Política de crédito como estratégia para reduzir a inadimplência

Os processos de estratégias de política de crédito já constituíram objeto de estudo de diversas pesquisas, porém, para cada estudo um problema e um segmento diferente. Assim, por meio de referencial teórico, esse estudo procurou apresentar estratégias de política de credito, visando à consequente redução dos riscos de inadimplência e ao seu aprimoramento. O objetivo geral deste estudo consiste em analisar a política de crédito com o propósito de diminuir o índice de inadimplência nos supermercados na cidade de Santa Quitéria/CE. O método de pesquisa utilizado é o estudo exploratório e qualitativo, sendo os dados coletados por meio de entrevistas composta por sete questões. Os resultados alcançados permitem evidenciar que tanto a política de crédito quanto a análise e concessão de crédito na empresa são adotadas. Contudo, é possível perceber a existência de algumas dificuldades, as quais são descritas neste trabalho. Pode-se considerar que o objetivo proposto para este trabalho foi alcançado de forma satisfatória.

1 Introdução

As empresas encontram-se inseridas em um cenário de concorrência acirrada, buscando melhores práticas para conquistar e fidelizar clientes, a fim de se manterem atuantes no mercado. Buscando resolver às necessidades do mercado e maximizar os lucros das organizações, uma alternativa possível é aumentar o faturamento, o que leva ao crescimento na permissão de crédito e, consequentemente, a exposição maior ao risco da operação.
Matias (2012) afirma que quando uma empresa decide conceder um crédito para seus clientes, inicialmente ela precisa definir os métodos que deverão ser seguidos para assim poder conceder esse crédito. Deve saber como vai acompanhar e controlar as contas a receber e logo como deverá ser feita a cobrança.
Desse modo, a política de crédito e cobrança são ferramentas imprescindíveis para garantir a saúde financeira da empresa, com o mínimo de perdas por inadimplência. Algumas empresas, com o intuito de aumentar as vendas flexibilizam em excesso os critérios para a concessão de crédito, favorecendo o surgimento de contas incobráveis. Ao contrário, se a empresa adota uma política de crédito muito rigorosa, terá menor risco de não receber, mas reduzirá a possibilidade de fechamento de negócios. O ideal é haver um equilíbrio entre a rigidez e a flexibilidade na concessão de crédito, para obter aumento nas vendas, com baixo risco de inadimplência.
Para Santos (2011) a partir da concessão de crédito, deve-se acompanhar continuamente como o cliente vem efetuando seus pagamentos, a fim de investigar se ocorreram registros de restrições que possam afetar sua capacidade de pagamento, e em certos casos, fazer com que clientes idôneos se tornem inadimplentes. Diante do exposto tem-se a seguinte questão problema: De que forma pode-se melhorar a análise de crédito com o propósito de diminuir o índice de inadimplência nos supermercados quiteriense? Para tanto se definiu como objetivo geral deste estudo analisar a política de crédito com o propósito de diminuir o índice de inadimplência nos supermercados na cidade de Santa Quitéria/CE.
O trabalho é composto por referencial teórico, onde foi realizado um aprofundamento sobre política de crédito no Brasil e quais estratégias competitivas são utilizadas para essas empresas se manterem no mercado, seguidamente da metodologia de pesquisa, apresentação e discussão dos resultados e das considerações finais.
A expectativa é que essa pesquisa possa ajudar o público investigado a entender melhor o cenário em seu entorno, servindo de base para aperfeiçoamento das estratégias e ampliação da percepção sobre seus concorrentes, visto que todos estão inseridos no mesmo espaço.


