RELAÇÃO ENTRE A APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E A GESTÃO DE PESSOAS COM A GESTÃO EDUCACIONAL

Os principais fatores que determinam o sucesso de uma empresa é a gestão do conhecimento, que é um processo integrado destinado, a criar, disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global das organizações.

  1. GESTÃO DE PESSOAS NO SÉCULO XXI

 

Toda e qualquer organização é formada por pessoas. Essas são consideradas como capital intelectual, que representa o maior “recurso” da empresa. (CHAVIENATO,2003). Com o crescimento constante do mercado, a globalização e os avanços da economia, a concorrência das empresas tem aumentado constantemente, exigindo das organizações, uma maior produtividade nos seus serviços e produtos, de maneira que, os mesmos sejam executados cada vez mais de forma eficiente, eficaz e efetivo.

Gestão é sinônimo de Administração, gerenciamento de uma entidade; empresa, pessoas etc. Dessa forma, a gestão incorpora a Administração tornando-a em mais uma das funções necessárias para o desempenho das atividades a serem desenvolvidas. Pode-se dizer assim, que administrar é planejar, dirigir, organizar, executar e controlar pessoas para atingir de forma eficiente e eficaz os objetivos de uma organização. Portanto, é evidente que na gestão se pratica ferramentas administrativasnecessárias para que através das pessoas seja possível atingir objetivos e metas de uma empresa visando o lucro na entidade privada e a prestação de serviço na iniciativa pública.

Desde a pré-história que o homem começou a viver as primeiras práticas da gestão pública através daqueles que viviam nas cavernas. A partir desse mundo ancestral se adquiriram novas e diversificadas atribuições de gestão voltada para grupos de indivíduos. Estas, tiveram início com o período paleolítico (idade da pedra lascada) aproximadamente de 2,5 milhões a.C até 10.000 a.C, momento em que o homem criou ferramentas através das pedras e utilizava de outros elementos como ossos, madeiras, cordas, couros etc. Após esse período inicia-se o Período Neolítico que ocorreu entre 12 mil e 4 mil a.C. Nota-se que a partir dessa data a economia caracteriza-se em subsistência, ou seja, as pessoas não acumulavam nem produziam bens para o comércio, mas apenas para a sobrevivência dos grupos que se reunião em diversos lugares [1] (Nômades). Os materiais de produção do grupo eram de posse coletiva para que todos pudessem providenciar sua própria caça.

No cenário Neolítico o homem iniciou suas atividades com o meio ambiente, os animais e as plantas tornando-os meios de sobrevivência. Deu um início as várias transformações que foram tamanhas acarretando a descobertas de técnicas para que se vivesse em grupos, cujo, um ajuda-se ao outro em suas necessidades. Segundo Antônio, 1995 (História Geral), “Não havia distinção social entre os membros do grupo: todos trabalhavam e o produto era consumido (distribuído) igualmente por/para todos”. Desse modo, foram construindo grupos sociais fechados que dividiam tarefas e consequentemente surgiam determinadas funções. Futuramente precisaram-se eleger representantes para tais equipes que foram formadas.

O Terceiro e último período pré-histórico foi o período que retrata o surgimento da gestão pública. Período dos metais que teve início aproximadamente em 10.000 a.C. Este acarreta o surgimento das civilizações dando origem as primeiras cidades que geraram a criação das propriedades privadas, instituição que eram comandadas por homens que tinham mais condições financeiras e mantinham os outros como seus servos (escravos). Já a administração pública era exercida por todos nas atividades organizacionais mantendo o controle sobre a alimentação, segurança contra os animais selvagens e os invasores de terras. Nessa época surgiu às classes sociais cujo se elegia os ricos e pobres, súditos e servos, como também o nascimento do Estado: local, estabelecimento do governo atual que administrava o povo e regia a força militar em determinado território, terra.

As práticas dos homens pré-históricos em diversos períodos foram evoluindo até chegar-se na era da escrita e por meio das reuniões feitas por líderes de grupos. Às histórias eram assim transmitidas para todos. As informações foram transformando as evoluções em relações sociais que originou o surgimento do Estado novo em que tudo se governa para o bem de todos; sem favoritismo, pois o regimento é feito através das leis. Com isso, ás cidades, reinos e impérios foram sendo construídos gerando complexidade na administração e gestão pública.

 Segundo, CHIAVENATO, (2003, p. 26), vivemos em uma civilização em que predominam as organizações e na qual o esforço cooperativo do homem é a base fundamental da sociedade. E a tarefa básica da Administração é a de fazer as coisas por meio das pessoas, de maneira eficiente e eficaz. Nas organizações – seja nas indústrias, comércio, organizações de serviços públicos, hospitais, universidades, instituições militares, seja em qualquer outra forma de empreendimento humano, a eficiência e a eficácia com que as pessoas trabalham em conjunto para conseguir objetivos comuns dependem diretamente da capacidade daqueles que exercem a função administrativa.

 Por tanto, a administração pública é uma atividade voltada para toda a nação e que participam da mesma os gestores eleitos pelo povo, todo cidadão nato e naturalizado. É responsabilidade do gestor público liderar para igualizar os direitos e deveres sociais, cuidando, executando e controlando bens e serviços do Estado.

