Avaliação da ferramenta Valor Presente Líquido (VPL) na análise de viabilidade de investimentos empresariais

Este instrumento de pesquisa possui a finalidade de desenvolver uma análise efetiva de um dos principais indicadores financeiros utilizados no mercado, - e o mais efetivo também - para avaliação de viabilidade de investimentos, configuração de novos negócios e implementação de projetos: o Valor Presente Líquido (VPL). Tal indicador propicia ao investidor/gestor uma avaliação mais coesa e realística a respeito da aplicação e do volume de capital que este pretende realizar. Logo, este estudo visa enfatizar a importância da análise efetiva dos investimentos realizados por um investidor ou gestor para a obtenção do maior retorno de capital possível, redução de riscos ou antecipação à possíveis prejuízos. Palavras-chave: Indicador, Financeiro, Viabilidade, Planejamento, Investimento.

1 INTRODUÇÃO

Todo investimento ou aplicação de determinado volume de capital requer do responsável ou portador uma avaliação otimizada a respeito da movimentação pretendida, visto que o mercado financeiro é cada vez mais instável e agressivo, e planejamentos mal executados ou inconclusivos elevam os riscos e agrava a posição de vulnerabilidade do agente.

Logo, seja na configuração de um novo negócio - que requer a participação de capital de terceiros, como sócios, investidores, acionistas ou credores -, ampliação empresarial, a formatação de novos projetos ou até mesmo os investimentos individuais no mercado de capitalização (compra de ações, debêntures, títulos de renda fixa e variável, aplicações em fundos, entre outros), deve ser avaliada conforme os custos da operação, a temporalidade, o retorno provável, o custo de oportunidade, os cenários prováveis, entre outros fatores.

Para tal avaliação, existem uma série de indicadores financeiros, cada qual com uma funcionalidade e adequado a uma perspectiva que o avaliador possa ter neste processo. E dentre estes, o Valor Presente Líquido se apresenta como a ferramenta mais robusta para análise de investimentos devido a amplitude de resultados que oferece, inclusive em situações de paradoxo de oportunidades, como em projetos mutuamente exclusivos, algo que os demais principais indicadores financeiros não propiciam.

2 PRINCIPAIS FERRAMENTAS

Partindo do pressuposto de que todo e qualquer investimento ou empreendimento requer um controle efetivo e conhecimento claro das variáveis contextuais que interferem ou influenciam os resultados, a avaliação financeira destas movimentações de capital é um príncipio chave na tomada de decisão do gestor. E para tal, o mercado financeiro oferece várias ferramentas que auxiliam este processo, reduzindo riscos das operações e potencializando oportunidades.
E dentre essas ferramentas, as mais utilizadas, conforme pesquisa da FIPE com 128 empresas citada em videoaula do Prof. Dr. Erik Rego no curso virtual de Engenharia Econômica do Portal Veduca, são: Payback, Taxa Interna de Retorno (TIR) e Valor Presente Líquido (VPL), sendo este o ultimo o foco principal desta análise.

2.1 PAYBACK SIMPLES E DESCONTADO

O método payback, no caso o simples, baseia sua análise na temporalidade, isto é, avalia o tempo em que o fluxo de caixa acumulado periodicamente consegue recuperar o investimento inicial empreendido na operação. É uma ferramenta que se adequa a operações de baixo capital investido, e é muito utilizado devido a facilidade de aplicação e interpretação.

Entretanto apresenta algumas limitações que prejudicam a análise em determinados contextos. O método payback ignora a variação, ou o desvio padrão dos fluxos de caixa. Por exemplo, duas empresas diferentes possuem investimento inicial de $ 100.000,00, e a empresa A possui em 3 períodos rendimentos consecutivamente de $50.000,00, $35.000 e $10.000,00, e a empresa B rendimentos de $25.000,00, $35.000,00 e $40.000,00 da mesma forma. Notoriamente, as duas empresas possui o mesmo período de payback, entretanto os rendimentos períodos indicam crescimento na empresa B e declínio na empresa A.

Uma grande falha do período de payback simples é que ele não leva em conta o valor do dinheiro no tempo. Para superar essa limitação, o período de retorno descontado foi sugerido. Nesse método modificado, os fluxos de caixa são adicionados primeiro para determinar os valores do período (aplicando fatores de desconto adequados) e, em seguida, adicionados para determinar o período de tempo necessário para recuperar o desembolso inicial no projeto. (Chandra, 2008, p. 296, tradução nossa)

O payback descontado, embora apresente uma ligeira evolução em relação ao simples, pois analisa os valores presentes do fluxo de caixa, isto é, é calculado sob uma taxa de desconto, ou uma taxa minima de atratividade (TMA), porém apresenta as mesmas deficiências previamente citadas.