2 Estratégias de política de crédito em pequenas empresas

A política de crédito é uma estratégia usada pelas empresas para firmar padrões que será utilizada para conhecer detalhadamente os seus clientes, como uma forma de segurança para a empresa, usando vários métodos para determinar os clientes que merecem receber crédito. Políticas de crédito são a base da administração de valores a receber, pois é através dela que é realizada a forma de como conceder os créditos, é a política de crédito que defini os padrões de crédito, riscos, prazos. (Lemes Junior; Rigo; Cherobim, 2010)
A partir do momento que a empresa trabalha com a concessão de crédito, obtém clientes com vários perfis. Nesse momento, observa-se a necessidade de uma política de crédito no qual possibilite assegurar que a empresa receba futuramente o crédito concedido (MARIANI, 2008).
Uma política de crédito ideal é aquela capaz de aumentar o volume de vendas, com o mínimo de inadimplência, para isso existem alguns métodos teóricos capazes de otimizar a política de crédito, mas para um máximo aproveitamento destes métodos é necessário que a empresa conheça a probabilidade de perda com dívidas incobráveis. Sendo que quanto melhor for a situação financeira em que a empresa se encontra, melhor será sua política de crédito, aproveitando o ganho de mercado. Santos (2001)
Sanvicente (1997) afirma que uma política de crédito menos liberal que signifique restrições de prazos ou critérios de seleção de clientes mais rigorosos pode levar a uma redução dos saldos em contas a receber, diminuindo os custos incorridos pela empresa. Consequentemente, pode aumentar o seu lucro desde que não haja uma redução de vendas e lucros que contrabalance o benefício obtido com a redução do investimento. Hoji (2000) completa afirmando que uma política de crédito liberal aumenta o volume de vendas muito mais do que uma política rígida, porém gera mais investimento em contas a receber e mais problemas de recebimento, o que exige maior rigidez na cobrança.
Para Assaf Neto (2003), o estabelecimento de uma política geral de crédito envolve a divisão em quatro variáveis, apresentados no Quadro 1.

 

Quadro 1 – Elementos que compõem a política de crédito
Elementos Descrição
Padrões de Crédito Os padrões de crédito definem essencialmente os instrumentos de crédito e as exigências mínimas de garantias para concessão do crédito a um cliente. A medida que a empresa afrouxa os padrões de crédito, aumenta a chance (risco) de uma conta a receber tornar-se incobrável, afetando o lucro de forma negativa.
Prazo de Crédito Refere-se ao período de tempo que a empresa concede a seus clientes para pagamento das compras realizadas. Esse prazo normalmente é medido em número de dias representativo do mês comercial (30 dias; 60 dias etc.), sendo normalmente contado a partir da data de emissão da fatura representativa da operação comercial realizada ou a partir do fim do mês em que se efetua a venda.
Concessão de Desconto O desconto nada mais é do que o abatimento no preço de venda efetuado quando os pagamentos das compras são realizados a vista ou em prazo bem curtos. A política de descontos financeiros afeta importantes variáveis que atuam na formação do lucro da empresa. Pode alterar as vendas, margens de lucros, volume de capital investido em contas a receber e inadimplência.
Política de Cobrança Tem por objetivo definir os critérios e procedimentos possíveis de ser adotados por uma empresa, visando ao recebimento, na data de seus vencimentos, dos diversos valores a receber.
Fonte: Elaborado pelos autores Neto e Lima, com base em Assaf Neto (2009).

Diante do quadro, pode-se constatar que a base para a empresa conseguir realizar boa administração é possuir sua política de crédito definida e com os padrões desejados fixados, inibindo, com isso, evitando problemas futuros com a falta de pagamento.


3 Concessão de crédito

A concessão de crédito é a forma que a empresa facilita a venda para o cliente. Esta facilidade possibilita acesso a bens e serviços que não seria adquirido ou demorariam a ser pelo cliente. Para saber as condições de pagamento do cliente é de muita importância a análise de crédito, que é o momento em que, as informações do interessado em adquirir crédito são avaliadas em relação ao risco e a capacidade do endividamento da pessoa que a empresa concederá o crédito. 

