A importância da Tecnologia da Informação nas PME do segmento de material de construção

O artigo trata um pouco dos conceitos de Tecnologia da Informação, sua evolução no mercado e sua importância nas pequenas e médias empresas.

RESUMO: O avanço constante da tecnologia impacta diretamente tanto as grandes, como também as pequenas e médias empresas. Um dos segmentos que mais cresce no Brasil nas últimas décadas, é o segmento de Construção Civil. Diante disso, surge o objetivo deste estudo que se trata de identificar os benefícios que a tecnologia da informação pode trazer para as Pequenas e Médias Empresas (PME) de material de construção na cidade de Graça/CE. Seguindo essa premissa, a metodologia deste estudo apresenta abordagem qualitativa onde a coleta de dados fez-se através de uma entrevista não estruturada com quatro gestores desse segmento da referida cidade. Com os resultados coletados na pesquisa, foi possível observar que as empresas estão acompanhando as tendências de mercado e estão investindo em Tecnologia da Informação para suas empresas. E mesmo os que ainda não utilizam, concordam com a importância da ferramenta, e pretendem implantar. Portanto, conclui-se que torna-se necessário as PME se modernizarem e que seus gestores invistam em Tecnologia da Informação, para se manterem competitivas no mercado e facilitar o controle e a tomada de decisões.

Palavras-chave: Tecnologia da informação. PME. Material de Construção.

1 INTRODUÇÃO

O avanço constante da tecnologia em todos os segmentos comerciais faz com que o varejo seja impactado com mudanças diárias. Por isso os donos de empresas necessitam elaborar estratégias para manterem-se competitivo no comercio. Essas estratégias são inteiramente direcionadas aos consumidores e objetivam deixá-los mais satisfeitos com os produtos que consomem (RIBEIRO, 2006).

O presente trabalho vem destacar a importância da tecnologia da informação nas Pequenas e Médias Empresas (PME), os benefícios que pode trazer para a empresa quando utilizada de forma correta. O tema bastante atual mostra que diante de um mercado altamente competitivo, as empresas devem buscar ferramentas inovadoras para se destacarem da concorrência.

Em uma loja de material de construção, manter o cliente fixo é importante para o crescimento e sucesso da empresa. Para que isso aconteça, a empresa tem que estar sempre investindo em um ambiente agradável para o cliente, principalmente em produtos modernos, atualizados com as tendências do mercado e vendedores capacitados para a venda. Isso gera uma espécie de impacto mental no consumidor atraindo-o de forma positiva para a empresa (STÜRMER; SCHNEIDER; POLACINSKI, 2012).

Diante disso, o presente trabalho apresenta conceitos e definições sobre tecnologia da informação, sistemas de informações, e destaca a importância dessas ferramentas para as PME, do segmento de material de construção para auxiliar as tomadas de decisões, controlarem o fluxo de caixa, estoque, folhas de pagamentos, etc. Dessa forma, os conceitos sobre tecnologia e sistemas de informações iram explicar os processos que ocorrem no dia-a-dia da empresa, as formas que as informações são processadas, a diferença entre dados, e informação e a facilidade que acaba criando para o ambiente da empresa e seu gestor.

Segundo Bazzotti (2002), na era da informação, o diferencial das empresas e dos profissionais está diretamente ligado à valorização da informação e do conhecimento, proporcionando soluções e satisfação no desenvolvimento das atividades.

O problema de pesquisa a ser respondido ficou assim enunciado da seguinte maneira: de que forma a tecnologia da informação pode ajudar as empresas do seguimento de material de construção? Tendo como objetivo identificar os benefícios que a tecnologia da informação pode trazer para as PME’s de material de construção na cidade de Graça/CE. Com base no assunto pretende-se realizar uma pesquisa qualitativa envolvendo as empresas, comparando com as teorias de tecnologia da informação, e buscando informações bibliográficas.

O trabalho realizado está composto por um referencial teórico, seguido da metodologia, análise de dados, considerações finais e referencias.

