Pressupostos sobre a pesquisa científica e teste piloto

A pesquisa científica pode ser considerada um estudo planejado realizado através de um determinado método de analise de um problema, uma investigação cientifica de um fato. A finalidade especifica de uma pesquisa cientifica e investigar, analisar é descobrir respostas para determinadas questões através da utilização de um método científico pré-determinado. Este artigo objetiva consolidar os principais pressupostos acerca do tema, sobre a ótica do conhecimento científico.

Andréa Cristina Marques de Araújo
Bacharel em administração-UNAMA;Especialista em Sistemas de Informação nas Organizações-CESUPA;Mestre em Ciência da Computação – UFSC; Doutoranda em Ciência da Informação – Universidade Fernando Pessoa – Porto/Portugal;andreacristinamaraujo@gmail.com

 

Luis Borges Gouveia

Professor Associado da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Fernando Pessoa – Porto/Portugal. Phd in Computer Science, University of Lancaster, UK. MSc in Electrical and Electronic Engineering, FEUP, PT. Lic in Informatics, Applied Maths, UFP, PT. Orientador e Coordenador do Programa de Doutoramento Ciência da Informação, Universidade Fernando Pessoa – PT. lmbg@ufp.edu.pt

 

A pesquisa científica pode ser considerada um estudo planejado realizado através de um determinado método de analise de um problema, uma investigação cientifica de um fato. A finalidade especifica de uma pesquisa cientifica e investigar, analisar é descobrir respostas para determinadas questões através da utilização de um método científico pré-determinado. Este artigo objetiva consolidar os principais pressupostos acerca do tema, sobre a ótica do conhecimento científico.

Pode-se dizer que a pesquisa científica surgiu há muito tempo, relatos encontrados na Bíblia, em livros da antiga Mesopotânia, em poemas épicos mostram que nas civilizações antigas já existiam questionamentos onde as descobertas se faziam por meio da observação, da análise e classificação dos fenômenos, onde mais tarde se acrescentaria a experimentação. Na medicina encontra-se nos relatos históricos, nos documentos antigos, descrição de conhecimentos da epoca, estes na maioria das vezes revelados por divindades. Além destes encontra-se tambem relatado o conhecimento transmitido por tradição histórica, este justificado somente pela observação empírica e pelo bom senso. Predominava na antiguidade o conhecimento divino. (GALLIAN, 2008)

No seculo VI os filósofos helênicos comecaram a dismistificar o conhecimento divino. Com os filósofos gregos surgiram o confronto sistemático do conhecimento e das tradições que possibilitou a geração de um método de análise, com isto, a ciencia adquire um novo significado. A partir deste ponto todo conhecimento é passível de exame, de uma nova crítica, para a formação de um conhecimento científico. (GALLIAN, 2008)

O conceito de pesquisa científica e bem amplo, Pedro Demo (1996, p. 39) narra que uma pesquisa pode ser considerada um “questionamento sistemático crítico e criativo, mais a intervenção competente na realidade, ou o diálogo crítico permanente com a realidade em sentido teórico e prático”. Para ele a pesquisa sempre fará parte de um problema, algo a ser descoberto, uma situação para qual não haja conhecimento disponível para uma resposta adequada.

Antonio Carlos Gil esclarece que “a pesquisa precisa ser fundamentada no estudo dos fatos que se utiliza do conhecimento como critério da verdade, é um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. (GIL, 1999, p. 51)

Na visão de Lakatos e Marconi (1996, p.15) a pesquisa científica é um conjunto de “ações que visam encontrar a solução para um problema utilizando-se de procedimentos racionais e sistemáticos. Ocorre sempre que se tem um problema e não se tem uma solução”, uma situação para o conhecimento disponível não consegue solucionar a questão, fornecer uma resposta adequada. Deste modo verifica-se que toda pesquisa baseia-se em uma teoria que serve conhecimento inicial para a investigação proposta.
No entanto, lembra Minayo, uma pesquisa científica pode levar ao desenvolvimento de novas teorias advindas do conhecimento inicial, com isto, para serem válidas, devem ser verificados e comprovados os fatos observados.