Para Assaf Neto e Silva (2010) define que a concessão de crédito é uma resposta individual da empresa a cada cliente. Se o cliente satisfazer as condições mínimas preestabelecidas pela empresa, poderá existir financiamento por parte da empresa para sua compra.
O objetivo de uma análise de crédito, segundo Santos (2006), consiste em averiguar se o cliente possui idoneidade e capacidade financeira para amortizar a dívida. Assim, ainda a análise de crédito como uma técnica de previsão que permite à empresa vendedora estimular a capacidade de pagamento em curto prazo do pretendente ao crédito. A utilização da análise de crédito é justificada pelo fato de que apenas a análise cadastral é suficiente para avaliar a capacidade de pagamento do pretendente.
Schrickell (2000) define o crédito como sendo o ato de alguém ceder temporariamente a terceiros parte de seu patrimônio, com o intuito de receber integralmente num prazo determinado. Este patrimônio pode ser em dinheiro, ou bens. Sendo que a análise de crédito seja essencial dentro de uma empresa, pois antes de conceder o crédito se faz necessário conhecer todos os riscos que podem ocorrer.
Assaf Neto (2003), afirma que uma fase importante para a tomada de decisão no processo de liberação de crédito é a análise econômico-financeira, que permite verificar como a administração da empresa conduziu os negócios ao longo do tempo. Nesse sentido, a análise das demonstrações financeiras visa a avaliar o desempenho econômico-financeiro de uma empresa em determinado momento do passado, com o objetivo de avaliar os reflexos das decisões tomadas sobre a sua liquidez, estrutura patrimonial e rentabilidade.
Silva (2010) relata que a decisão de conceder crédito pode ser entendida como uma escolha entre alternativas. Contudo, o gestor precisa ter boa visão em relação aos clientes, ao lucro adicional com o aumento das vendas, ao acréscimo de incobráveis devido à má seleção dos devedores e à elevação do investimento em contas a receber e estoque, além do comportamento do mercado, a fim de que, diante de uma proposta de negócio, possa comparar o custo de conceder ou de negar a operação.
No cadastro de pessoa física deve conter dados de identificação pessoal, como nome, filiação, idade, estado civil, número de filhos, endereços, posses, telefone, dados profissionais, salário, renda familiar, tempo de serviço, volume de compras, incidências de atrasos, entre outros. (TOFOLI, 2008).
A política de crédito fixa os parâmetros da empresa, nos quais constarão os elementos fundamentais para a concessão, o monitoramento e a cobrança do crédito, o que representa aspecto relevante e contribui na tentativa da maximização da riqueza dos acionistas, além de orientar as decisões de crédito, conforme os objetivos desejados e estabelecidos (ASSAF NETO; SILVA, 2002; SILVA, 1988).


4 Inadimplência em pequenas empresas

Inadimplência é quando o cliente não cumpre com suas obrigações, ou mesmo não consegue honrar com suas obrigações de acordo com o termo pactuado em um contrato. Por muitas vezes, mesmo que a empresa tenha tomado todas as precauções necessárias na hora de liberar crédito a um cliente, pode acontecer de o mesmo não cumprir com o que foi acordado, assim a empresa deve procurar, junto ao cliente saber o que aconteceu e tomar as devidas providencias em relação à cobrança. Berni (1999)
Os empresários bem preparados, devem ter a consciência que a inadimplência pode ser evitada, antes mesmo de efetuar a venda, ações preventivas são bem simples. A prevenção torna-se um caminho a fim de evitar o problema com a inadimplência. Entretanto, prevenir a inadimplência não uma tarefa tão fácil quanto se imagina, mas que pode se tornar pratica na medida em que os procedimentos de segurança e de atenção ao cliente se tornarem mais habituais. Martin (1997)
Conforme Ângelo e Silveira (2000), o termo inadimplência refere-se ao devedor que inadimple, que não cumpre no termo convencionado suas obrigações contratuais. De acordo com essa definição, qualquer atraso, mesmo que por um dia, colocaria o consumidor na condição de inadimplente. Entretanto, as empresas e as instituições possuem créditos próprios para considerar uma pessoa inadimplente. Contudo, “a inadimplência se dá de várias formas, não só em pagamentos de carnês e crediário, mais também em cheques devolvidos por falta de fundos, onde também causam um sério problema na empresa com a inadimplência”.
Santos (2006) menciona que, a determinação do risco de inadimplência constitui-se em uma das principais preocupações dos credores, tendo em vista relacionar-se com a ocorrência de perdas financeiras que poderão prejudicar a liquidez (capacidade de honrar dívidas com os supridores de capital) e a capacidade de recursos nos mercados financeiros e de capitais.
Para Tófoli (2008), a inadimplência é caracterizada como um descumprimento de uma dívida contraída anteriormente e os procedimentos mais comuns que auxiliam na elevação do índice da inadimplência são: as vendas a prazo sem critérios de concessão, dilatação no prazo concedido, não gerenciamento das listas de valores a receber, cobrança ineficiente, cadastro inadequado e sem atualizações. Logo, pelo lado do cliente os requisitos que facilitam o aumento da inadimplência são: as compras realizadas por impulso e sem planejamento prévio, desemprego, problemas familiares, doença, falta de cobrança e má fé.
Como conclusão, para Olivato & Souza (2007) a inadimplência representa a situação mais grave de dívida, diz respeito ao fato de um indivíduo contrair um montante tão elevado de dívida que ultrapasse suas condições de pagamento e assim os prazos pré-estabelecidos não sejam cumpridos. Dessa forma, Ruberto, Vieira, Bender Filho & Silveira (2013) completa concluindo que a inadimplência é consequência natural do processo de endividamento indiscriminado.


