Consórcio de exportação

CONCEITOS DE CONSÓRCIOS DE EXPORTAÇÃO

Elizandra Luiza Wilmsen

 

INTRODUÇÃO

O assunto exportação nos traz muitas curiosidades, com o crescimento do mercado consumidor. A exploração de novos mercados se torna cada vez mais constante quando tratamos de suprir as nossas necessidades. Com isso o comércio exterior se faz presente, com compras internacionais buscando opções variadas, de todos os tipos e marcas de produtos, incluindo a importação e exportação de peças para montagens de produtos fabricados no país.
Consórcio de exportação vem na tentativa de facilitar o comércio internacional para micro e pequenas empresas, com a diminuição de custos, já que os mesmos são fracionados entre as participantes do consórcio. Muitos países adotaram essa medida há vários anos, outros na tentativa não tiveram o mesmo resultado.
O presente artigo tem como objetivo esclarecer o conceito de consórcio de exportação, quais as características do termo. O estudo aborda algumas circunstâncias que as empresas precisam adotar na decisão de exportar e os problemas enfrentados na tentativa de abrir um consórcio nessa área. Por fim, a pesquisa busca responder uma questão: Consórcio de exportação é uma alternativa viável para micro e pequenas empresas?

1. CONCEITO

Consórcio de exportação tem como definição, o conjunto de empresas que atuam no mesmo ramo de mercado, pertencendo ao mesmo setor econômico, fabricando e comercializando produtos e serviços com características semelhantes. Consórcio de exportação é um sistema criado para viabilizar a exportação de micro, pequenas e até médias empresas. É a união de diversas instituições com o objetivo de diminuir gastos aduaneiros. Esse grupo de empresas unidas, almejam com o consórcio de exportação objetivos comuns, como a conquista de mercados estrangeiros e reduzir os custos de internacionalização, já que as despesas são divididas entre as empresas participantes do consórcio.
O Centro de Comércio Internacional-UNCTAD/GATT (1983) nos traz um conceito amplo de consórcio de exportação: “os consórcios compõe-se de empresas independentes, que guardam a sua identidade como produtores e conservam sua própria estrutura administrativa. Elas não fundem seus interesses, mas participam simplesmente da criação de um organismo novo ao qual estão ligadas, como entidades distintas, por um acordo de natureza comercial”.
Esse conjunto de empresas conta com suporte de algumas entidades governamentais, instituições de crédito, ensino e outras corporações de empresas como o FIESC, Associações Comerciais, ACI’s e o SEBRAE.
A união dessas empresas é feita através de um contrato, expondo assim, a capacidade individual de cada uma das participantes. Uma das principais características, explicitada nesses contratos, é que esse aglomerado de empresas atua de forma conjunta no comércio exterior, diferente das vendas nacionais, onde cada uma opera em sua área, havendo competitividade entre elas no mercado local. Essa competitividade entre elas é um dos problemas enfrentados pelos consórcios, pois essa competição acaba influenciando nas exportações, agindo de forma contrária às regras estabelecidas, onde cada uma busca os melhores resultados para seu próprio negócio, esquecendo que o consórcio existe com a condição das empresas atuarem no mesmo ramo e não haver desequilíbrio em relação aos preços estabelecidos a determinado produto.
As empresas que participam dos consórcios de exportação têm características em comum, como, o porte de sua instituição, que deve ser micro, pequenas e médias, desde que dentro do consórcio todas atuem no mesmo setor econômico, com características semelhantes entre si. Essas empresas devem ter interesses em comum, mesmo que sejam concorrentes no mercado doméstico, e o mais importante, respeitar todas as condições, normas e regulamentos estabelecidos a elas.
Existem duas classes em que podem ser classificados os consórcios de exportação; dependendo do critério escolhido: modalizando os produtos operados, divididos em consórcios horizontais, onde as empresas trabalhando com a mesma linha produtiva, sendo diferenciada por detalhes, e os consórcios verticais, com as exportações indiretas, ligadas por fornecedores e fabricantes; e variando de acordo com a finalidade, também dividida em dois aspectos: consórcios de promoção comercial, onde o consórcio é somente voltado para o marketing no exterior de forma conjunta, mas cada empresa realiza suas operações internacionais; e consórcios de comercialização, o consórcio é responsável pelas promoções e as transações internacionais.