2 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NAS PME

A premência das mudanças ocasionadas no campo da tecnologia da informação repercute no cenário mundial, provocando oscilações na forma como as relações interpessoais despontam. A produção de dados em massa faz-se um símbolo deste período, o qual é também caracterizado pela fugacidade da informação e pela sua acessibilidade em tempo real (SHANG; SEDDON, 2002). O tempo em que um simples caderno de anotações e uma caneta eram primordiais para o dia-a-dia das empresas foi ultrapassado. Hoje, com tantas evoluções tecnológicas, com o mercado altamente competitivo, as empresas precisam se renovar sempre, acompanhar as mudanças de mercado.

Com isso, diante desse cenário de inovações, destaca-se a Tecnologia da Informação, ou Sistemas de Informações Gerenciais. Esses sistemas são formados por: software (programas), hardware (computadores), redes (comunicação) e banco de dados. Essas ferramentas de modo geral são criadas com o objetivo de resolver ou minimizar os problemas da organização. Esses servidores trazem mais eficiência e segurança, é isso que o proprietário da empresa deve ficar atento ao avaliar como ele vai fazer a infra-estrutura de tecnologia dele.

Para Turban et al. (2006), um sistema de informação (SI) é um sistema capaz de coletar, processar, armazenar, analisar e disseminar informações para atender um propósito específico. Como qualquer sistema, um SI inclui entradas (dados e instruções) e saídas (relatórios e cálculos) (O´BRIEN; MARAKAS, 2008) e também engloba pessoas, procedimentos e facilidades físicas e opera em um determinado ambiente (TURBAN, RAINER Jr e POTTER, 2003).

Na prática, independente do tamanho da empresa, ela sempre irá ter seus problemas. A desorganização de contas a pagar e a receber interfere e muito na lucratividade da empresa, o acúmulo de dados e informações que entram e saem no dia-a-dia se tornam um problema quando não são devidamente registrados. A tecnologia da informação hoje passou a ser uma necessidade para as empresas. Para Stoner (1999) somente com informações precisas e na hora certa os administradores podem monitorar o progresso na direção de seus objetivos e transformar os planos em realidade.

De acordo com Oliveira (1998), a eficiência na utilização da informação é medida em relação ao custo para obtê-la e o valor do benefício derivado de seu uso. Associam-se à produção da informação os custos envolvidos na coleta, processamento e distribuição. A tecnologia da informação, às vezes é considerada por alguns gestores com o pensamento fechado em relação ao mundo atual, como algo caro e desnecessário para a empresa. Com isso acabam não investindo e não evoluem.

Os sistemas de informação podem até ser um investimento caro, mas é de suma importância para gerenciar também as PME’s, pois seu retorno irá ser à longo prazo.

2.1 SISTEMAS GERENCIAIS PARA PME

Na visão de Palloni (2001), um Sistema de Apoio à Decisão (SAD) é um SI específico que atende o nível gerencial de uma empresa ou organização. Esses sistemas têm por objetivo viabilizar a utilização do computador de forma interativa para auxiliar tomadores de decisão a utilizar dados e modelos nas diversas fases de um processo decisório.

De acordo com Laudon e Laudon (2004), sistemas de informação podem ser definidos tecnicamente como um conjunto de componentes inter-relacionados que coleta (ou recupera), processa, armazena e distribui informações destinadas a apoiar a tomada de decisões de uma organização. Para os autores, “os sistemas de informação também podem ajudar os gerentes e trabalhadores a analisar problemas, visualizar assuntos complexos e criar novos produtos”.

Esses sistemas de informações são basicamente o processo de captação, coleta, manipulação e transformação de dados em informações. Esses sistemas integrados são importantes em todos os setores da empresa, esse fluxo de informações dentro da empresa, varia-se, desde um pedido, controle de estoque, fluxo de caixa, dados de clientes, previsões futuras, saber ou não se bom investir, entre outros fatores. Todas essas características são indispensáveis para o trabalho de um gestor, esse processo além da flexibilidade e rapidez, reduz a burocracia e auxilia a uma boa tomada de decisão. Independente do tamanho da empresa é necessário esse controle de informação, e de acordo com o crescimento da empresa ela deve ir aumentando a robustez do sistema. Mesmo em uma pequena ou média empresa, controlar isso manualmente acaba se tornando inviável. Tudo isso é importante para se ter o controle organizacional.