3 Metodologia

Em relação a pesquisa, este estudo pode ser classificado como exploratório, que visa aprofundar os conceitos iniciais sobre determinado tema e a fornecer dados sobre a situação que o pesquisador está investigando, para conseguir compreendê-lo melhor (BEUREN, 2006; MALHOTRA, 2001; MATTAR, 2001). Quanto à natureza de abordagem, a pesquisa é qualitativa, que se caracteriza por ser uma descrição analítica, que não é medida nem contada, e permite análises mais profundas em relação ao tema estudado (BEUREN, 2006; FACHIN, 2003). Além disso, a presente pesquisa será bibliográfica. A pesquisa bibliográfica representa uma fonte indispensável de informação e permite a reunião dos principais trabalhos já realizados sobre o assunto (MARCONI; LAKATOS, 2010).
Nesta pesquisa, a unidade de análise compreende o setor de crédito e cobrança dos cinco maiores supermercados da cidade de Santa Quitéria-CE, segundo dados da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) que é composto, normalmente, pelo empresário.
A coleta de dados será realizada, por meio da aplicação de entrevista (apêndice A) aos gestores, desenvolvido por meio de questões abertas semiestruturada e composta por sete questões. Esta entrevista foi elaborada com base em dois outros instrumentos já validados em estudos anteriores dos autores Schneiders (2014) e Bueno (2015) e divididas pelas seguintes categorias: Estratégias de política de crédito em pequenas empresas; Concessão de crédito; Inadimplência em pequenas empresas. Após a coleta, os dados foram realizados pela técnica de categorização de dados e a análise dos dados da-se a partir da interpretação dos resultados por meio da analise de conteúdo.


4 Resultados e análise dos dados

Nesta seção serão analisados e descritos os resultados obtidos nas entrevistas, através de categorização de dados conforme descrito na metodologia desse estudo. A entrevista foi realizada com os gestores dos supermercados da cidade de Santa Quitéria – CE. Os resultados desta pesquisa foram divididos em três categorias, sendo a Categoria 1: Estratégias de política de crédito em pequanas empresas; Categoria 2: Concessão de crédito; Categoria 3: Inadimplência em pequenas empresas
Na primeira categoria refere-se as estratégias de políticas de crédito em pequenas empresas, onde foram questionados como é feita a política de crédito da empresa, se ela possui um sistema informatizado, onde é feito o cadastro do cliente e quais informações necessárias, como resposta, o gestor da empresa A afirma que como Santa Quitéria é uma cidade pequena, ele não é muito criterioso em relação a política de crédito, pois ele considera que conhece muita gente e a maioria dos seus clientes que abrem crédito no supermercado são seus conhecidos. A única forma de cadastrar o cliente é preenchendo uma nota promissória com o nome, o endereço e a assinatura do cliente.
Blatt (1999) diz que o cadastro é um dos instrumentos mais eficazes para análise de crédito do cliente, sendo este um conjunto de informações que irão auxiliar no processo decisório de crédito. E, para isto, é importante manter o cadastro do cliente sempre atualizado, pois quanto mais atualizado estiver o cadastro, melhor será para o analista de crédito no momento de conceder crédito ao cliente. Silva (2008) completa salientando que o cadastro de um cliente é um instrumento valioso, que deve conter informações necessárias e importantes que irão auxiliar na análise e decisão de crédito.
O gestor da empresa B afirmou que o seu supermercado é considerado o menor preço da cidade, assim, é o mais procurado pela a população. Logo, ele diz que para ser controlado, é preciso que a política de crédito seja rígida, evitando inadimplentes. Para o cliente abrir um crédito, a empresa possui um sistema moderno de cadastro que solicita documentos (RG e CPF), comprovante de endereço e profissão. Apresentando o seguinte relato:

Nos utilizamos o método de política de crédito considerado rígido, comparado aos outros supermercados, porém, somos considerados também o menor preço da cidade. Por isso, não tive medo de perder clientes por causa dessa nova política de crédito. Investi em um sistema bem moderno para que seja feito um cadastro completo do cliente com os documentos (RG e CPF), comprovante de endereço e renda.