 Castro e Gomes (2007, p. 40), enfatizam que nesse contexto gerencial surge à nova administração pública originada da importação de várias técnicas de gestão e organização como também, do nascimento de novos conjuntos de ideias, crenças e valores importantes na área administrativa, porém, não há precisão sobre o que esta seja.

 Sendo assim, acredita-se em um modelo de forma variada, dinâmica e inovadora na coordenação de ações práticas e geral. Atualmente com o avanço da tecnologia e o aquecimento da economia, as transformações são valiosas e imprecisas nos setores de serviços e comércio. Neste contexto, necessita-se cada vez mais de novas estratégias e práticas de gestão nas esferas administrativas. No cenário privado prevalece à busca pela autorrealização, conquista, busca acirrada por alcance de metas, desenvolvimento de pessoal e interesse no plano de carreira. Já na esfera pública federal, há algum tempo atrás os gestores e servidores não tinham proeminência em seu plano de governo, com isso, se perdia muita qualidade na execução das atividades dos funcionários. Por esses motivos hoje o governo federal está adaptando e transformando os cargos e chefias para valorização do profissional e da gestão desses, principalmente nas esferas Estaduais.

Nota-se o quanto é necessário à aplicação de técnicas e inovações na gestão de pessoas da administração, pois é necessário garantir um ambiente de trabalho satisfatório que possua um clima organizacional favorável ao desenvolvimento gerencial. Essas mudanças são existentes nos modelos diretos da gestão pública que são compostos pelas suas entidades (União, Estados, Municípios, DF) e não possuem personalidade jurídica própria, já no modelo indireto ocorre quando são compostas por entidade de autarquia, fundações e paraestatais.

Os avanços tecnológicos, mudanças de hábitos das classes econômicas e, a expansão das gerações sociais tem exigido das pessoas maiores conhecimentos, habilidades, competências e atitudes, ou seja, um processo brutal e continuo de aumento e transformação do conhecimento. (ROSINI,2012). Pois, com tantas transformações, as empresas buscam ter um corpo profissional que atenda aos mais diversos perfis dentro do ambiente empresarial e, por não ser fácil adquirir este já lapidado do mercado, as mesmas, optam em treinar e desenvolver seus colaboradores, conforme sua cultura, missão, visão, valores e exigência do mercado. (CHAVIENATO, 2003).

Os principais fatores que determinam o sucesso de uma empresa é a gestão do conhecimento, que é um processo integrado destinado, a criar, disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global das organizações. É indispensável que os colaboradores das organizações o adquiram e que os gestores trabalhem esse, para que, a empresa seja mais competitiva, produtiva e lucrativa. A ausência da gestão do conhecimento nas organizações implica negativamente no desempenho global da empresa. (EBOLI ,1999),

Espera-se que o gestor de toda e qualquer organização da atualidade reconheça a importância da gestão do conhecimento nas empresas públicas e privadas, identifique as possíveis as causas e efeitos de uma boa gestão do conhecimento em empresas que tem por objetivo fim proporcionar serviços educacionais, ou seja, escolas.  Por meio, das ferramentas da gestão do conhecimento (conectividade entre as pessoas; layout dos setores; programa de mentores; geração de ideias; mapeamento das habilidades e competências de cada funcionário; trabalho junto a alta diretoria; Tecnologia da Informação; processos; estrutura e Valores; gestão de pessoas e compartilhamento do Conhecimento) auxiliem os colaboradores que exercem o cargo de gestor, seja coordenador pedagógico ou diretor a desenvolver melhor sua equipe de trabalho, seus docentes e demais liderados.

Através do aprimoramento na gestão de pessoas os acredita-se esse conhecimento de lidar com pessoas proporcione aos gestores melhoria na aplicação das técnicas da gestão do conhecimento nas organizações e aumente significamente a produtividades dos funcionários nas escolas, faculdades e demais instituições que passarem a adotar as práticas que atendem as tendências do conhecimento, dos métodos, técnicas e a ferramentas da gestão da informação, tornando os colaboradores (funcionários) aptos a vivenciarem a qualidade total em relação aos clientes; os processos do negócio e a concorrência. (PRUSAK,1998).

Por tanto, almeja-se uma excelência em termos de qualidade e produtividade através das mudanças positivas na cultura organizacional e no sistema de gerenciamento do conhecimento da organização, por meio de uma reformulação organizacional cujo, promova se pensar estrategicamente na empresa, evolução e cenário; por intermédio da cultura administrativa através dos valores e pressupostos básicos das pessoas que atuam e interagem com a visão estratégica e a inovação. E com a tecnologia através de seus recursos disponíveis para serem utilizados pela empresa na realização da visão estratégica e sua cultura administrativa atual.