Uma pesquisa científica pode ser considerada uma atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados. (MINAYO, 1993, p. 31)

As pesquisas científicas podem ser classificadas de diversas formas, na visão de Gil (1999, p.91) esta classificação pode ser:

Pela natureza da pesquisa

• Pesquisa Básica: tem por objetivo gerar novos conhecimentos, envolve verdades e interesses considerados universais. A pesquisa básica não possui aplicação prática. (GIL, 1999)

• Pesquisa Aplicada: tem por objetivo gerar novos conhecimentos para uma determinada aplicação prática, é dirigida para encontrar soluções especificas para um problema. Esta pesquisa envolve verdades e interesses considerados locais. (GIL, 1999)

Pela natureza do problema

• Pesquisa Quantitativa: este tipo de pesquisa é utilizado para gerar medidas precisas e confiáveis que permitam uma análise estatística (percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.), considera que tudo pode ser quantificável. É apropriada para medir opiniões, atitudes e preferências como comportamentos. (GIL, 1999)

• Pesquisa Qualitativa: este tipo de pesquisa tem como objetivo principal interpretar o fenômeno que observa, ou seja, observar, descrever, compreender e significar o problema, ou seja, ela apresenta uma dinâmica que busca a melhoria dos processos e a interpretação dos fenômenos se faz pelos resultados encontrados, a partir da atribuição de significados colocados pelo pesquisador. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O pesquisador é considerado o instrumento-chave por analisar os dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem neste tipo de pesquisa. (GIL, 1999)

Pela natureza dos objetivos

• Pesquisa Exploratória: esta pesquisa tem por finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias para a formulação de abordagens posteriores, proporcionando um maior conhecimento para o pesquisador acerca do assunto, a fim de que esse possa formular problemas mais precisos ou criar hipóteses que possam ser pesquisadas por estudos posteriores. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão. Normalmente são utilizadas em pesquisas bibliográficas e estudos de caso. (GIL, 1999)

• Pesquisa Descritiva: tem por finalidade descrever as características de determinada população ou fenômeno, assim possibilitando o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados, questionário e observação sistemática. Normalmente são utilizadas em levantamentos. A pesquisa descritiva, tem a função de demonstrar através de dados analíticos o fenômeno estudado, com relação e conexão com outros, sua natureza e características. (GIL, 1999)

• Pesquisa Explicativa: tem por finalidade identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência de um determinado fenômenos. Seu objetivo é explicar a razão, o “porquê” do fenômeno estudado. Nas ciências naturais necessário se faz o uso do método experimental, já nas ciências sociais requer o uso do método observacional. Normalmente são utilizadas em pesquisa experimental e pesquisa expost-facto. (GIL, 1999)

Pela natureza dos procedimentos técnicos

• Pesquisa Bibliográfica: este tipo de pesquisa é elaborada a partir de material já publicado, livros, revistas, artigos e material disponibilizado na Internet, entre outras fontes. Este tipo de pesquisa explica um problema a partir de referenciais teóricos publicados em documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte da pesquisa descritiva ou experimental. Ambos os casos buscam conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema. (GIL, 1999)

• Pesquisa Documental: este tipo de pesquisa é elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico, documento de empresas, documentos governamentais, etc. Este tipo de pesquisa tem por finalidade estudar uma realidade presente trabalhando os dados ou fatos observáveis. Normalmente utiliza-se como instrumentos de coleta de dados a observação, entrevistas, questionário e o formulário. (GIL, 1999)

• Pesquisa Experimental: neste tipo de pesquisa determina-se um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que podem influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto do estudo. Sua principal característica é manipular diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo a fim de observar o que acontece com a dependente. A pesquisa experimental pretende dizer de que modo ou por que causas o fenômeno é produzido. (GIL, 1999)

• Levantamento: este tipo de pesquisa envolve o levantamento de informações através da interrogação direta das pessoas visando conhecer os motivos de um determinado comportamento ou ação. (GIL, 1999)

• Estudo de Caso: este tipo de pesquisa envolve um estudo aprofundado de um exemplo individual investigando um fenômeno através da delimitação de uma coleta e análise de dados referentes a este caso de maneira que se permita um amplo e detalhado conhecimento a respeito. O estudo de caso constituiu-se de uma ferramenta de pesquisa que permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas, tendo em vista os eventos da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno estudado e o contexto não estão claramente definidos. (GIL, 1999)

• Pesquisa Ex Post Facto: este tipo de pesquisa investiga algo já ocorrido, o experimento se realiza depois dos fatos acontecidos. Neste tipo de pesquisa, apesar de realizar uma investigação sistemática e empírica o pesquisador não tem controle direto sobre as variáveis a serem estudadas, dessa forma elas são intrinsecamente não controláveis. (GIL, 1999)

• Pesquisa-Ação: quando concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. (GIL, 1999)

• Pesquisa Participante: este tipo de pesquisa se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas.