As empresas C, D e E tem o mesmo padrão de política de crédito, são um pouco mais criteriosas do que a A e menos que a empresa B. Não possuem sistema informatizado e o cadastro do cliente é feito manual por meio de nota promissória toda preenchida com nome completo, endereço, data de vencimento, CPF, RG e a assinatura do cliente.
Conforme Blatt (1999), as políticas de crédito definem questões de gerenciamento de crédito dentro das organizações, e estas devem ser bem gerenciadas. A fim de evitar perda de capital, toda e qualquer organização deve manter uma política de crédito bem estruturada. Santos (2001) acrescenta que uma política de crédito ideal, é aquela que faz aumentar as vendas da empresa, com o mínimo de inadimplência.
Quando perguntados se é realizada alguma consulta junto a órgãos de proteção ao crédito, todos os gestores responderam que tem acesso a consultas ao SPC e SERASA, porém, o gestor da empresa A disse que só utiliza o serviço quando o cliente é desconhecido e quando o valor do crédito é alto. Os gestores das empresas B, C, D e E afirmam que sempre usam o serviço no cadastro de um novo cliente.
E então na segunda categoria tento entender a concessão de crédito de cada empresa e primeiramente pergunto a importância da análise e concessão de crédito para a empresa e se esses métodos utilizados estão sendo satisfatórios. O gestor da empresa A diz que tem consciência de que para conceder um crédito a um cliente tem que ser bastante rígido, analisando o CPF, preencher todos os dados do cliente, pois, caso o cliente se torne um inadimplente é possível negativar. Mas ele afirma que não utiliza esses métodos, pois não tem tempo de preencher os dados dos novos clientes, apenas ele é o responsável por toda a parte administrativa do supermercado e ainda fica no caixa, além de que, muitos clientes preferem comprar no seu supermercado pela a facilidade de compra. Assim, ele diz que já teve muito prejuízo com esse método de concessão de crédito, mas tem bastante clientes que lhe dá lucro, por isso é satisfatório. Apresentando o seguinte relato:

É muito bom analisar o CPF do cliente, não importa se é um novo cliente ou não, preencher todos os dados importantes. Porque caso eles não paguem, temos os principais dados para negativar e assim fica mais fácil deles procurarem resolver a dívida. Mas eu não tenho tempo para isso, cuido de toda a parte administrativa e ainda fico no caixa diariamente.