Em um micro e pequena empresa, do segmento de material de construção, esses sistemas podem trazer muitas vantagens para o gestor. Em uma situação onde todos os produtos da loja são cadastrados no sistema, o gerente ou a pessoa do nível estratégico que administra essa função no sistema, ele poderá ter uma visão de qual produto sai mais, qual a quantidade, qual cliente é mais lucrativo para empresa, e a partir daí ele trabalhar encima desses pontos fortes. Além disso, um sistema de informação tem inúmeras utilidades para a pequena empresa. Maior número de informações precisas que auxiliam a tomada de decisões, maior flexibilidade e rapidez nos processos, etc.

Diante disso, ao implantar um sistema de informação em uma empresa, é preciso de um analista de sistema para dar suporte, treinamento de como usá-lo, e solucionar eventuais problemas.

Isso não é diferente em lojas do segmento de construção, uma área que está em crescente no Brasil, vem se desenvolvendo, por isso as importâncias dos gestores de lojas do segmento acompanhem as inovações do mercado.

4 MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO NO BRASIL

De acordo com uma pesquisa das Informações Técnicas da Construção (ITCnet), o setor de Construção Civil é destaque na economia cearense, com isso o segmento de material de construção também não é diferente quando se trata da necessidade da implantação da ferramenta de sistema de informação. Uma empresa de material de construção geralmente possui vários departamentos por conta da variedade de produtos.

Um fator que é muito comum nas lojas de material de construção, é a venda de produtos para construtoras. Este é o segmento que a loja mais lucra, pois vende em grande escala os materiais para todas as obras que a construtora fizer. Atrair esses clientes para a compra é um dos principais objetivos dessas lojas (ABREU, 2012).

O segmento de materiais de construção exige profissionais qualificados, dessa forma é essencial que os donos das lojas invistam cada vez mais em treinamentos, pois o vendedor que não tem conhecimento do produto e tenta ludibriar o cliente, com certeza perderá o cliente de imediato. Para evitar isso, é preciso que cada vendedor domine as técnicas de negociação. (LOPES, 2012).

O gestor de uma loja de material de construção deverá praticar um bom planejamento estratégico para a empresa, pois ele irá que ter se relacionar com diferentes fornecedores, planejar a logística para a entrada e saídas de matérias em grandes quantidades, controle de estoque, ter uma boa relação com engenheiros e donos de construtoras, com clientes que querem construir ou reformar sua casa, além de liderar seus funcionários. Essas tarefas se tornam difíceis quando não se tem um controle de informações, um banco de dados, um sistema que auxilie as tomadas de decisões de curto e longo prazo.

Segundo Aguiar (2014) a crescente competitividade no comércio é uma das principais fontes de preocupação das empresas. Isso vem acorrendo principalmente entre as lojas do segmento de material de construção, onde o atendimento ao cliente torna-se referencia para o início da compra. É preciso que o vendedor esteja inteiramente familiarizado com os produtos da loja, para que no ato da venda, ele mostre ao consumidor todos os benefícios e vantagens que aquele produto traz.

É importante destacar que uma das vantagens do segmento de construção, é que os produtos não se depreciam rapidamente, não tem data de validade, assim facilita também o controle de estoque, diferente, por exemplo, de um supermercado.

Há uma grande diferença entre um vendedor de outro segmento e o vendedor de uma loja de material de construção, nesse caso, o atendimento ao cliente é acima de tudo, ter o poder de influencia para unir a necessidade ao produto disponível na loja, ou seja, o produto ideal, com o preço ideal juntamente com a preparação do vendedor é a melhor forma de conquistar a venda e a confiança do cliente (AGUIAR, 2014).

Na próxima seção será apresentada a metodologia utilizada para a realização da pesquisa.

5 METODOLOGIA

Pretende-se utilizar na metodologia deste estudo, uma pesquisa qualitativa exploratória, onde serão entrevistados quatro gestores de lojas do segmento de material de construção civil da cidade de Graça/CE. Para Gil (2008), “as pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”.