Uma pesquisa cientifica pode ser avaliada de duas formas, a primeira analisando seu conteúdo, seus fins ou à substância do trabalho científico, esta analise é chamada qualidade política da pesquisa cientifica. Já a segunda forma ocorre avaliando os meios e as formas utilizadas na produção do trabalho, esta forma se chama qualidade formal da pesquisa cientifica. A qualidade avaliada refere-se ao domínio de técnicas de coleta e interpretação de dados, manipulação de fontes de informação, conhecimento demonstrado na apresentação do referencial teórico e apresentação escrita ou oral em conformidade com os ritos acadêmicos. (DEMO, 1991)

MÉTODOS DE PESQUISA CIENTÍFICA

Para que se consiga atingir os objetivos esperados em uma investigação científica necessária se faz a utilização de procedimentos técnicos e intelectuais que possibilitem resultados positivos. Método vem do grego “méthodos” que significa o caminho para chegar a um determinado fim. Pode ser considerado um conjunto de regras básicas que possui como proposito desenvolver uma determinada experiência produzindo um novo saber, um novo conhecimento. Este novo conhecimento pode complementar ou integrar os conhecimentos já existentes sobre uma questão ou corrigir os conhecimentos pré-existentes. Para Andrade (2001, p.35) “o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência”.

Método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que se devem empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa. Os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. (LAKATOS; MARCONI, 1993, p. 26).

Para Lakatos e Marconi (1993, p. 29) os principais métodos científicos são:

• Método dedutivo: este método tem por base o raciocínio lógico através de um processo de dedução visando obter uma conclusão a respeito de determinada premissa. Uma de suas caracterisitcas é que a dedução pode apresentar conclusões verdadeiras desde que as premissas sejam verdadeiras. Este método surgiu na Grécia, era utilizado por Aristóteles e se propagou através Descartes, Spinoza e Leibniz que pressupunham que “só a razão lógica é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro”. O método dedutivo procura explicar as premissas através de raciocínios lógicos em ordem descendente, analisando do mais amplo ao especifico para se chegar a uma conclusão. Utilizando-se do silogismo, termo utilizado por Aristóteles para designar uma argumentação lógica perfeita, no método dedutivo com duas premissas torna-se possível se deduzir uma conclusão. (LAKATOS; MARCONI, 1993)

• Método Indutivo: este método tem por base um raciocínio indutivo baseado em uma contagem. Normalmente é utilizado pela ciências naturais e Matemática através da Estatística. Este método foca questões especificas visando conclusões generalizadas. As conclusões obtidas por este método correspondem a uma verdade não contida nas premissas consideradas, diferentemente do que ocorre com a dedução. Pode-se dizer que por meio da dedução chega-se a conclusões verdadeiras, tendo por base premissas verdadeiras, no método indutivo chega-se a conclusões que são apenas prováveis por isto é pouco utilizado. As constatações possibilitam conclusões generalizadas. Este método foi muito utilizado por Bacon, Hobbes, Locke e Hume. (LAKATOS ; MARCONI, 1993)

• Método Hipotético Dedutivo: um problema surge quando os conhecimentos existentes sobre um determinado assunto são insuficientes para a explicação de um determinado fenômeno. Existindo o problema surgem às possíveis soluções para ele, as hipóteses, o teste destas possibilita saber se são verdadeiras ou falsas as proposições. O método hipotético dedutivo procura evidências empíricas para testar as hipóteses verificando quais são as que persistem como válidas resistindo as tentativas de falseamento. Este método pode ser considerado um método de tentativa e erro que não possibilita uma certeza absoluta. (LAKATOS ; MARCONI, 1993)

• Método Dialético: este método possui várias definições, a proposta por Hegel, hegeliana, a proposta por Karl Marx, a marxista, a proposta por Immanuel Kant, entre outras. Tem como pressuposto que toda investigação científica de um problema possui uma tese, uma antítese e uma síntese. Pode-se dizer que este método é um método de diálogo onde o objetivo é a contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias, ou seja, as contradições levam a novas contradições que passam a requerer solução. É considerado um método para a interpretação de uma realidade que considera que os fatos devem ser analisados dentro de um determinado contexto social, político, econômico, etc. Usualmente este método é utilizado em pesquisa qualitativa. (LAKATOS ; MARCONI, 1993)

