Nesse caso, explicitamente comportamento tem relação direta com ação.

Para tomar o ônibus da mudança é preciso coragem, e temos que fazê-lo, mesmo correndo o risco de pegar o ônibus errado, conscientes de que um fracasso é sinal de uma tentativa, e que essas falhas são marcos no caminho do sucesso.

Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos.

Eu fico pensando se, quando descer deste ônibus, sentirei saudades.

Acredito que sim, mas me agarro na esperança que, em algum momento estarei na estação principal e terei grande emoção em ver a administração chegar com uma bagagem que não tinha.

E o que vai me deixar mais feliz, será pensar que de uma forma muito humilde eu colaborei para que ela tenha se desenvolvido e se tornado ainda mais valiosa.





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Sobre o autor

Rubens Fava

Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tokyo - Japan, Teoria das Restrições – Institute Goldratt – Saint Paul – USA., Management Study – Baldwin-Wallace College – Berea – Ohio – USA. Mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC. Autor dos livros Caminhos da Administração, Arauto, Gestão Empresarial – Volume II, Um tributo a Peter Drucker – capítulo 2, Gestão & Administração – A trajetória de uma executiva de sucesso e Espiritualidade Organizacional.



É autor dos livros



1- Caminhos da Administração.
 



2- A trajetória de uma executiva de sucesso.



3- Espiritualidade Organizacional




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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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