A Magia de Viver


A loja mágica de brinquedos é um filme para crianças, mas dialoga com adultos - um exemplo real de que não importa a idade cronológica para tornar alegres nossos momentos de vida.

O filme retrata a fábula que se passa numa estranha e mágica loja de brinquedos, onde tudo parece ter vida – a única condição que se pede é muito simples: é preciso acreditar para ver e sentir.
Podemos fazer analogia da loja mágica com a nossa própria vida, em que a magia de viver depende do tom que damos aos nossos sentimentos.

Analisemos o que geralmente ocorre conosco: independente da idade, sem que ao menos possamos perceber, deixamos a rotina de nosso dia-a-dia tornar nossos movimentos mecânicos e rotineiros. Se temos emprego, logo no início nos motivamos, no entanto dependendo de como administramos nossa vida, é preciso quase nada para nos tornamos inanimados, como se fôssemos brinquedo sem vida, expostos inertes numa loja. Se não temos emprego, a condição se torna um pouco pior – na maioria das vezes nos tornamos brinquedo jogado num canto qualquer de nossa casa.

O Sr. Magorium tinha 243 anos e viveu dando vida às coisas que, aparentemente, eram inanimadas, e o mais importante de tudo é que ele passava um brilho especial às pessoas à sua volta, além de encantar crianças que vibravam a todo momento com aquele que se transformava em fantástico mundo mágico.

Nesse contexto, devemos reavaliar nossas atitudes frente às situações com as quais nos deparamos no nosso dia-a-dia – será que estamos conseguindo dar toque mágico em nossa vida? Será que a alegria de viver depende de coisas materiais ou ela está dentro de nós?

Eric era um menino de 9 anos e tinha muita dificuldade em fazer amigos, pois sua vida foi moldada pela mãe que procurava satisfazer todos os seus desejos. O menino tinha uma invejável coleção de chapéus, dada a chantagem materna, mais ou menos assim: -meu filho, faça o que eu quero, que eu lhe prometo de presente a coleção mais bonita do mundo. Eric, não tendo escolha, aceitou a oferta, porém tornou-se um menino triste e acabrunhado até que descobre a Fábrica de Brinquedos.Em meio à solidão, mas conservando a alegria de viver que naturalmente existe na criança, passou a ver e a sentir, naquela simples loja de brinquedos, a fantástica magia da vida que era dada aos brinquedos. Esta cena nos remete ao fato de que podemos, sim, a qualquer momento resgatar a alegria da criança que sempre existiu em cada um de nós, independente dos traumas e desilusões que sofremos.

Molly Mahoney, jovem cheia de talento, ocupava temporariamente a gerência da loja de brinquedos, porém não conseguia descobrir a magia de viver. Era insegura e não tinha certeza de ser a pessoa mais indicada para ocupar aquele cargo. Antes, ela fora promissora pianista, mas sua carreira não evoluiu, o que a deixou muito frustrada. Mais um motivo para refletirmos sobre as oportunidades que deixamos escapar de nossas mãos em decorrência de frustrações ou de desencantos existenciais.
Mesmo com toda a insegurança, que afetava a jovem gerente, o dono da loja decide ceder o controle do estabelecimento a ela. Mesmo assim, após a morte do Sr. Magorium, ela decide abandonar a fábrica. O garoto, que a todo o momento tenta superar a si próprio, conversa muito com Molly, com o intuito de incentivá-la a retomar a fábrica, já empoeirada e acabada - assim como nos sentimos quando achamos que tudo está perdido em nossa vida.

Percebendo a resistência da moça, o garoto resolve procurar o contador, que cuida da venda do estabelecimento e lhe confia a missão de convencer Molly a não desistir da fábrica. Atendendo àquele mágico pedido, o contador procurou a talentosa jovem para dizer a ela que um grande investidor havia feito proposta irrecusável de compra da fábrica - muitas vezes precisamos ser ameaçados de perder algo, para que possamos abrir nossos olhos. E foi a partir daquele momento que sentimentos e emoções tocaram o coração de ambos, e como num toque de mágica, todos os brinquedos da fábrica começam a ganhar vida. Henry ficou tão fascinado que passou a ver o brilho da magia nos olhos da encantadora jovem, e a partir daquele instante todos descobriram que a arte de viver e de transformar a vida em magia está realmente dentro de cada um de nós. Esse foi o maior ensinamento que o dono da fábrica que tinha 243 anos de idade deixou para as pessoas que com ele conviveram: – o segredo de viver depende só de nós mesmos para transformar a vida num fantástico mundo mágico.






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Sobre o autor

Maria Bernadete Pupo

*Maria Bernadete Pupo é consultora e gerente de RH do Centro Universitário FIEO e professora universitária da FAC-FITO, ambas em Osasco (SP), e autora do livro “Empregabilidade acima dos 40 anos” (ed. Expressão & Arte). Contato: mbpupo@terra.com.br






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