• Método Fenomenológico: este método foi criado pelo filósofo alemão Edmund Husserl tendo como objetivo esclarecer um fenômeno a partir de sua consistência. Para o método fenomenológico um objeto deve ser estudado como ele é percebido pelo sujeito sem qualquer interferência de qualquer regra de observação, o objeto de estudo é o fenômeno em si. Normalmente este método é utilizado pela filosofia que tenta compreender um determinado fenômeno através da elucidação do próprio ser que é o “homem no mundo”. Neste método a realidade é construída socialmente e entendida como compreendida, como interpretada por isto a realidade passa a não ser única, existiram tantas realidades quantas forem as suas interpretações.

TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE PESQUISA

Na visão de Gil (1999) definido o tipo de pesquisa consegue-se vislumbrar o universo da pesquisa, a população, a amostragem, os instrumentos de coleta de dados e a forma como pretende tabular e analisar seus dados. Para este autor a População ou universo da pesquisa é a totalidade de indivíduos que possuem as mesmas características definidas para um determinado estudo. Já a Amostra da pesquisa é parte da população selecionada por uma determinada especificação, uma regra ou plano.

Para Lakatos e Marconi (1996) a amostra pode ser de duas formas, probabilística e não-probabilística. As amostras não-probabilísticas podem ser classificadas como:

• Amostras acidentais: compostas por acaso, com pessoas que vão aparecendo;
• Amostras por quotas: diversos elementos constantes da população/universo, na mesma proporção;
• Amostras intencionais: escolhidos casos para a amostra que representem o “bom julgamento” da população/universo.
Já as amostras probabilísticas, na visão de Lakatos e Marconi, são compostas por sorteio e podem ser:
• Amostras casuais simples: cada elemento da população tem oportunidade igual de ser incluído na amostra;
• Amostras casuais estratificadas: cada estrato, definido previamente, estará representado na amostra;
• Amostras por agrupamento: reunião de amostras representativas de uma população.

Gil (1999) recomenda para definição das amostras a aplicação de técnicas estatísticas.

Demo (1996) narra que a definição do instrumento de coleta de dados dependerá dos objetivos que se pretende alcançar com a pesquisa e da amostra que será investigada. Narra este autor que os instrumentos de coleta de dados normalmente utilizados são:

a) Observação: quando se utilizam os sentidos na obtenção de dados de determinados aspectos da realidade. A observação pode ser:
• Observação assistemática: não tem planejamento e controle previamente elaborados;
• Observação sistemática: tem planejamento, realiza-se em condições controladas para responder aos propósitos preestabelecidos;
• Observação não-participante: o pesquisador presencia o fato, mas não participa;
• Observação individual: realizada por um pesquisador;
• Observação em equipe: feita por um grupo de pessoas;
• Observação na vida real: registro de dados à medida que ocorrem;
• Observação em laboratório: onde tudo é controlado.

b) Entrevista: é a obtenção de informações de um entrevistado, sobre determinado assunto ou problema. A entrevista pode ser:
• Padronizada ou estruturada: roteiro previamente estabelecido;
• Despadronizada ou não-estruturada: não existe rigidez de roteiro. Podem-se explorar mais amplamente algumas questões.

c) Questionário: é uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito pelo informante. O questionário deve ser objetivo, limitado em extensão e estar acompanhado de instruções As instruções deve esclarecer o propósito de sua aplicação, ressaltar a importância da colaboração do informante e facilitar o preenchimento, as perguntas do questionário podem ser abertas, fechadas ou de múltiplas escolhas.

d) Formulário: é uma coleção de questões e anotadas por um entrevistador numa situação face a face com a outra pessoa.

