A lição dos porcos

Durante uma era glacial muito remota quando parte do globo terrestre estiveram cobertos por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil.

Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais.

Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro.

E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.

Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte.

E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos.

Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes.

Doíam muito...

Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados.

Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos.

Assim suportaram-se, resistindo à longa era glacial e sobreviveram.

Fala-se muito em trabalho em equipe, porém, sabemos que trabalhar em equipe não é fácil.

Tanto aqueles que já estão a muito tempo no mercado quanto os neófitos que estão iniciando agora sua trajetória profissional, sabem que o trabalho em grupo requer muito esforço de cada integrante.

Não dá para negar que o trabalho em equipe é fundamental nos dias de hoje, mas, o fato é que muitos pregam o trabalho em equipe, mas na verdade estão visando a si mesmos.

Neste caso eles não estão focando a equipe e, sim, estão focando a si mesmos e ai não se trata de trabalho em equipe, mas de trabalho em “EUquipe”

Confesso que sou uma pessoa que não tem o hábito de ter muitos ídolos, mas um em especial marcou muito minha vida e com certeza a de muitos brasileiros.

Pela primeira vez chorei quando foi anunciada sua morte.

Talvez tenha ido cedo demais por ser um espírito de luz que veio aqui para nos ensinar o valor da humildade.

Estou falando de Ayrton Senna.

Mais importante do que todas as suas conquistas foi o espírito de amor à pátria que ele conseguiu implantar em nosso país, fazendo de nossas manhãs de domingo um motivo de alegria.

Poucos valorizaram mais o espírito de equipe do que Ayrton Senna ao dizer:

Eu sou parte de uma equipe. Então quando venço, não sou eu quem vence. De certa forma, termino o trabalho de um grupo enorme de pessoas”.

Ele tinha razão.

Quantas vezes seus engenheiros viraram a noite trabalhando para deixar o carro em condições de vencer?

Uma equipe só terá sucesso se cada integrante fizer a sua parte, tiver a consciência de que seus espinhos e, todos nós temos, poderão ferir e machucar seus colegas.

Enfim, a equipe só terá sucesso se cada um tomar as precauções para que possam conviver sem ferir, sobreviver sem magoar e sem causar danos recíprocos como fizeram os porcos-espinhos à milhares de anos passados.






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Sobre o autor

Rubens Fava

Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tokyo - Japan, Teoria das Restrições – Institute Goldratt – Saint Paul – USA., Management Study – Baldwin-Wallace College – Berea – Ohio – USA. Mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC. Autor dos livros Caminhos da Administração, Arauto, Gestão Empresarial – Volume II, Um tributo a Peter Drucker – capítulo 2, Gestão & Administração – A trajetória de uma executiva de sucesso e Espiritualidade Organizacional.



É autor dos livros



1- Caminhos da Administração.
 



2- A trajetória de uma executiva de sucesso.



3- Espiritualidade Organizacional




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