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Desenvolvimento Gerencial e Liderança: qual é o real impacto nos resultados organizacionais?

O que é desenvolvimento gerencial e porquê as empresas estão capacitando seus gestores?

Há um grande equívoco em relacionar “gerência” e “liderança” como sinônimos. Não são!

Ao recorrer aos dicionários online, descobrimos que gerenciar carrega significados de ações diretas e mecanizados, enquanto liderar é uma forma de inspirar, motivar, influenciar. 

Ao recorrer à literatura, muitos dos livros sobre administração enfocam a necessidade de entender a diferença entre gerenciar e liderar e a importância de conseguir fazer com que as duas habilidades distintas caminhem juntas.

Sobre o tema, entre os livros mais populares, podemos facilmente entender porque John, de o Monge o Executivo, precisou passar uma temporada num mosteiro e porque o Rei Wu, em A arte da guerra, convocou o General Sun Tzu para treinar seu exército.

Na vida real, acompnhamos em tempo real, Steve Jobs ser demitido da empresa que construiu por ter sido considerado um líder questionável e um gestor falho. Walt Disney prova que não adianta influenciar pessoas e fazer com que acreditem em seu sonho, se não for capaz de geri-lo como negócio.

Mas, de fato, qual é a real diferença entre gerenciar e liderar?

Para Fábio Quiroga, GERENCIAR é planejar, organizar, executar e controlar as ATIVIDADES que facilitem o processo de trabalho. Liderar é a ARTE de influenciar pessoas, atraindo seguidores e promovendo mudança de mindset. 

“Precisamos liderar pessoas e gerenciar processos”. Fábio Quiroga

No mundo regido pela era da informação, AI, IOT, robotização...o ato de gerenciar não pode estar alheio ao ato de liderar. As pessoas precisam de líderes, alguém a quem confiar, seguir, admirar, respeitar. É o Desenvolvimento Gerencial que vai promover o autodesenvolvimento, a responsabilidade que um gerente possui em assumir o seu crescimento e aprimorar a sua capacidade de conduzir equipes por meio da liderança.As organizações modernas precisam fazer com que as pessoas estejam engajadas em seu propósito, e isso não é possível apenas com gerenciamento, mas com liderança.

Uma pesquisa do Instituto Gallup revelou que 87% dos trabalhadores do mundo inteiro não estão engajados em seu trabalho. Este “desengajamento” representa um “dreno” que anualmente custa entre 100 e 120 bilhões de dólares para o Brasil e entre 450 e 550 bilhões de dólares para os Estados Unidos.

Por outro lado, a mesma pesquisa provou que o engajamento representa 22% de aumento na produtividade, aumento de 21% na lucratividade, 10% em retenção de clientes e diminuição de 37% no absenteísmo, 25% na rotatividade e 48% em acidente de trabalho.

Para Chiavenato, o clima organizacional  “representa o conjunto de sentimentos predominantes numa determinada empresa e envolve a satisfação dos profissionais tanto com os aspectos mais técnicos de suas carreiras e trabalho, quanto aspectos afetivos e emocionais, refletindo em suas relações com os colegas de trabalho, com os superiores e com os clientes de modo geral. É a tendência de percepção que os membros de uma organização possuem a respeito de seu grau de satisfação em relação ao conjunto ou a determinada característica desta organização”. 

A capacidade de um gestor em liderar pessoas, proporciona uma melhor qualidade do clima organizacional. A liderança eficaz e inovadora é capaz de implantar um modelo de gestão sustentável, de forma a conscientizar a todos os envolvidos no processo, a importância do equilíbrio entre produção, lucro e meio ambiente. As empresas estão se empenhando em ações que promovam o desenvolvimento gerencial, a fim de conquistar o equilíbrio e um clima organizacional harmonioso.

Desenvolver uma gerência não é apenas treinar aquele que possui as características de um líder. Este desenvolvimento deve estar alinhado ao planejamento estratégico da organização com vistas a alcançar os objetivos traçados e melhores resultados. Desenvolver gerentes é integrar o espírito de liderança na organização.

Para Chiavenato (2012, p.30), “a definição de liderança envolve dois aspectos importantes:
1- A capacidade presumida de motivar as pessoas a fazerem aquilo que precisa ser feito
2- A tendência dos liderados de seguirem aqueles que percebem como instrumentos para satisfazerem seus próprios objetivos e necessidades pessoais.