2.2 TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)

A Taxa Interna de Retorno, ou TIR, é a taxa que anula o VPL, isto é, o momento em que o Valor Presente Líquido de uma operação é igual a zero (PUCCINI & PUCCINI, 2006). É um método que visa mensurar uma taxa intrínsica de rendimento, ou melhor, uma rentabilidade media ponderada. Segundo Barbieri, Álvares e Machline (2007), “O modelo matemático de cálculo da TIR, como foi concebido, permite (ainda que implícito) supor que os fluxos de caixa intermediários, se positivos, sejam remunerados por uma taxa de juros igual à TIR, bem como os negativos sejam também financiados pela mesma taxa”.

Obviamente, a utilização desta ferramenta deve estar aliada ao VPL, e também vinculada ao cálculo do custo de oportunidade que um determinado investimento possui, de forma que, em contextos onde o custo de oportunidade é maior que a TIR, o projeto ou empreendimento deve ser descartado, pois o seu VPL será negativo.

E esta ferramenta também apresenta algumas deficiências na análise de investimentos. Em situações em que os fluxos de caixa não são lineares, se alternam em positivos e negativos, podem resultar em mais de uma TIR, tornando mais complexa a avaliação. Além disso, a TIR depende de que os fluxos de caixa possam ser replicados durante o período de vigência ou existência do investimento ou empreendimento.

2.3 VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL)

O Valor Presente Líquído, ou VPL, é conforme dito, a ferramenta de avaliação de investimentos mais robusta e efetiva encontrada no mercado financeiro. Segundo Silva e Fontes (2005), “é a diferença do valor presente das receitas menos o valor presente dos custos”.

Este método busca mensurar, através do cálculo do valor presente dos fluxos de caixa, a variação do valor do dinheiro no tempo, incutindo taxas de desconto, como a própria TMA, e calculado através de um custo de oportunidade definido previamente, de forma que, quando os valores de VPL são positivos, indicam viabilidade no investimento, e em contrapartida quando são negativos, indicam que o investimento deve ser descartado.

Segundo Puccini e Puccini (2006), “ o valor presente líquido de um fluxo de caixa é igual ao valor presente de suas parcelas futuras (que são descontadas com uma determinada taxa de desconto), somado algebricamente com a grandeza colocada no ponto zero”.

A norma mais simples do VPL é que você deve descartar projetos com VPL’s negativos e realizar todos os projetos com VPL’s positivos. Se estivermos sendo cuidadosos, acrescentamos a ressalva de que uma recomendação positiva para realizar um projeto só deve ser feita se a adoção do projeto não nos impedir de realizar algum outro projeto. (Ross, 1995, p.96, tradução nossa).

Por meio deste método também é possível analisar a sensibilidade do investimento, isto é, incorporar no cálculo variações na taxa de desconto simulando possíveis cenários, de forma que o gestor verifique se o investimento está muito suscetível ou não aos impactos da economia.

Logo, o método VPL permite o gestor não somente a análise de viabilidade de um determinado investimento, mas também o monitoramento e antecipação e possíveis variações no mercado que podem impactar em seus rendimentos.

3 DISCUSSÃO

Conforme a pesquisa da FIPE citada anteriormente, a ferramenta de avaliação de investimentos mais utilizada é a Taxa Interna de Retorno (49,9%), seguida por Payback descontado (14,6%) e Valor Presente Líquido (10,4%).

Isso reflete que o administrador ou investidor ainda tem seus conceitos de avaliação de investimentos muito vinculado à valores percentuais, taxas que são passíveis de comparação com outros índices de mercado, sem de fato, por muitas vezes, compreender de forma efetiva e coesa os dados.

Pode refletir também uma interpretação errônea da ferramenta TIR, visualizando-a como uma taxa de rendimentos absolutos em relação ao custo de capital. Em situação já contextualizadas, em que os fluxos de caixa heterôgeneos e/ou não uniformes, e que podem ser encontradas mais de uma TIR, a avaliação do gestor pode ser comprometida devido a complexidade do contexto.

