Artigo - CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS

Os custos e a decisão sobre o preço de venda de um produto ou serviço tem grande influência em como ele será aceito pelo mercado, a decisão sobre quanto o seu produto ou serviço será cobrado necessita de uma base cientifica e não apenas o quanto eu gostaria de vender para ter o lucro desejado. Todo gestor deve possuir habilidades e conhecimentos teóricos e práticos dos formatos de custos para calcular sua margem e lucro. O que é custo variável e custo fixo? Quais os itens que fazem parte dos custos de produção, diretos ou indiretos? Quais são os impostos incidem sobre meu produto ou serviço? Qual a meta ideal de margem de contribuição? Porque preciso saber e como calcular? Todos esses questionamentos são estratégicos para a formação de preços. A tomada de decisão ainda necessita de uma avaliação mais ampla como as constantes mudanças que acontecem no mercado, mudanças econômicas, políticas e até ambientais. Nesse artigo serão apresentados os conceitos teóricos e os elementos básicos para a formação do preço de venda de um produto ou serviço tais como: mark-up, custeio, parâmetros externos, efeitos tributários sobre as vendas e sobre a margem de lucro líquida desejada e o lucro. Será percebido nesse objeto de estudo que o preço de venda e a gestão de custos são elementos fundamentais no planejamento estratégico de marketing para uma empresa.

1       INTRODUÇÃO

O tema a ser apresentado nesse artigo é apresentar como é a gestão de custeio, suas divisões e como definir o mark-up, margem de contribuição e como realizar a formação de preços de um produto ou serviço.

Como determinar o preço e a margem de um produto ou serviço?

O gestor de uma pequena, média ou grande empresa deve raciocinar estatisticamente nos dias de hoje, que é tão necessário quanto à habilidade de comando, mas como ler e interpretar as informações disponíveis. É necessário possuir todo o conhecimento necessário em analisar todos os indicadores estratégicos e táticos para tomada de decisão. Analisar custos e definir a metodologia que melhor se encaixa na formação do preço do seu produto ou serviço será grande diferencial e terá grande impacto no planejamento estratégico de qualquer empresa.

Na metodologia, optou-se por um estudo bibliográfico buscando-se o aprofundamento necessário para compreensão de tal tema, discutindo e apontando os estudos dos principais autores da área.

Segundo Andrade (2005), metodologia é o conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do conhecimento. Enquanto os métodos de abordagem (dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo e dialético) dizem respeito ao conjunto de procedimentos utilizados na investigação de fenômenos para chegar-se à verdade, os procedimentos adéquam-se ao tipo de pesquisa proposta.

Para Gil (2009), as pesquisas exploratórias são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar uma visão geral aproximativa, a cerca de determinado fato. Este tipo de pesquisa é usado quando o tema é explorado e torna-se difícil formular problemas precisos e hipóteses operacionalizáveis. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem etapa de uma investigação mais ampla.

Para o estudo desse trabalho foi pesquisado livros, sites e blogs buscando um maior conhecimento e entendimento sobre o tema abordado.

 A pesquisa está assim organizada: na primeira seção apresenta-se a gestão de custeio e a definição de cada custo. Na segunda seção, pro­cura-se demonstrar como realizar a precificação e a margem de contribuição. Na terceira seção, será abordado como calcular o mark-up do produto. Por último, encontram-se as considerações finais apontando aspectos relevantes para a compreensão do tema proposto.

2       GESTÃO DE CUSTOS

Segundo Leone (2000, p. 21), a visão gerencial dos custos completa-se no momento em que visualizamos custos na empresa e/ou instituição como um centro processador de informações, que recebem (ou obtém) dados, acumulados de forma organizada, analisa-os, interpreta-os, produzindo informações de custos para diversos níveis gerenciais.

Ainda segundo Leone (1987 p. 3), a contabilidade de custos pode ser conceituada como o ramo da função financeira que acumula, organiza, analisa e interpreta os custos dos produtos, dos estoques, dos componentes da organização, dos planos operacionais e das atividades de distribuição para determinar o lucro, para controlar as operações e para auxiliar o administrador no processo de tomada de decisão e de planejamento.

Porter (1989, p. 31) diz que o eficaz processo de gestão de custos passa, necessariamente, pela eficiência e eficácia das atividades de planejamento, execução e controle. As empresas estão buscando a redução de custos e aumento da produtividade de diversas formas. Ele coloca a liderança em custos como uma das alternativas estratégicas, ou ainda, a diferenciação de produto.