De acordo com Oliveira (2010), os procedimentos de análise de risco na concessão de crédito aumentaram devido o aumento das transações de créditos, da necessidade de acompanhamento na gestão de recebíveis e da incapacidade das organizações saldar suas próprias dívidas. A política de cobrança tem a intenção de transformar as vendas alcançadas em recebimentos. A empresa dever ser cautelosa quanto aos seus gastos com instrumentos de cobrança, pois eles não devem ser maiores que os seus recebíveis
O gestor da empresa B fala sobre a importância da análise e concessão de crédito como uma forma de evitar clientes inadimplentes. Ele diz que fez um grande investimento com treinamento de funcionários e compra de um sistema moderno para que o cliente seja bem avaliados antes de conceder o crédito. Depois que implantou esse método mais rígido, o gestor notou a diferença do número de inadimplentes bem menor. Para o gestor da empresa D é muito importante analisar antes de conceder o crédito para o cliente, ele diz que mesmo tendo todo o cuidado de conhecer o “currículo” do cliente, não está adiantando muito. Para ele, seu método não está sendo satisfatório, o número de devedores ainda é grande. Já os gestores das empresas C e E deram uma resposta parecida, afirmaram que estão satisfeitos com os métodos utilizados para concessão de crédito, que apesar da empresa possuir toda essa política de crédito os clientes não deixam de comprar em seus supermercados e o número de inadimplentes diminuíram bastante.
Santos (2001) diz que, se a empresa adotar uma política de crédito liberal, conseguirá maior volume de vendas á custa de maior risco de inadimplência. Ao contrário, uma política de crédito restritiva trará baixo risco de inadimplência, mas reduzirá as vendas.
Os gestores também foram questionados sobre a existência de um padrão para definir o limite de crédito para cada cliente, de acordo com as informações que foram fornecidas e se este limite é definido por meio do sistema informatizado ou é manual. As empresas A, C, e E tem o mesmo padrão, nenhuma limitam o crédito para o cliente, mas caso o cliente esteja com alguma pendencia o mesmo é bloqueado a efetuar novas compras. Já a empresa B limita um determinado valor para cada cliente assim que é realizado o cadastro, esse limite é dado através do sistema informatizado. Logo, de acordo com a frequência de compra do cliente e o comprometimento de efetuar os pagamentos no prazo, esse limite vai aumentando. O gestor da empresa D diz que a maioria de seus clientes são pessoas que recebem bolsa família, então o limite de compra para eles é determinado pelo o valor da bolsa, no caso, R$85,00. Para os demais clientes, não tem limite de crédito, até porque são bem controlados em suas compras.
De acordo com a literatura, Schrickel (1998) destaca que o limite de crédito é uma ferramenta operacional para a instituição, este denomina o valor total do risco que a empresa quer assumir. Santos (2001) ainda salienta que estabelecer limite de crédito para um cliente reduz o risco com possível inadimplência.
E por último, a terceira categoria fala sobre inadimplência nas pequenas empresas, onde os gestores foram indagados em que momento o cliente passa a ser considerado como inadimplente, se a empresa tem conhecimento do seu percentual de inadimplência e qual o procedimento adotado quando um cliente se torna inadimplente. O gestor da empresa A disse que o cliente é considerado inadimplente quando passa 60 dias após a data de vencimento sem prestar nenhuma satisfação. Logo, o procedimento adotado para tentar recuperar é a cobrança no endereço do cliente. O percentual de inadimplentes na empresa é de aproximadamente 25% do total de clientes cadastrados. Já o gestor da empresa B diz que o prazo máximo para efetuar o pagamento é de 30 dias após o vencimento, depois disso o procedimento é cobrar o cliente no endereço ou por telefone, dando mais um prazo de 10 dias, depois disso, se o cliente não for quitar a dívida, já vai ser negativado no SPC. A empresa tem um percentual de inadimplentes aproximadamente de 5% do total de clientes cadastrados no novo sistema.
Santos (2000) afirma que a carta é enviada quando o cliente está com alguns dias de atraso, somente para lembrar que existe um débito e a empresa aguarda uma resposta do pagamento. Caso ele não se manifestar em um determinado período, será enviada uma segunda carta mais rigorosa.
Os Telefonemas são feitos quando a carta não tem resultado de recebimento, neste caso, pode-se entrar em contato com o cliente negociando um novo prazo para que ele faça o pagamento além de comentar que no caso de o pagamento não se realizar neste novo período, a cobrança será enviada para o departamento jurídico. (Santos, 2000).
O gestor da empresa C diz que quando passa 90 dias do prazo de vencimento e o cliente não efetuou nenhum pagamento, o mesmo passa a ser negativado no SPC. O percentual de inadimplência da empresa está em torno de 15%. Já a empresa D considera um cliente inadimplente quando o pagamento está em atraso por 40 dias após o vencimento, depois disso, o cobrador vai até o endereço do cliente. O gestor afirma que normalmente a cobrança porta a porta já resolve e o cliente vai efetuar o pagamento, mas quando isso não acontece é negativado. O percentual de inadimplência da empresa é de aproximadamente 20% do total de clientes cadastrados.
Por fim, o gestor da empresa E afirma que sem dúvida um cliente é considerado inadimplente quando não efetua o pagamento no prazo estabelecido, mas a sua empresa não estabelece um determinado tanto de dias após o vencimento para começar a cobrar. Ele diz que insiste bastante na cobrança por telefone ou no endereço do cliente, pois para negativar um cliente gera custo um pouco alto e ainda corre o risco de não receber o pagamento, pois muitas pessoas não se importam se o nome está negativado ou não. Logo, ele diz que o percentual de inadimplência da empresa, está aproximadamente 20% do número total de clientes cadastrados.
Visitas pessoais são feitas quando a empresa quer localizar o cliente para tentar fazer uma renegociação. Na maioria dos casos, isso não é possível pelo fato de não haver as informações necessárias ou o cadastro do cliente estar desatualizado. (Santos, 2000).
Blatt (1999) afirma que a negativação consiste na inclusão do nome e dos dados devedores na lista de clientes inadimplentes. Assim, com o nome negativado o cliente se sente na obrigação de pagar a dívida, sendo que não obterá crédito em mais nenhum lugar com outros credores.
Para Berni (1999), inadimplente é o que não cumpre suas obrigações, ou que não consegue honrar os termos pactuados num contrato. Infelizmente, mesmo sendo tomadas todas as precauções, muitas vezes é inevitável que ocorra a falta de pagamento. Diante disso, Martin (1997) ressalta que é necessário verificar as consequências do eventual não recebimento e as alternativas para resolver o impasse, mantendo a calma e agindo racionalmente, evitando aborrecimentos e desgaste emocional.