Os respondentes para a aplicação da pesquisa foram fornecidos pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da referida cidade, no qual foi repassado o número de quatro empresas de materiais de construção civil na referida cidade. Para Goldenberg (1997) a pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc.

Para coleta das informações necessárias ao atingimento do objetivo, pretende-se utilizar a técnica da entrevista que se encontra como umas das mais usadas na pesquisa qualitativa (GIL, 2008; MARTINS & TEÓPHILO, 2009), sendo realizada conforme a conveniência dos entrevistados. Gil (2008) define a entrevista como uma forma de interação social, de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. A coleta de dados será de origem primária, buscando respostas sobre se as referentes empresas possuem ou não um sistema de informação, e se pretendem utilizar essa ferramenta.

A entrevista a ser aplicada será semi-estruturada com os quatro gestores já citados acima, e as informações obtidas serão analisadas para saber o perfil dos entrevistados através de opiniões, concepções, expectativas. De acordo com Flick (2009) destaca a ampla utilização das entrevistas semi-estruturadas na pesquisa qualitativa, explicando que o interesse nessa utilização está associado à expectativa de que é mais provável que o ponto de vista dos entrevistados seja expresso em uma situação de entrevista com um planejamento aberto do que naquela padronizada.

Para análise, Vergara (2010) lembra que se define o tipo de grade que, neste estudo é do tipo fechada, uma vez que as categorias pertinentes ao objetivo da pesquisa foram previamente definidas e ensina que no material selecionado, identificam-se os elementos a serem integrados nessas categorias já estabelecidas, desejando-se, em geral, verificar a presença ou a ausência de determinados elementos. Será feito uma análise para saber as opiniões dos entrevistados, de forma que o pesquisador possa tirar conclusões sobre o caso. As quatro empresas citadas no presente trabalho são do mesmo segmento, material de Construção Civil. Duas delas já são um pouco mais antigas no mercado da região, já tendo quase vinte anos de atuação. Já as outras duas são tem menos de dez anos de mercado.

A coleta de dados para essa pesquisa foi realizado uma entrevista individualmente no local de trabalho com os gestores das lojas. Estas foram realizadas entre os dias 06 a 12 de novembro do ano de 2017. Para se atingir o objetivo desse estudo buscou-se utilizar um formulário de perguntas baseado na teoria abordada. Foi utilizada uma entrevista semi-estruturada, que é uma forma de fazer perguntas já definidas, mas muito semelhante com uma conversa informal, tendo abertura para incluir novas questões.

A escolha das empresas envolvidas surgiu com intuito de direcionar o estudo para PME’s de uma determinada região. A pesquisa terá como foco abordar a importância da TI para essas empresas. Essa análise de dados será apresentada a seguir.

6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Essa seção apresenta as análises que identificam a importância do Sistema de Informação como forma de facilidade de trabalho e também como forma de competitividade de mercado. As análises permitiram ao pesquisador, um melhor entendimento sobre as vantagens que a TI pode trazer para as empresas pesquisadas.

Dentre as empresas pesquisadas, duas são familiares e estão a mais de vinte anos no mercado da cidade. Já as outras duas tem menos de dez anos de atuação. Os resultados evidenciaram que das empresas pesquisadas apenas duas utilizam Sistema de Informação, porém as outras duas empresas planejam implantar essa ferramenta. A tabela abaixo apresenta os resultados coletados junto aos entrevistados, logo em seguida a análise desses dados.

Quadro 01 – Entrevistas com os administradores das referidas empresas sobre tecnologia da informação.

CARGO ENTREVISTA

PROPRIETÁRIO 01 Os resultados da pesquisa na empresa 01, entrevista realizada com o seu gerente, formado em Administração, com sua loja a mais de 20 (vinte) anos no mercado da referida cidade, uma empresa familiar, líder de vendas na região. A empresa possui um Sistema de controle interno que é lançado diariamente todas as receitas e despesas, fluxo de caixa além de movimentações online de contas bancárias e emissão de notas fiscais e informações de clientes e fornecedores. Trata-se de um software que funciona online e da opção para o gestor acompanhar situações da empresa pelo celular a qualquer hora e lugar. Foi feito um investimento de R$1.500,00 para ter esse software. O gerente da empresa afirmou que também possui uma função de controle de estoque, porém no momento ainda não é utilizado por falta de adaptação. O mesmo destacou como muito importante o uso de sistema para ter um controle de tudo que acontece na empresa, saber a situação real e poder fazer projeções futuras, além também de ter reduzido muito as perdas que tinham antes desse controle.