“Liderança é o processo que uma determinada pessoa é capaz de exercer influenciando pessoas ou grupos para realização de objetivos ou uma determinada situação. O líder é a pessoa que sabe ajustar todas as características de seus subordinados”. (Chiavenato, p. 145)

O desenvolvimento gerencial é, então, uma forma de a organização promover a criação de um clima organizacional favorável ao engajamento e, consequentemente, aos lucros. 

Diante do exposto, é possível inferir que o ato de gerenciar vem sendo imbuído do ato de liderar. Com isso, percebemos que há muito tempo os profissionais, principalmente de administração, deixaram de ser avaliados apenas pelo seu “invejável” currículo. Segundo Peter Drucker, em entrevista para uma grande rede de TV americana, “todas as revistas e livros especializados em Administração, estão cheios de conselhos sobre como gerenciar outras pessoas. Porém, você não pode esperar um bom desempenho de pessoas a menos que você mesmo seja eficiente. A ênfase está na própria eficiência. A empresa é reflexo de seus executivos". Segundo Drucker, a maioria das pessoas que tiveram sucesso souberam fazer a pergunta chave: “o que precisa ser feito?”. Não é o que “eu quero fazer”, mas o que precisa ser feito.

Para Hatakeyama (1995), a função do gerente hoje, tem dois aspectos: o ocupacional e o humano. Para o autor, o aspecto ocupacional refere-se as atividades de planejar, executar e colher resultados. Enquanto que o aspecto humano referente as interrelações, administração de conflitos e motivacionais.

Vicente Falcone, em O verdadeiro Poder, destaca que existem 3 fatores fundamentais para obtenção de resultados em qualquer iniciativa: método, liderança e conhecimento técnico. Mas que, dentre eles, a liderança é realmente a “peça chave”. Sem liderança não há impulsionamento para que o métoco e o conhecimento técnico promova as mudanças necessárias dentro da organização.

De fato o gestor ocupa uma posição estratégica com importante impacto sobre a organização nos diversos níveis.

“Organização é uma unidade social conscientemente coordenada, composta de duas ou mais pessoas, que funciona de maneira relativamente contínua, com o intuito de atingir um objetivo comum”. CHIAVENATO (2014)

Um bom gestor promove a satisfação dos stakeholders, reflexos sobre a produtividade, além de promover a retenção de talentos em longo prazo, atingindo assim, de modo sustentável, os objetivos organizacionais. 

O objetivo do desenvolvimento gerencial é desenvolver competências que promovam o crescimento pessoal e profissional de modo a impactar positivamente nos resultados organizacionais. 

“Desenvolvimento Gerencial é um conjunto organizado de ações educacionais no sentido de desenvolver habilidades e competências gerenciais como: liderança, motivação e condução de equipe”. Idalberto Chiavenato (2012, p.34)

As organizações podem promover o desenvolvimento gerencial por meio de:

- Treinamentos
- Incentivar autonomia de decisão
- Delegar responsabilidades
- Avaliação de desempenho 

O profissional também pode procurar desenvolver sua capacidade gerencial e de liderança através de:

- Autoconhecimento
- Comunicação oral e escrita
- Assumir responsabilidades

As habilidades gerenciais requeridas são:
- Planejamento e organização
- Julgamento
- Comunicação oral e escrita
- Persuasão
- Percepção auditiva
- Motivação
- Liderança

Uma das vantagens do desenvolvimento gerencial é ter gestores treinados e alinhados aos objetivos estratégicos da empresa tendem a se comportar com mais compromisso e colaboração, gerando resultados positivos para organização com criatividade, inovação e sinergia

Para concluir, podemos dizer que Gerenciar é um termo de conotação administrativa, na qual os conhecimentos, técnicas e habilidades são amplamente aplicados em uma organização. No entanto, em um ambiente complexo e competitivo, desenvolver habilidades gerenciais vai muito além de seus aspectos técnicos. A liderança, quando bem desenvolvida, atrai para si os colaboradores que atuam com base em exemplos e ações de seus gestores, motivados a levar o desenvolvimento e a obtenção de resultados positivos para organização.

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

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