2.1      DEFINIÇÃO DE GASTOS, CUSTOS E DESPESAS.

Gasto, também é denominado dispêndio, é, por exemplo, a compra de bens ou serviços: sendo um dispêndio recursos econômico, sempre provoca uma obrigação, uma dívida, no entanto, os eventos a gastar e de pagar são distintos, podendo ocorrer em momentos diferentes (MARTINS, 2010 p. 20).

Martins (2010, p. 20) quando fala de custos apresenta duas dimensões: a que se refere a quantificação em termos de peso, volume, aérea, e a que se refere à quantificação em termos monetários, relacionado a expressão econômico financeira. Para o autor, custo é um gasto relativo ao bem ou serviço utilizado na produção de bens ou serviços: custo também é gasto, mas é reconhecido como custo quando utilizado na produção de bens ou serviços. Despesa é um bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas: cita como exemplos a comissão do vendedor – um gasto que se torna imediatamente uma despesa.

2.2      CUSTOS FIXOS E VARIÁVEIS.

Para Rebelatto (2004 p. 115), os custos fixos são aqueles que mantêm o seu valor independente dos aumentos do volume de produção e de serviços realizados em um período: custos variáveis são aqueles cujos valores variam de acordo com o volume de produtos produzidos ou serviços realizados num período.

2.3      CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS

Rebelatto (2004 p. 115), diz que o custo direto é aquele que pode ser associado a produtos ou serviços de forma quantificável, enquanto o custo indireto não fornece condição de medida objetiva e qualquer tentativa de associá-la a um objeto de custo em análise deverá ser feita através da estimativa ou arbitrariamente.

2.4      MÉTODOS DE CUSTEIO

Os métodos de custeio atualmente são apresentados e discutidos sob a luz de duas correntes. Uma delas é representada pelos chamados métodos de custeio tradicionais, que tiveram sua origem na necessidade de se avaliar os estoques na indústria nascente, após a Revolução Industrial (século XVIII), que era uma tarefa mais simples, até então, na empresa tipicamente mercantilista, conforme MARTINS (2001, p.20).

Guerreiro (2010, p. 4) os métodos de custeio de produtos são representados pelo Custeio por Absorção, Variável, Pleno ou o Custeio Baseado em Atividades.

2.4.1     Custeio por absorção

Segundo Martins (2003 p.4) o custeio de absorção deriva dos princípios contábeis usualmente aceitos, onde se baseia na apropriação dos custos de produção diretamente aos bens fabricados.

Admitindo-se o conceito de que o produto absorva somente os custos de produção, o método da UEP (Unidade de esforço de produção) surge como complementação, visando trabalhar com os custos de transformação, que, segundo o mesmo autor são aqueles imputados durante os processos de produção, exceto os relacionados à matéria-prima, analisando centros produtivos e a cadeia produtiva da empresa e não analisando os custos das matérias-primas, que são obtidas em fichas técnicas individuais dos produtos (MARTINS, 2003 p 65).

Numa perspectiva contábil, Horngren; Foster, Datar (2000, p 211) afirmam que custeio por absorção é o método de custeio do estoque no qual todos os custos de fabricação, variáveis e fixos, são considerados custos inventariáveis. Isto é, o estoque absorve todos os custos de fabricação.

No mesmo sentido, Neves e Viceconti (1995 p. 25) acrescentam que “os custos dos produtos fabricados, depois de devidamente alocados, só farão parte do resultado do período quando o produto final for vendido”. Desse modo, estes custos apresentam-se contabilizados na conta de estoques da empresa, antes de sua venda.

Ao se adotar essa metodologia, os custos dos produtos estarão absorvendo todos os custos de fabricação (LEONE, 2000 p. 141).

Com relação aos princípios de custeio, Bornia (2002 p. 21) elenca o custeio por absorção integral, o custeio por absorção ideal e o custeio variável.

2.4.2.   Custeio por absorção integral

No custeio por absorção ideal, todos os custos são computados como custos dos produtos. Contudo, os custos relacionados com insumos usados de forma não eficiente (desperdícios), não são alocados aos produtos. O autor salienta a importância desse princípio para o auxílio do controle dos custos e apoio ao processo de melhoria contínua da empresa. Sua característica principal é a separação dos custos fixos entre custos e desperdícios, ocorrendo a mensuração dos desperdícios verificados no processo produtivo. Dessa forma, a ineficiência não é repassada aos produtos (BORNIA 2002 p .22).