PROPRIETÁRIO 02 A segunda empresa pesquisada também familiar, com mais de 20 (vinte) anos no mercado, com bom percentual de vendas e bem-conceituada. Foi entrevistado o proprietário da loja, que afirmou ter instalado a pouco tempo um Sistema de Informação de controle, trata-se de um sistema online que também ajuda a controlar estoque. O proprietário afirmou ainda que a idéia desse sistema surgiu de seu filho, que já trabalha a um bom tempo na loja, cursa Administração e viu a necessidade de acompanhar o mercado moderno. O sistema que é utilizado na empresa é bem simples de usar, e possui funções básicas, porém o gestor afirma que já aperfeiçoou muito o controle interno da loja. 

PROPRIETÁRIO 03 A terceira empresa de Material de Construção tem menos de 10 (dez) anos no mercado da cidade, e pertence a um Engenheiro Civil, que trabalha tanto fazendo projetos, como vendendo seu material. O mesmo afirmou que ainda não possui por não ter encontrado o sistema ideal para os padrões de sua empresa, mas pretende em breve inovar em sua empresa e implantar um Sistema de Informação.

PROPRIETÁRIO 04 A quarta empresa pesquisada, também do segmento de material de construção é a mais nova no mercado da cidade e ainda está em fase de crescimento, a empresa possui um percentual de mercado menor que as outras pesquisadas. Quando pesquisado sobre o assunto de Tecnologia da informação, inovação, controle, a proprietária da loja afirma que ainda trabalha muito “manual”, com anotações, não possui um sistema de controle. E com isso, ela acha que se sente um pouco prejudicada, atrasada. A mesma afirmou que o contador da loja está providenciando para os próximos meses um software para ajudar nesse controle, com foco principalmente em sistemas que controle as vendas de produtos e a forma de pagamento com boletos e notas fiscais.
Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Por meio das entrevistas percebeu-se que as lojas de material de construção da cidade do Graça-CE, estão se adaptando ao mercado moderno e estão investindo em tecnologia da informação. O gerente da empresa 01, disse que sua empresa utiliza o Sistema TAG Commerce para controle interno, esse sistema ajuda no controle de estoque, fluxo de caixa, clientes e fornecedores, é projetado para pequenas e médias empresas, e não possui um custo tão alto. E também utiliza um sistema de controle fiscal, que controla as vendas da empresa, para consumidor final, pessoa jurídica ou física, a quantidade e o tipo do produto, etc. É um emissor de notas fiscais (NFE), é um controle fiscal que a empresa tem de suas operações.

O gerente da empresa 01 mostrou-se bastante satisfeito com os investimentos em sistema de informação e afirma que pretende sempre inovar em sua empresa, deseja crescer cada vez mais. De acordo com Almeida (2009) a implantação de um sistema que faça com que o fluxo de caixa seja elaborado de forma sólida possibilita que a empresa alavanque seus investimentos e sua tomada de decisão de forma estratégica, criando assim novos objetivos ainda maiores a serem alcançados.

A empresa 02, até pouco tempo, não tinha nenhum sistema de controle, apesar da empresa ser bem conhecida no mercado da região e ter um bom volume de vendas, o proprietário nunca tinha pensado em investir, em modernizar sua empresa. Porém o filho do proprietário, estudante de administração percebeu que era necessário inovar, ter um maior controle, uma melhor visão do crescimento da empresa e então implantou um sistema de informação na empresa e aperfeiçoou bastante as atividades da loja.
Mesmo assim, percebe-se que algumas empresas de pequeno porte têm dificuldades de investir recursos em tecnologia da informação. Segundo PINTEC Banco de dados da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (2011), empresas de pequeno porte mantêm índices de inovação inferiores aos das empresas de grande porte: entre 2006 e 2008 somente 38% de micro e pequenas empresas geraram alguma inovação, já 72% das empresas de grande porte criaram algum produto ou processo.