2. HISTÓRIA

A história dos consórcios de exportação tem início na Itália, desde a época dos romanos. No intuito de cooperação, atuavam nas mesmas regiões geográficas, atendendo o mercado internacional com produtos coloniais como vinho, azeite, cerâmica e confecções.
Em termos de sociabilidade, cooperativas e associações a Itália serve de exemplo e inspiração para diversos países, onde para o Brasil traz o termo “clauster” com significado muito importante para esse assunto, sua tradução é “agrupar”. No Brasil esse agrupamento só começou a vigorar nos anos 1.800, com Dom João VI.
Muitos países usam como base o sistema de consórcios e exportação italiano na tentativa de alcançar os mesmos resultados. Mas porque os resultados acabam sendo diferentes, com lucros menores? No caso do Brasil são várias circunstâncias que caracterizam essa resposta, pois não adianta importar o modelo sem importar as devidas adaptações.
A Itália tem vários fatores favoráveis para esse sucesso. Partindo de seu ambiente na localização geográfica. O país está localizado na União Europeia, fazendo fronteira com grandes potências mundiais na exportação como a Alemanha e a França.
Podemos citar outros países que obtiveram sucesso nos consórcios de exportação, tendo um grande desenvolvimento no comércio internacional, o Japão pode ser considerado campeão no marketing internacional, atingindo a liderança nos setores industriais de automóveis, relógios, instrumentos óticos, aço, construção naval, computadores e eletrônicos. Um atributo para esse sucesso são as práticas em negócios e administração, e também o incentivo recebido pelo governo e bancos. Porém podemos dizer que a razão pelo Japão ter todo esse sucesso é sem dúvidas o uso habilidoso que o país faz com o marketing. Eles sabem como entrar em um mercado da melhor forma, diferente dos brasileiros, os japoneses se preocupam inicialmente em conquistar os mercados internacionais, buscando sempre a melhoria nos produtos, e não o tão esperado lucro, dispostos a esperar décadas até recolher os valores.
A China também tem seu espaço garantido no comércio internacional, com os mais variados segmentos de produtos, tendo um dos principais mercados, o Brasil, onde os produtos chamam muito a atenção dos brasileiros por conta dos preços acessíveis.
Nesses países há muitas outras facilidades que auxiliaram para que a expansão na exportação tivesse um avanço, junto com a economia. Outro fator muito importante para esse apoio, é que os países possuem fronteiras abertas, e a moeda é única, o Euro, facilitando o transporte entre os países, sem contar com a excelência nas redes rodoviárias, ferroviárias e nas companhias aéreas, ajudando na agilidade de entrega nas mercadorias exportadas. Um aspecto que eleva o nível exportador da Itália são as normas técnicas unificadas entre os países, ou seja, um documento que estabelece, para o uso constante, regras, diretrizes e características para atividades ou seus resultados, visa a obtenção de ordenação igual para todos os membros da União Europeia.
Existe também uma burocracia simplificada na circulação de mercadorias entre um mercado para outro, diferente do Brasil em alguns aspectos, inicialmente com baixo índice de influência das PME’s (pequenas e médias empresas). Outra razão desfavorecida ao Brasil para as exportações é sua localização geográfica, esta longe do eixo dos EUA e Europa, tendo como vizinhos, países com mercado interno menor que o mercado brasileiro e menores em poder aquisitivo. A moeda entre os países é bem diversificada, o Brasil tem como moeda o real, a Argentina o peso argentino, o Paraguai o guarani, o Peru a moeda novo sol, a Venezuela o bolívar venezuelano, fazendo com que a variação de preços entre as moedas seja muito maleável em relação à cotação. Outra desvantagem para os consórcios de exportação brasileiro são as barreiras alfandegárias, assim os gastos em aduanas aumentam os gastos com os produtos e os limites de exportação entre um país e outro. Uma situação apontada como desafio na exportação é a tremenda desorganização e falta de estrutura nos portos, cuja gestão administrativa desconhecia as regras e importância das transações internacionais. Além disso, por essa estrutura arcaica, os manuseios de carga nos portos brasileiros geram perdas de cargas, o que além de um grande prejuízo material, acabam criando atrasos nos prazos de entrega, ocasionando o cancelamento de contratos e perda de confiabilidade. Diferente de alguns países que têm o consórcio de exportação bem-sucedidos, no Brasil pouco se utiliza essa alternativa, tanto por ser um assunto pouco conhecido e estudado, quanto por não ser uma forma usual de comercialização.
Uma das maiores dificuldades enfrentadas por empresas de pequeno e médio porte é a falta de profissionalismo em seu grupo administrativo. Segundo Kuazaque (1999), as vantagens sobre o consórcio de exportação podem vir de forma simultânea considerando a redução dos custos de exportação, pois não serão usados somente em mercados externos, mas também internos. São algumas vantagens do consórcio de exportação:
• Redução de gastos com exportação, já que os mesmos são compartilhados.
• Ampliação na escala de produção
• Absorção de novas tecnologias de produção
• Acúmulo de conhecimento e marketing internacional
• Acesso mais fácil às entidades de crédito
• Possibilidade de criação de uma marca forte.
Porém, assim como as vantagens os consórcios de exportação apresentam desvantagens, que são:
• O comportamento individualista e preocupação de que o outro consorciado obtenha mais vantagens durante as atividades
• Permanência de segredos industriais entre os participantes
• Falta de profissionalismo dos gerenciadores do consórcio
• Mal planejamento
• Postura de visualização da exportação como estratégia celular curto prazo (empresários que visam apenas lucros imediatos)
• Considerar o consórcio apenas como válvula de escape de crises internas
• Inexistência de confiança nos trabalhos conjuntos
• Falta de recursos financeiros
• Rivalidade e a concorrência extrapolarem o mercado interno
Nicola Minerva diz que os consórcios de exportação têm muitas chances de ir ao fracasso por conta do individualismo, onde cada instituição se preocupa mais em casos do outro ser mais beneficiado que si próprio.