O TESTE PILOTO NA PESQUISA CIENTÍFICA

Para Hulley (2007) um “teste piloto” também chamado de “estudo piloto”, um “projeto piloto” ou “experiência piloto” é um estudo preliminar de pequena escala realizado para avaliar viabilidade, tempo, custo, eventos adversos e tamanho de efeito (variabilidade) na tentativa de prever um tamanho de amostra apropriado e melhorar o estudo projeto antes da execução de um projeto de pesquisa em grande escala. Estudos piloto, portanto, podem não ser apropriados para alguns tipos de estudos de casos. Os experimentos piloto são frequentemente realizados antes da pesquisa quantitativa em larga escala, na tentativa de evitar que o tempo e o dinheiro sejam desperdiçados em um projeto inadequadamente projetado. Um estudo piloto geralmente é realizado em membros da população relevante, mas não naqueles que irão fazer parte da amostra final. Isso ocorre porque poderá influenciar o comportamento posterior dos sujeitos da pesquisa se eles já estiveram envolvidos na pesquisa. Um estudo piloto é frequentemente usado para testar o projeto da experiência em grande escala que então pode ser ajustada. É uma visão potencialmente valiosa e, se alguma coisa estiver faltando no estudo-piloto, ela pode ser adicionada ao experimento em grande escala para melhorar as chances de um resultado claro.

Ainda citando Hulley (2007), o estudo piloto é um teste, em pequena escala, dos procedimentos, materiais e métodos propostos para determinada pesquisa. Alguns autores vem o teste piloto como sendo uma miniversão do estudo completo, pois envolve a realização de todos os procedimentos previstos na metodologia em pequena escala possibilitando assim alterar ou melhorar os instrumentos na fase que antecede a investigação. A importância de conduzir um estudo piloto está na possibilidade de testar, avaliar, revisar e aprimorar os instrumentos e procedimentos de pesquisa. O principal objetivo de se administrar um estudo piloto e determinar os pontos fracos e problemas em potencial, para que sejam resolvidos antes da implementação da pesquisa.

Para realização de um teste piloto a quantidade de participantes não precisa ser superior a 10% da amostra, este percentual permite testar os instrumentos, garantir que cada um renderá resultados próprios para responder as perguntas de pesquisa; antever resultados; avaliar a viabilidade e utilidade dos métodos de coleta em cada fase de execução; revisar e aprimorar os pontos necessários, ou seja, o teste piloto permite ao pesquisador chegar ao contexto de sua pesquisa mais experiente e com escolhas metodológicas mais bem definidas. (HULLEY, 2007)

Haralambos e Holborn (2000) esclarece que nas ciências sociais os estudos-piloto podem ser referidos como estudos de pequena escala que ajudarão a identificar problemas de projeto antes que a pesquisa principal seja feita. Embora as experiências piloto tenham uma tradição bem estabelecida na ação pública, sua utilidade como estratégia de mudança foi questionada, pelo menos no domínio da gestão ambiental. Argumenta-se que a extrapolação de um estudo piloto para a estratégia ambiental em larga escala não pode ser considerada possível, em parte devido aos recursos excepcionais e às condições favoráveis que acompanham frequentemente um estudo piloto.

Hulley (2007) afirma que o teste piloto pode ser considerado decisivo tendo em vista que pode revelar falhas sutis na estruturação do projeto ou na implementação do estudo, sendo importante instrumento para o refinamento das decisões metodológicas, principalmente em relação aos procedimentos de coleta de dados e análise deles. No caso especifico deste estudo experimental, a questão em investigação é vista como uma experiência sistemática, por isto o planejamento dos instrumentos e dos procedimentos de coleta de dados é essencial para o sucesso do estudo. Nesse contexto, o estudo piloto se faz necessário neste estudo como mecanismo que permite testar, avaliar, revisar e aprimorar as escolhas metodológicas da pesquisa. A importância de realizar o estudo piloto e aprender e minimizar erros, ressaltando-se que o resultado do piloto não garante o sucesso do estudo final.

REFERÊNCIAS
Andrade, M. M. 2001. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. São Paulo: Atlas.
Demo, P. 1996. Pesquisa e construção de conhecimento. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
Gallina, D. M. 2008. Visão Histórica da Pesquisa Científica. São Paulo: USP.
Gil, A. C. 1999. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.
Haralambos, M.; M. Holborn 2000. Sociology: Themes and Perspectives. Hammersmith, London: HarperCollins Publishers.
Hulley, S. B. 2007. Designing Clinical Research. Lippincott Williams ; Wilkins.
Lakatos, E. M.; Marconi, M. A. 1996. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas.
Minayo, M. C. 1993. O desafio do conhecimento. São Paulo: Hucitec.

 

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