A terceira e a quarta empresa pesquisada por serem mais novas no mercado e ainda não terem tantos recursos, os seus proprietários ainda não inovaram, por encontrarem algumas dificuldades. Caron (2004) elenca, em ordem de importância, como sendo dificuldades enfrentadas pelas MPEs para inovar: falta de recursos para investimentos; acesso a financiamentos; informações sobre entidades de apoio à inovação tecnológica; recursos humanos capacitados; máquinas e equipamentos; informações sobre mudanças tecnológicas; confiança em parcerias e alianças para inovação tecnológica; e informações sobre mercados.

Mesmo diante dessas dificuldades, o mercado competitivo transforma essa ferramenta de perspectiva de futuro, para realidade das PME. E os contadores dessas empresas precisam de informações mais exatas, precisam de números mais reais, eficiência nas informações para fazer os balanços. Com isso eles sugerem, recomendam que as empresas utilizem sistemas de informação. Um controle de caixa operado de forma eficaz diminuir a probabilidade de erros e aumentam a tomada de decisões mais assertivas. No ponto de vista de Leal (2011) o processo de um fluxo de caixa consistente precisa relacionar todas as despesas e receitas da empresa por menores que elas sejam com o intuito de torná-las confiáveis e transformá-las como auxiliadoras de apoio para as diretoras quando precisarem tomar alguma decisão.

O setor de construção civil no Brasil apresentou, nos últimos 10 anos (2002-2012), crescimento médio de 10% ao ano, taxa superior ao crescimento do produto interno bruto (PIB) nacional, de 2,5% em igual período. Esse crescimento tem como motivação a superação de gargalos existentes na infraestrutura e na habitação do país (Mota, 2013). Diante disso, as empresas pesquisadas apontam um crescimento considerável, a cidade está se desenvolvendo e os seus administradores mostraram interesse em sempre buscar inovações visando competitividade e força no mercado.

Essas inovações em Tecnologia da Informação trazem diversos benefícios para empresas do segmento de Construção Civil, pois este segmento é possui uma grande variedade de matérias e para uma boa gestão é interessante o auxilio de um sistema. Por exemplo: um Sistema de Informação possui um banco de dados que coleta e armazenam dados, e os transforma em informação, e os distribui para os setores da empresa. Possibilitando assim os gestores tomarem decisões mais eficientes, planejar estratégias, etc. Além disso, a TI possibilita funções como: controle de estoque, fluxo de caixa, emissão de notas fiscais, informações de clientes, fornecedores, entre outras.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo desse trabalho consistiu em verificar a importância que a tecnologia da informação traz para as PME do segmento de Construção Civil na cidade do Graça-CE. Tendo o estudo alcançado através da pesquisa aplicada que apresentou como resultado que duas das empresas pesquisadas já utilizam a ferramenta de TI nas suas empresas, e as outras duas ainda sentem dificuldades para implantar, mas pretendem inovar no começo de 2018 como visto na análise dos resultados.

Diante das informações obtidas é sugerido que os gestores das lojas tenham como exemplos, empresas que se adaptam ao mercado moderno e são exemplos de gestão e crescimento. É importante que mesmo tratando-se de PME, essas devem se modernizar, inovar com uma nova ferramenta de controle. Dessa forma, terão benefícios para sua empresa, e conseqüentemente para a região.

Algumas limitações que se encontraram ao realizar este estudo foram: conseguir tempo livre em horário comercial com os gestores das lojas, e a maioria dos estudos com o mesmo assunto, possuía pesquisas quantitativas, dificultando um pouco o entendimento. Mesmo com todos os obstáculos encontrados o estudo colaborou bastante para o entendimento de como a TI pode ser importante em uma empresa.

O presente estudo teve como abordagem principal o assunto de sistemas de informação nas PME, e espera-se que ele possa contribuir para os gestores de lojas de Material de Construção e enriquecer o conhecimento de acadêmicos e profissionais do curso de administração e áreas afins. Em futuras pesquisas sugere-se que possa ser aplicada em dois segmentos e que seja realizada uma análise comparativa.

 

 


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