Reestruturação industrial em SC: Ambiente socioprodutivo no nordeste do estado

A caracterização do entorno produtivo e socioinstitucional e a imortância atribuída pelas Pequenas e Médias Empresas – PME aos diferentes aspectos deste devem ser relacionados à forte tradição industrial do nordeste catarinense

Cláudio Márcio,

De fato, principalmente em Joinville, a história local coincide com parte da própria industrialização de Santa Catarina, haja vista a convergência de circusntâncias favoráveis, entre elas ligação com a Europa (principalmente Alemanha), que facilitaram acesso a matérias-primas,m aquinário, tecnologia, mão-de-obra qualificada e formação profissional.

É importante destacar que, na sua trajetória, a indústria regional experimentou marcado fortalecimento das atividades metal-mecânicas, que sobressaem e aparecem como pilares do parque fabril instalado. Não é à toa que Joinville e Jaraguá do Sul são comumente referidas como cidades que compõem o eixo metal-mecânico catarinense. Tais atividades conferiram projeção nacional e internacional à indústria de ambos os municípios.

  Entretanto, as atividades têxteis sempre marcaram presença na região. Desde a Primeira Guerra Mundial as indústrias metal-mecânicas engajaram-se em trajetória ascendente devido, mormente, às demandas de outros setores às demandas de outros setores, entre eles o têxtil. Assim, a indústria joinvilense adentrou os anos 90 apresentando composição em que, apesar da preponderância da produção metal-mecânica, as atividades têxteis e vestuaristas concentravam 12% da mão-de-obra ocupada, com estrutura que ostentava empresas de grande porte, atuantes no mercado brasileiro e até no exterior.

  Contudo, o contingente de empresas menores ganhou espaço nas últimas décadas. As turbulências da economia brasileira desde os anos 80, traduziram-se em demissões que resultaram na instalação de ex-funcinários como fabricantes e prestadores de serviços. Utilizando em proveito próprio o conhecimento acumulado ao longo dos anos, e estimulados pelo fato de que não raramente as indenizações associadas às reduções de quadros incluíram máquinas e equipamentos, vários desses ex-funcinários tornaram-se micro e pequenos produtores de malha e artigos de malha para mercados que, embora menos exigentes, revelaram-se durante muito tempo em expansão. Entre os que se tornaram prestadores de serviços, vários passaram a registrar os antigos patrões entre os clientes.

  Portanto, o setor têxtil-vestuarista regional tem apresentado mudanças significativas nas últimas décadas. Parte delas relaciona-se ao já referido processo de fechamento de firmas tradicionais – ou, pelo menos, à marcada redução/reorientação nas suas atividades - , em alguns casos dizendo respeito a importantes malharias de Joinville. De fato, um dos problemas para a economia joinvilense foi a progressiva perda de competitividade de várias empresas têxteis, principalmente as de controle acionário familiar. Os casos mais notórios são os da Arp, Centauro, Matric, Nerisi, que ou fecharam ou estavam em situação financeira seriamente comprometica em meados da década de 90.

  Esse processo de declínio prolonongou-se nos anos 90, pois em 1997 a Sulfabril, grande e tradicional fabricante de malhas de Blumenau, fechou a sua unidade de Joinville, desempregando mais ou menos 200 trabalhadores diretos. Merece realce, sobretudo, o fato de que o movimento comercial relacionado ao turismo de compras caiu substancialmente em Jaraguá do Sul.

  De outro lado, algumas grandes empresas engajaram-se desde o começo dos anos 90 em processos de modernização que envolveram grandes invistimentos em máquinas e equipamentos modernos e atualização das estruturas de gestão. Em Joinville, é o caso da Döhler (empresa do prefeito eleito em 2012, Udo Döhler - PMDB/SC), fabricante de tecidos para móveis, colchões e calçados e de artigos das linhas quanto, banho e coap-cozinha, entre outros produtos, e também da Companhia Fabril Lepper, produtora de felpudos e toalhas de mesa. Em Jaraguá do Sul, cabe mencionar a Marisol, grande malharia que, inclusive, introduziu programas de formação de chefias e gerências para manter/apromorar o padrão de qualidade. Cabe citar também a Malwee, outra malharia de projeção no cenário têxtil nacional, que, mesmo no ambiente adverso do início dos anos 90, iniciou programa de investimentos abrangendo maquinário e instalações.