3. APOIADORAS DAS EMPRESAS EM SUAS EXPORTAÇÕES

3.1 APEX (Agência de Promoção de Exportação)

Fundada em 2003, a APEX atua pata promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Suas principais atividades são as rodadas de negócios, incentivo à participação das empresas brasileiras em feiras internacionais, visita de compradores estrangeiros nos setores produtivos, no intuito de crescer a marca Brasil.
Tem como missão desenvolver a competitividade das empresas brasileiras, promovendo a internacionalização de seus negócios e a atração de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). Sua visão é: o Brasil no mundo: inovador, competitivo e sustentável.

3.2 SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)

O SEBRAE foi fundado em 1972, vêm no intuito de oferecer apoio às empresas de micro e pequeno porte, servindo de suporte para que o negócio vire um sucesso.
O SEBRAE não está diretamente ligado aos consórcios de exportação, porém oferece vários recursos que servem de base para quem pretende empreender ou dar início no setor exportador, também presta consultoria às empresas na tentativa de melhoria do negócio.

3.3 CECIEx (Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras)

Fundada em 2006, o CECIEx é responsável por representar e defender interesses das empresas Importadoras e Exportadoras, prestando serviços no comércio exterior, trazendo muitos benefícios para as empresas, como: descontos em participação de eventos nacionais e internacionais; anúncios institucionais; participação de reuniões setoriais.

4. CONSÓRCIO DE EXPORTAÇÃO PRESENTE NO BRASIL NO SEGMENTO DE MODA PRAIA.

O Brasil é um país favorecido em relação às costas marítimas, condições aptas no verão e as grandes opções de lazer que o país tem em parques aquáticos, favorecendo assim o uso de moda praia. Em outras décadas, o biquíni era considerado uma vestimenta ousada, deixando expostas as curvas do corpo feminino, porém não se sabia que com o passar dos anos a inovação faria com que as peças ficassem mais ousadas e estilosas, com materiais que tivessem o máximo de conforto e maior segurança nos movimentos aquáticos.
Os produtos apresentados, moda praia, já eram produtos usados em outros países, inclusive na China, que impõe grande concorrência em relação à padronização dos produtos e no preço. O que influenciou o Brasil nesse setor, foi a customização desses produtos, que são caracterizados pela cultura brasileira, com destaque para as cores verde, amarelo e azul, o artesanato e o bordado.
Esse consórcio se localiza na cidade de Brasília (DF). Opera no modelo italiano de cooperação, onde nos detalhes finais, todas as empresas participam da elaboração.
O catálogo e o web site são duas ferramentas utilizadas para a amostra disse produtos no exterior, atingindo principalmente mercados europeus e os EUA. As principais formas de se fazer em presentes no comércio exterior desse consórcio é a participação de feiras e das missões realizadas.
Segundo o presidente do consórcio, o Brasil é visto com maus olhos em relação a pontualidade nas entregas. Sendo um grande problema nas exportações. Porém esses produtos atraíram muito o público externo no que diz respeito à qualidade e características do produto, e nesse segmento contou muito a sensualidade e as curvas da mulher brasileira em sua divulgação.

CONCLUSÃO

O presente trabalho teve como objetivo definir o conceito de consórcio de exportação, uma alternativa utilizada para a exportação de micro, pequenas e médias empresas para a redução de custos na sua comercialização. Como citado no trabalho, alguns países adotam essas medidas e obtém grandes resultados, já que o termo se tornou um hábito dentre as empresas, porém em outros os resultados não superam as expectativas.
Para concluir, entendo que os consórcios de exportação são alternativas viáveis para empresas de pequeno porte, sendo avaliado todas as características, vantagens e desvantagens na hora de tomar a decisão, já que algumas regiões não são favoráveis para esse ramo de atividade, deixando de lado o individualismo e a competitividade dentro dos consórcios. Também deve ser muito estudado, a ponto de ter uma visão muito ampla do público alvo, do que se pretende com a oferta do produto, e sobretudo a cultura dos países, para que futuros resultados sejam positivos e não se tornem um fracasso nos negócios. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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<http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/consorcios-de-exportacao-como-estrategia-de-entrada-no-comercio-internacional/49751/> Acesso em 31 de março de 2018.

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