Mais comentada

Como reduzir as desigualdades sociais

“[...] somente uma política socialmente focalizada nos mais pobres, aliada a medidas que efetivamente redistribuam a riqueza existente, terá resultados expressivos sobre a erradicação da miséria e a redução das desigualdades sociais no Brasil” (Marcelo Lettieri. Programa Nacional de Educação Fiscal)

O tema da Educação Financeira e da autonomia das famílias quanto ao seu processo de desenvolvimento financeiro vem sendo pauta de discussões em várias esferas da sociedade civil.

Estive envolvido em discussões recentemente abordando um ponto de vista mais social e educacional do tema. Acredito que alguns pontos que discutimos devem ser expostos de forma mais geral, tornando esta discussão mais ampla.

A grande temática era sobre a influência do Estado no que tange à Educação Financeiras e Educação Fiscal das famílias brasileiras. Diretamente, acabamos discutindo o tema “desigualdades sociais”.

O Brasil é um país com uma perversa distribuição de renda! De acordo com dados recentes e amplamente divulgados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por exemplo, em termos regionais, a economia brasileira é concentrada em três regiões geográficas, o Sudeste, o Centro-Oeste e o Sul do país, com um PIB per capita, em 2010, de R$ 11.600,00, R$ 11.130,00 e R$ 10.140,00, respectivamente. Em 2010, o PIB dessas três regiões representaram 81,2% do PIB brasileiro, para 63,9% da população do país. O PIB per capita das regiões Norte e Nordeste, nesse mesmo ano, foi de R$5.670,00 e R$ 4.270,00, respectivamente, e a participação das duas regiões no PIB brasileiro foi de apenas 18,8%, embora possuam essas duas regiões 36,1% da população do país.

Acredito que, quando mencionamos um trabalho voltado para a redução das desigualdades sociais, temos inicialmente uma ação não apenas do estado. A sociedade em si, a partir do seu âmbito mais primário, que é a família, precisa alterar algumas questões culturais com certa urgência.

Tomando por base os trabalhos recentes de Oscar Oszlak (http://www.oscaroszlak.org.ar/docencia.php), alteração culturais partem dos quatro setores mencionadas por este autor. Ordenadamente, tratamos estas alterações a partir da seguinte ordem:

1. O coercitivo ou setor publico estatal - Nesta estrutura, o principal agente seria a escola. Toda e qualquer mudança precisa ser discutida pela escola para que os alunos possam ser inseridos no processo e levar isso para as suas casas, onde o processo continua. Ao contrário do esperado, principalmente, em muitas famílias atendidas pela escola pública brasileira, não teriam condições intelectuais de iniciarem algum debate em torno de mudança de paradigma culturas. Não estou aqui menosprezado qualquer um. Mas discussões neste nível, em função da dimensão cultural e estrutural de muitas famílias, se torna uma expectativa com pouca (ou quase nenhuma) probabilidade de ocorrência. Mas, claro, seria muito mais proveitoso se esse processo iniciasse em casa e continuasse na escola.

2. O lar, constituído pela família e pela vizinhança – Aqui o estudante leva pra sua comunidade o conhecimento estruturado na escola e, de certa forma, acaba influenciado seus pais, colegas e a comunidade. Tendo a escola um viés de abertura para a comunidade, os debates gerados podem ser amplamente divulgado em momentos específicos.

3. O lucrativo, que coincide genericamente com o mercado – Muitas famílias não compreendem o funcionamento do estado, principalmente a partir do âmbito fiscal. E, ainda pior, muitas famílias tem dificuldades de compreensão da própria gestão doméstica. Muito do conhecimento sobre impostos, finanças pessoais, protagonismo, precisam ser levadas para dentro das comunidades. De acordo com relatórios internacionais como o GEM (Global Entrepreneurship Monitor) a partir do GERA (Global Entrepreneurship Research Association), o Brasil é um país de pessoas altamente engenhosas e trabalhadoras, mas que não buscam muito por orientação, principalmente quando o assunto é empreendedorismo e protagonismo. Então, sendo a escola um grande espaço de discussões, pode-se atingir esta comunidade no intuito de que saibam como podem alterar as suas realidades.

4. O voluntário ou não lucrativo – E é neste âmbito que as mudanças atingem o seu patamar máximo. Quando as pessoas entendem que, diante do que produzem e das mudanças que adquiriram, podem influenciar vida de outras pessoas, a sociedade, como um todo, passa a sofrer alterações profundas.

Apesar da complexidade e das múltiplas faces da relação entre Estado e Sociedade, somos muito jovens ainda quando o assunto é Democracia. Então, com ações bem estruturadas dentro das escolas, é possível desmistificar os estigmas da ignorância e da inércia vividas por muitas das famílias atendidas por estas.

Diante do exposto, podemos inferir que “somente uma política socialmente focalizada nos mais pobres, aliada a medidas que efetivamente redistribuam a riqueza existente, terá resultados expressivos sobre a erradicação da miséria e a redução das desigualdades sociais no Brasil” (Marcelo Lettieri. Programa Nacional de Educação Fiscal).

É uma agenda urgente pensar e discutir desenvolvimento econômico para além do mero crescimento da produção, incluindo em sua essência a distribuição da riqueza gerada e a proteção do meio ambiente. E, de acordo com o conceito de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), compreender e levar pra sociedade que o desenvolvimento parte de três pilares fundamentais: renda, educação e saúde.

Discussões em toda a sociedade, acompanhada de formas mais modernas e criativas de geração de emprego e renda e um sistema de prevenção de saúde que realmente funcione em prol de toda a comunidade pode fazer com que a nossa sociedade dê um salto substancial em qualidade de vida.

Estamos envolvidos nesta discussão e nesta frente de batalha. Envolva-se você também! Não posso afirmar que seja uma batalha simples, mas posso garantir que os resultados são extraordinários. 

Forte e fraterno abraço!

 

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

Avalie este artigo:
(0)
Tags: desigualdade social educação financeira educação fiscal empreendedorismo