  É preciso assinalar que a avaliação das PMEs sobre o ambiente produtivo e socioinstitucional, no que concerne à produção têxtil-vestuariasta, foi irremediavelmente influenciada pela comparação com a base existente para as atividades metal-mecânicas. Por exemplo, uma firma de Joinville indicou com resignação que a área não é propícia à produção têxtil-vstuarista, mas sim à de máquinas e equipamentos, e que isso transparece na forma de atuar de várias instituições. Neste mesmo sentido, um tradicional fabricante de artigos esportivos de Joinville considerou negativa a atuação do Serviço Nacional de Aprendizagem Indistrial – Senai sempre que necessitava fazer moldes com auxílio de sistema CAD, mas dirigia-se às instalações de Blumenau.

  Em algumas entrevistas, chegou-se a postular que, se a herança principalmente germânica configurava vantagem e elemento de diferenciação regional, isso nada tem a ver com o têxtil. O que se queria dizer é que o usufruto dos eventuais benefícios derivados daquela condição estariam a incidir muito mais em outros setores, sobretudo os vinculados à produção metal-mecânica.

  Note-se que esse entendimento sobre as condições locais tem alimentado a simpatia de algumas firmas em relação à transferência das atividades para outras áreas. Tanto em Joinville como em Jaraguá do Sul, houve empresas para quem um eventual recomeço certamente ocorreria não no nordeste catarinense, mas em outras localizações, principalmente no interios de Minas Gerais e de estados da região Nordeste do país. Entre os motivos apresentados, elencaram-se várias dificuldades locais, com ênfase no custo da mão-de-obra e na falta de incentivos. A predominância de outros setores na estrutura industrial, focos privilegiados das iniciativas institucionais em detrimento de uma maior atenção às atividades têxteis e vestuariastas, estaria a ampliar as dificuldades, colocando a região em desvantagem em relação a outras localidades, caracterizadas tanto por mão-de-obra numerosa e de baixo custo relativo como por presença de estímulos diversos, sobretuto os de natureza fiscal.

  A ofereta de mão-de-obra é um dos atributos do Nordeste catarinense para as atividades têxteis e vestuaristas, conforme as empresas estudadas. Igual importância está associada à existência de uma quantidade significativa de unidades de trabalho (firmas, a maioria de porte micro, e também trabalhadores em domicílio), em boa parte caudatárias do próprio declínio do setor na região, que favorece a externalização de atividades, com redução de custos e flexibilização produtiva.

  Entretanto, tais elementos não autorizam concluir que a localização em Joiville e Jaraguá do Sul representou vantagens para os processos de ajuste das firmas e para a configuração de suas posições competitivas. É sugestivo que algumas PMEs tenham assinalado não reconhecer qualquer aspecto que realmente diferenciasse a região, e que a eventual atratividade da área referia-se, por exemplo, ao mercado de trabalho. O manifesto interesse no deslocamento para outras regiões, associado às lacunas do tecido institucional e às carências no plano da cooperação, além da ausência de incentivos, parece eloquente sobre as efetivas condições locais.

  

Mais em:

https://www.administradores.com.br/artigos/academico/reestruturacao-industrial-em-sc-problematica-objetivo-e-referencial-analitico/72298/

http://sis.sebrae-sc.com.br/sis/setor/noticia/visualizar;jsessionid=676788BA2083FD9165B2E123F859F79D?idNoticia=16134

http://blogrefrisat.com.br/2013/10/03/reestruturacao-industrial-em-sc-ambiente-socioprodutivo-no-nordeste-do-estado-2/ 

 

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Tags: ambiente industrial nordeste reestruturacao santa catarina sc socioprodutivo