O que significa ser um administrador ético nos dias atuais

O presente estudo expõe a ética do administrador diante do atual panorama contemporâneo, priorizando o equilíbrio entre a rentabilidade econômica e as repercussões sociais a cerca da reputação moral e os princípios deste profissional. Afinal, quais são as prioridades? Ter ou ser?

Administrar uma empresa é assumir desafios contínuos. Para os profissionais da área de gestão, é crucial as atenções para os fatores macro ambientais, os quais envolvem, principalmente, o ordenamento jurídico vigente com suas leis positivadas no cumprimento de deveres na ordem civil.

É imperativo frisar que a economia, devido às questões de crises políticas, no cenário brasileiro, afetou toda a cadeia de consumo elevando preços, taxas de juros, aumento de inadimplência, e principalmente, a falta de credibilidade no âmbito público.

Diante de um mercado inibido e com escândalos de corrupção, como um administrador deve ostentar credibilidade e confiança para seu público alvo? Em face de tal indagação, a postura correta e digna para inspirar clientes, potenciais compradores, colaboradores e a comunidade, a resposta é simples: ser verdadeiro e honesto.

A moral e ética são constitucionais para a sobrevivência organizacional. Então, ao salientar a moral e ética, tradicionalmente, ao longo da história, ocorre o seguinte questionamento: “nem tudo o que é moral é ético, mas nem tudo que é ético é moral”. Neste paradigma, os empreendedores, incondicionalmente, em sua capacidade racional, lançam mão de orientações de ações com o propósito de atingir o alvo da moralidade. Neste contexto, Aristóteles, define como a justa medida; meio termo; equilíbrio no regimento das operações corporativas.

A ética meramente é ação. É a maneira de assentar em prática os valores morais. Por tanto, é a forma dos administradores externarem a moral em atos. Assim, tudo depende das regras pessoais que guiam a partir de fatos, momentos, tempo e espaço.

Qual o objetivo de uma empresa? Todos sabem que é produzir lucros por meio de recursos materiais e intelectuais empregados para conceber resultados rentáveis visando à expansão de suas atividades. Contudo, uma organização, como a própria designação sugere, é um organismo, semelhante ao corpo humano, composto de partes e órgãos vitais para que seu funcionamento seja profícuo.

Não se cria uma firma só por criar, porque um estabelecimento é um instrumento de construção de um objetivo aspirando evoluir na assimilação de conhecimentos, tecnologias, pesquisas e valorização da equipe. Somente assim, com efeito, é obtido o ajuntamento de capitais tangíveis, quanto os intangíveis.

Na atual conjuntura contemporânea, as cobranças mercadológicas diariamente notificam as entidades. Em vista disso, os gestores perante as situações desafiadoras, necessitam estar aptos para as devidas respostas e justificativas de seus atos, visto que o processo de comunicação ocorre em tempo real (instantâneo) e de vasta abrangência. E qualquer ato falho lesa seriamente a reputação de tais profissionais.

A grande missão dos administradores é prezar pela harmonia e mediação com seus Stakeholders. A conciliação e arbitragem proporcionam o caminho mais adequado para que projetos saiam do papel instituindo forma de eficácia louvavel.

O comportamento ético das empresas, configurando-se no comportamento ético de seus dirigentes, acarreta um impacto não somente dentro da própria corporação, como também no comportamento da sociedade como um todo.

Por conseguinte, os administradores, como integrantes da área de ciências sociais aplicadas, têm o direito e dever de assumir sua função de agentes políticos de mudanças, com atitude crítica e fiscalizadora, valorizar, acima de tudo, as pessoas mais do que as coisas. Afinal, as pessoas não são peças, e sim, corpo, mente e alma. E a essência de uma organização são as pessoas que ali estão inseridas, são elas que de fato representam a vida. Ser administrador ético é valorizar o ser e não o ter.

 

REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Política. Tradução de Torrieri Guimarães. São Paulo: Martin Claret, 2002.

BOBBIO, Norberto. Direito e estado no pensamento de Emmanuel Kant. Tradução de Alfredo Fait. 4ª. ed. Brasília: UNB, 1997. Disponível em http://www.ambito-jurídico.com.br/. Acesso em 11 mar. 2018.

HITT, Michael A.; IRELAND, Duane R.; HOSKISSON, Robert E. Administração estratégica: competitividade e globalização. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Tradução de Marijane Lisboa e Luiz Barros Montez. Rio de Janeiro: Contraponto; Ed. PUC-RIO, 2006.

PORTER, Michael E. Estratégia competitiva: técnica para análise de indústrias e da concorrência. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

 

 

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