7 Considerações finais

Considerando que o objetivo foi de apresentar sugestões de melhorias para a análise de crédito com o propósito de diminuir o índice de inadimplência nos supermercados na cidade de Santa Quitéria/CE., percebe-se que o mesmo foi alcançado de forma satisfatória.
Diante das informações coletadas através da pesquisa percebeu-se que grande parte dos gestores desconhecem os benefícios de uma política de crédito, mediante a isso, torna-se necessário que fossem elaboradas estratégias para conscientizar esses gestores e assim torná-los aptos a praticar uma análise de crédito correta. Sugere-se como melhoria a utilização de sistemas informatizados de cadastro e análise de crédito como instrumento necessário para dar suporte a uma eficiente análise de crédito e posteriormente uma melhor execução de cobrança para o bom funcionamento do processo de concessão e recuperação de crédito conforme o referencial teórico demostra a importância dessas práticas.
A pesquisa procurou apresentar por meio do referencial teórico estratégias de política de crédito aplicáveis às pequenas empresas, discorrendo acerca dos métodos de aplicação das mesmas. Dessa forma, o trabalho tem intuito que os leitores ou gestores possam utilizar em suas empresas, com ganhos de agilidade, segurança e minimização dos riscos de inadimplência.
Observa-se que a partir do momento em que as empresas formalizarem uma política de crédito adequada e utilizar todos os métodos essências para a análise, a empresa reduzirá os riscos assumidos na liberação de crédito, onde diminuirá a inadimplência, evitando assim problemas financeiros ocasionados pelo não recebimento das vendas.
Como conclusão, mostra-se também necessário que sejam elaboradas mais pesquisas envolvendo o assunto exposto como uma pesquisa quantitativa envolvendo um maior número de respondentes, para que a literatura seja enriquecida com todo conhecimento ofertado e que cada vez mais estabelecimentos possam ficar a par dos benefícios que a política de crédito correta traz a empresa. Dessa forma, recomenda-se que a mesma possa ser aplicada em outros segmentos empresarias.


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Apêndice A
Entrevista aplicada aos gestores de cinco supermercados.
Esta pesquisa qualitativa tem como objetivo apresentar sugestões de melhorias para a análise de crédito com o propósito de diminuir o indice de inadimplência nos supermercados na cidade de santa quitéria – ce., a qual será utilizada para construção de estudo científico da faculdade luciano feijão.

1ª Categoria – estraégias de política de crédito em pequenas empresas

01 – Como é feita política de crédito da empresa? Ela possui um sistema informatizado, onde é feito o cadastro do cliente? Quais informações necessárias?

02 - É realizada alguma consulta junto a órgãos de proteção ao crédito?

2ª Categoria – concessão de crédito

03 - Qual a importância da análise e concessão de crédito para empresa? Os métodos utilizados estão sendo satisfatórios?

04 - Existe um padrão para definir o limite de crédito para cada cliente, de acordo com as informações que foram fornecidas? E este limite é definido por meio do sistema informatizado, ou é manual?

3ª Categoria – inadimplência em pequenas empresas

05 - A partir de que momento o cliente passa a ser considerado como inadimplente?
06 - A empresa tem conhecimento do seu percentual de inadimplência?
07 - Qual é o procedimento adotado quando um cliente se torna inadimplente?

 

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