2.4.2     Custeio variável

O custeio variável é também conhecido como custeio direto, mas no entendimento de Leone (2007, p. 23), a primeira expressão é mais correta, pois o fundamento do critério não é a “diretibilidade” de despesas e custos, uma vez que este termo é utilizado para igualar-se ao termo usado pelos americanos, embora não seja encontrado no rol das palavras da língua portuguesa. “Diretibilidade” significa a separação dos custos e despesas em diretos e indiretos, em relação ao objeto de custeio, contudo o autor salienta que o fundamento do critério é a variabilidade dos custos e das despesas.

2.5      PRECIFICAÇÃO

Para César (2009 p.1) o preço é um valor arbitrado para um bem ou um serviço. Qualquer transação de negócio envolve um valor monetário que é a precificação.

Dentro da estrutura dos 4 P´s do Marketing os produtos e serviços oferecidos, aliados à política de preços das empresas determinam o posicionamento da empresa diante do mercado. A definição de preços segundo Barbosa (2010, p. 50), deve considerar o contexto geral do negócio: estrutura de custos, valor percebido pelo cliente, produtos alternativos, concorrência, tecnologia aplicada, além de valores intangíveis como marca, confiabilidade, localização etc.

Muitas decisões de compras são feitas com base nos preços dos produtos. A maioria dos consumidores possui desejos e necessidades ilimitadas, porém recursos limitados. A alocação destes recursos de forma eficiente otimizará a satisfação dos indivíduos de uma sociedade. O comprador, portanto, de modo geral, somente comprará algum produto ou serviço se o preço justificar o nível de satisfação que poderá derivar de sua compra (CÉSAR 2009 p. 1).

Para Barbosa (2010, p. 50), a única forma de garantir rentabilidade na precificação é por meio da prática de preços que sejam superiores aos custos. Apesar de essa afirmativa parecer óbvia, uma grande quantidade de empresas simplesmente não tem condições de colocá-la em prática por causa da incapacidade de estimar os custos de produção corretamente.

2.5.1     Constribuição marginal ou margem de contribuição

A margem de contribuição pode ser definida como sendo o excesso das receitas sobre os custos e despesas variáveis, disponível para cobrir os custos e despesas fixas, e também, para contribuir com a geração do lucro (MAHER, 2001).

Ao realizar uma venda, Barbosa (2010, p. 54) diz que parte da receita obtida é utilizada para pagar os Custos Variáveis de Produção e Venda (materiais, terceiros, impostos e comissões).

A Contribuição Marginal é a diferença entre o preço obtido na venda e o total dos Custos Variáveis gerados.

2.5.2     Ponto de equilibrio

Segundo Leone (1998, p. 377), o ponto de equilíbrio é o ponto da atividade da empresa no qual não há lucro nem prejuízo, isto é, o ponto em que a receita é igual ao custo total, assim, além do ponto de equilíbrio, a empresa obterá lucros.

Segundo Barbosa (2010, p. 55) toda empresa deve conhecer seu ponto de equilíbrio e usar essa informação como um balizador nas decisões de venda.

Para Martins (2003 p. 278), a principal limitação para o uso do conceito de ponto de equilíbrio reside no fato de que as empresas dificilmente trabalham com único produto.

Quando a empresa trabalha com diversos produtos, o que é a situação mais comum, os preços, custos e despesas variáveis é diferenciado também para cada um, o que provoca a impossibilidade de cálculo de um ponto de equilíbrio global (MARTINS, 2003, p. 278).

2.5.3     Formação e preço de venda

Cálculo que tem por base a abrangência e cobertura de todos os custos da empresa e geração do lucro desejado. É como dizer que a partir da venda de qualquer produto você estará tirando os custos ligados à empresa, seja eles: Custo fixo, Custo Variável ou Não Operacional e, assim, obtendo determinado lucro (BARREIROS 2014, p.1).

Para Barreiros (2014, p.1) primeiro se calcula a margem de lucro que se deseja, sendo que o lucro é o que sobra das vendas, menos o custo dos produtos ou serviços, menos as despesas variáveis e menos as despesas fixas. Salienta ainda que o lucro destina-se a remunerar o capital investido na empresa, é sempre desejável que esse valor seja entre 2% a 4% ao mês.