Obviamente que existem outras ferramentas para avaliação de investimentos que podem propiciar ao gestor perspectivas coerentes relativas à suas finanças, como o Índice de Lucratividade, Break-even Point (Ponto de Equilíbro), Modelo de Opções Reais (que analisa cenários possíveis com relação ao tempo de movimentação do capital investido), entre outras, cada qual com sua aplicabilidade e funcionadade adequadas às condições inerentes a cada investidor e capital investido, e também podem ser contempladas na avaliação do gestor até mesmo a título de comparação para que seja tomada a melhor decisão possível.

4 CONCLUSÃO

O debate a respeito de finanças empresariais, bem como de projetos e investimentos pessoais obviamente não se restringe à análise de ferramentas de avaliação, é algo bem mais complexo que demanda do gestor uma capacidade intransigível de mapear e concentrar dados e informações, avaliar cenários, antecipar à variáveis que impactam em suas atividades e perspectivas, como a propria atuação dos concorrentes, entre outros princípios e aspectos essenciais para o êxito empresarial.

Entretanto, a avaliação de viabilidade de investimentos é um ponto-chave para empresas que querem se manter hegemônicas no mercado, bem como investidores que buscam maximizar seus lucros, e tal situação depende muito das ferramentas (e do conhecimento e interpretação correta destas) que são utilizadas no processo, como fator de previsão de riscos, receitas, oportunidades e ameaças, e deve ser contemplado de forma bem completa e efetiva no planejamento financeiro da organização, ou do próprio investidor.

Tal debate se torna relevante à medida que os dados a respeito da falência de empresas no mercado brasileiro se agravam, principalmente em se tratando de micro e pequenas empresas. Segundo levantamento feito pelo Sebrae em 2013, uma a cada 4 empresas deste porte encerram suas atividades com até 2 anos, podendo chegar a 50% esta taxa de mortalidade para empresas até 4 anos de atividade, sendo que um terço dos motivos que levam essas empresas à falência é o mal planejamento de suas finanças. Este mal planejamento reflete uma incongruência elevada entre as expectativas (surreais) que os gestores possuem e suas efetivas possibilidades, além do fato de que as contingências podem não ser contempladas de forma coesa neste planejamento.

Em se tratando destas ferramentas de análise financeira, o VPL é o método que oferta os resultados mais coerentes e realísticos a respeito das operações, não só pela metodologia de cálculo considerando as taxas de desconto nos fluxos de caixa, mas também pela amplitude de análise que oferece ao gestor. Obviamente que o gestor pode, e deve utilizer as demais ferramentas de análise para título de comparação e obtenção do resultado mais congruente, entretanto, em situações de conflito de resultados entre métodos, o VPL possibilita um prognóstico mais consistente que os demais.

REFERÊNCIAS

BARBIERI, José Carlos; ÁLVARES, Antônio Carlos Teixeira; Machline, CLAUDE. Taxa Interna de Retorno: controvérsias e interpretações. Disponível em: <https://revista.feb.unesp .br/index.php/gepros/article/view/184/13 3>. Acesso em: 14 nov. 2018.

CHANDRA, Prassana. Financial Management: theory and practice. 7. ed. McGraw-Hill: New Delhi, 2008, p. 296.

PUCCINI, Abelardo de Lima; PUCCINI, Adriana. Matemática financeira: objetiva e aplicada. Ed. Compacta. São Paulo: Saraiva, 2006.

RÊGO, Erik Eduardo. Curso de Engenharia Econômica. Recuperado do Portal Veduca Educação: <https:// veduca.org/apresentacao/curso/engenharia-economica>. Acesso em: 20 dez. 2018.

ROSS, Stephen A. Uses, Abuses and Alternatives to the Net Present-Value Rule. Disponível em:<https://www.jstor.org/stable/3665561?seq=1#page_scan_tab _contents >. Acesso em: 15 jan. 2019

SEBRAE. Entenda o motivo do sucesso e do fracasso das empresas. Disponível em:<https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sp/bis/entenda-omotivodosucess oedofracassodasempresas,b1d31ebfe6f5f510VgnVCM1000004c00210aRCRDorigem=est adual&codUf=26>. Acesso em: 13 out. 2018.

SILVA, Márcio Lopes da; FONTES, Alessandro Albino (2005). Discussão sobre os critérios de avaliação econômica: Valor Presente Líquido (VPL), Valor Anual Equivalente (VAE) e Valor Esperado da Terra (VET). Disponível em:< www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0100-676220050006&lng=pt&nrm=i so>. Acesso em: 22 dez. 2018.

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