Inteligência emocional em uma "era digital"

O texto aborda uma visão crítica acerca do conceito de inteligência emocional contextualizando-o na chamada "era digital".

É importante ressaltar que existem na literatura
importantes considerações acadêmicas no que tange à conceituação do termo
"Inteligência", contudo faz-se necessário um aprofundamento
contextualizado do assunto e com embasamentos consistentes para evitar a
banalização do termo.

É sabido que o autor Howard Gardner desenvolveu a
teria de múltiplas inteligências, as quais são utilizadas como fonte de
pesquisa e estudo até os dias de hoje. Conforme CHIAVENATO (2010), Gardner
desenvolveu a respectiva teoria para facilitar o trabalho de orientação e
seleção de pessoal, são elas:

1. Loógico-matemática: consiste na facilidade de
pensar de maneira lógica, indutiva ou mesmo dedutiva, reconhecer padrões
geométricos ou numéricos, lidar com números ou elementos matemáticos ou padrões
lógicos.

2. Verbal ou comunicativo-linguistica: é a
habilidade quanto a aquisição, formação e processamento da linguagem,
facilidade para lidar com palavras e línguas, escritas ou faladas, de maneira
simbólica ou abstrata.

3. Musical: facilidade para lidar com sons,
ritmos e harmonia, para criar ou interpretar música.

4. Espacial: facilidade para perceber imagens e lidar
com conceitos espaciais e geométricos.

5. Corporal-cinestésica facilidade para lidar com
lidar com o próprio corpo e manifestar-se através de expressões e movimentos
corporais.

6. Interpessoal: facilidade para compreender e se
comunicar com os outros e facilitar relacionamentos e processos grupais.

7. Intrapessoal facilidade em lidar com os
próprios sentimentos e pensamentos, bem como com atividades introspectivas e de
ideação.

8. Pictográfica: habilidade de transmitir
mensagens através de desenhos.

9. Naturalista e existencialista: é a
sensibilidade quanto a natureza e ao meio ambiente.

As inteligências elencadas acima estão descritas
de forma resumida.

Este breve artigo poderia contemplar outros
autores e seus estudos como a teoria Multifatorial de Thurstone na qual é abordado
o conceito de aptidões, sobretudo teorias acerca do fator G (Inteligência
Geral) etc. No entanto, interessa neste momento uma reflexão acerca da Inteligência
Emocional e seus atravessamentos da "era digital".

Conforme aponta Roberts
RD, Flores-Mendonza CE, Nascimento E. (2002), inteligência emocional
está em fase de construção e suas medidas precisam ser refinadas.

Ainda, nesse mesmo artigo, pag. 87, percebe-se
que o psicólogo - Bar-On (1997) - apresentou comercialmente um inventário contemplando
15 subtestes que avalia cinco dimensões de ordem superior:

1. Habilidade Intrapessoal:
autoconsciênciaemocional, assertividade, autoconsideração,auto-realização e
independência. 2. Habilidade Interpessoal: empatia, relacionamentointerpessoal
e responsabilidade social.  3. Adaptação: resolução de problemas, teste
derealidade e flexibilidade. 4. Gerenciamento de estresse: tolerância
aoestresse e controle do impulso .5. Humor geral: felicidade e otimismo.

Levando em consideração tais dimensões,
observa-se que habilidade intrapessoal e interpessoal também são retomadas
assim como na teoria das múltiplas inteligências Gardner. Ou seja, as
habilidades de cunho social são evidentes em ambos os autores.

É notória a adesão "precoce" aos
dispositivos eletrônicos no cotidiano de jovens e adolescentes. De acordo com
MICHELE (2012): As Gerações podem ser definidas como um grupo de indivíduos
nascidos na mesma época, influenciados por um contexto histórico e que causam
impacto à sociedade no que diz respeito à evolução. Cada geração possui
características que estão diretamente ligadas ao seu comportamento, costumes e
valores. Para entendermos melhor cada geração é importante que confiramos as
suas características e seu impacto no ambiente organizacional. (MICHELE, 2012).


Levando em consideração o contexto histórico em
que os costumes e uso de dispositivos eletrônicos têm tomado espaço de forma
significativa o cotidiano de jovens e adolescentes, falar-se-ia em tempos
vindouros em inteligência emocional com a importância que lhe é atribuída no
séc. XX considerando as habilidades inter e intra-pessoais?  

Pode-se inferir que a chamada "inteligencia
emocional" deve ser considerada em seus aspectos sociais, culturais e
históricos.  

 

Referências

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 3.ed.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

MICHELE, Roberta. As gerações e suas
características. [online]. Dezembro 2012. Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/academico/as-geracoes-e-suascaracteristicas/67890/

Roberts RD, Flores-Mendonza CE, Nascimento E.
Inteligência emocional: um constructo científico? Paidéia 2002, 77-92.

 

 

 

 

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Tags: Era digital Gerações Inteligência Emocional