Para Alves (2011 p.1) o preço deve ser suficiente para cobrir todos os custos, despesas e impostos e no final gerar um lucro na venda para manter a empresa ativa, desta forma podemos ver de uma forma simplificar a estrutura do mark-up onde o preço e igual a somatória de todos os elementos inclusive o lucro desejado.

2.5.4     Como calcular o Mark Up

Segundo Dal´Bó (2012) para encontrar o Mark Up, um multiplicador que aplicado sobre o preço do custo, teremos como resultado o Preço de Venda. A fórmula é:

 

(+) Compra das 500 peças (70%) = R$ 8.000,00 ( R$8.000,00 / 70 * 100)

(+) Impostos (25%) = R$ 2.857,14

(+) Lucro 5% = R$ 571,43

(=) Faturamento total (100%) = R$ 11.428,57

100% dividido por (100%-30%).

 

 Neste caso o 30% da fórmula é o total dos custos variáveis (25% impostos + 5% lucro estimado). Nosso Mark Up será 1,4285. Se multiplicarmos este número pelos R$ 8.000,00 encontraremos rapidamente o Preço de Venda. (R$ 11.428, 57) O preço unitário de venda, considerando que venderemos as 500 peças, será de R$ 22,86 (DAL´BÓ 2012).

3       CONSIDERAÇÕES FINAIS

O entendimento sobre todos os formatos de custeio é estrategicamente fundamental para o sucesso de uma empresa. Determinar o melhor preço de venda é fator crítico para se alcançar o sucesso. Inclui-se ainda ao preço de venda as estratégias de marketing como qual o valor percebido pelo cliente a empresa deseja, quais são os produtos alternativos, concorrência, tecnologia aplicada, além de valores intangíveis como marca, confiabilidade, localização e posicionamento. Nenhum custo de produção, imposto, custo fixo ou variável pode ser esquecido na formação de preços, esses valores serão fundamentais para a aceitação do produto pelo mercado proposto. O público a ser atingido deve se identificar não só com o fator de marca, mas com o valor monetário que refletirá o valor de marca de determinado produto ou serviço e no final no lucro da empresa.  

4       REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico: elaboração de trabalhos na graduação. Edição 7ª. Editora Atlas, 2005.

O que é mark-up e como calcular este índice. Disponível em: http://www.artigonal.com/administracao-artigos/o-que-e-mark-up-e-como-calcular-este-indice-5310070.html. Acessado em 29-05-2016

BARBOSA, Osmar. Vender, controlar, melhorar: uma visão geral de custos e produção na indústria gráfica. Título Independente, 2010.

BORNIA, Antonio Cezar. Análise gerencial de custos em empresas modernas. Edição 3ª. Editora Atlas. 2002.

CONSULTORIA CONCEITO. Formação do Preço de venda. Disponível em: http://www.consultoriaconceito.com.br/index.php?optc=art&id=29 acessado em 29-05-2016

Como calcular o preço de cada produto. Disponível em: http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI103096-17161,00-COMO+CALCULAR+O+PRECO+DE+CADA+PRODUTO.html acessado em 29-05-2016.

GIL, Antonio Carlos; Como Elaborar Projetos de Pesquisa. Edição 4ª. Editora Atlas, 2004.

GUERREIRO, Reinaldo. Estruturação de sistemas de custos para a gestão da rentabilidade. Editora Atlas, 2010.

HORNGREN, Charles T.; FOSTER, George; DATAR, Srikant. Contabilidade de custos. Edição 9ª. Editora LTC, 2000.

LEONE, George Sebastião Guerra. Custos: um Enfoque Administrativo. Edição 9ª.  Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1987.

LEONE, George. Custos: planejamento, implantação e controle. Edição 3ª. Editora Atlas, 2000.

LEONE, George S Guerra, LEONE, Rodrigo José Guerra. Os 12 mandamentos da Gestão de Custos. Edição 1. Editora FGV 2007

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MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. Edição 8ª. Editora Atlas, 2001.

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PORTAL ADMINISTRADORES. A Precificação de produtos e serviços. Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/a-precificacao-de-produtos-e-servicos/31414/ acessado em: 29-05-2016.

PORTER, Michael. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Edição 12ª. Editora Campus, 1989.

REBELATTO, Daisy. Projeto de Investimento. Edição 1ª. Editora Manole, 2004.

VICECONTI, Paulo E. V; NEVES, Silverio das. Contabilidade de custos um enfoque direto e objetivo, Edição 4ª. Editora Frase, 1995.

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