 Segundo Luck (2011, p.25, grifo nosso) afirma, a real importância, é que a gestão escolar é um processo que tem que ser efetivamente compartilhado, e sendo a competência no foco da liderança “constituindo-se em um dos fatores de maior impacto sobre a qualidade dos processos educacionais [...] não é possível haver gestão sem liderança”. Porém, Há empresas e gestores educacionais que possuem grandes dificuldade em mapear o conhecimento (competências individuais) existente nas organizações para identificar o nível de estratégia atual que deve ser utilizada nas organizações. Para isso, é necessário que na gestão educacional também se faça um levantamento preciso das competências (conhecimento, habilidades e atitudes) dos gestores, líderes de equipes e dos próprios funcionários, por meio de entrevistas, questionários e, teste que mensure o nível de conhecimento dentro das organizações, para assim, identificar como ocorre a gestão do conhecimento no ambiente empresarial.

Outro desafio surge quando a necessidade do gestor fornecer informações da empresa sobre o incentivo e a promoção do compartilhamento de conhecimento dentro da organização. Nos últimos anos, a área de gestão de pessoas, vive a constante tensão entre incentivar a individualização que faz com que o funcionário se dedique ao extremo à organização e a busca de sinergia coletiva, por meio do estímulo ao trabalho em equipe (TARCINATO; GUIMARÃES, 2004). Ou seja, para promover a prevenção ao assédio moral, a área de gestão de pessoas precisa se preocupar com os fatores situacionais no ambiente de trabalho, dentre os quais destacamos: deficiente clima organizacional; pressões e avaliações de resultados baseadas em volume de produção; sistemas de recompensa baseados em metas individuais; deficiente organização do trabalho; e disfunções na cultura organizacional.

Segundo LUCK (2000) o termo administração educacional, concebido enquanto paradigma de organização da educação faz parte da literatura nacional a partir das décadas de 1960 e 1970. O grande desafio para a área de gestão de pessoas na área educacional é possuir a mediação equilibrada das relações entre mercado, organizações e indivíduos, em um contexto marcado por paradoxos de diversas naturezas: globalização versus cultura local; produção em série versus flexibilidade; trabalhador multiqualificado versus redução dos postos de trabalho; gestão participativa versus concepções ultrapassadas etc. Diante desse quadro, a gestão de pessoas nas organizações não pode resumir-se a um conjunto de políticas e práticas, tampouco ser definida como responsabilidade de um departamento ou de uma função.

 CONCLUSÃO:

A visão sistêmica que proporciona  a visão estratégica de uma empresa educacional prepara os colaboradores a destacarem em valores, princípios e comprometimento que direcionam as atividades necessária para que a organização , alcance seus resultados, Segundo  Lück (2002) há seis motivos para se optar pela participação na gestão escolar: melhorar a qualidade pedagógica; currículos concretos, atuais e dentro da realidade; aumentar o profissionalismo docente; evitar o isolamento dos diretores e professores; motivar o apoio comunitário às escolas; e, desenvolver objetivos comuns na comunidade escolar. Esse modelo de gestão caracteriza-se também pelo fato de representação de paradigmas de valores sócias através das escolas.

Os sistemas educativos dos países em desenvolvimento enfrentam atualmente não só o desafio de responder à demanda de acesso universal à educação – sem importar o tamanho, a condição econômica ou a situação geográfica das comunidades a que estendem seus serviços, mas também de oferecer uma educação que considere a diversidade cultural e, em alguns casos, as necessidades de desenvolvimento das comunidades. (MARTÍNEZ, 2004, pg. 95).

 

A efetiva gestão escolar implica na criação de ambiente participativo, independente da tendência burocrática e centralizadora ainda vigente na cultura organizacional escolar e do sistema de ensino brasileiro. Este sistema, segundo Lück (2002, p.17), visa “construir uma realidade mais significativa, não se constitui em uma prática comum nas escolas”.

 “A administração escolar tem como objetivos essenciais planejar, organizar e administrar o desenvolvimento necessário à educação. Ela inclui, portanto, no seu âmbito de ação, a organização escolar” (LIBÂNEO, 2004, p.76). Nota-se que a função do gestor escolar é inerente a uma das mais importantes atividades no campo da educação e na construção com crescimento e desenvolvimento dessa sociedade, que necessita de gestores bem treinados e capacitados para extrair do capital humano o conjunto de habilidades técnicas que cada indivíduo possui.

Segubdo LIBÂNEO (2004), é importante mostrar que o principal meio de se assegurar a gestão democrática da gestão educacional, é a participação de líderes e liderados como colaboradores que buscam alcançar os mesmos resultados, e que a autonomia é um dos princípios mais importantes nessa construção.  Por isso acredita-se na necessidade de desenvolver competência de liderança nas ações pedagógica-administrativa das entidades educacionais. O gestor, que é líder desperta o potencial de cada pessoa da instituição, transformando-a em uma área de novos saberes.

 

 REFERÊNCIAS

CHAVIENATO,Idalberto,introdução à teoria da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. Rio de Janeiro.Ed.rev.e atual,2013.

FREITAS, M. E. Cultura organizacional: identidade, sedução e carisma. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999.  

 LIBÂNEO, J. C. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática. São Paulo:Editora Alternativa, 2004.

 LUCK, H. Gestão Escolar e formação de gestores. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Brasília: O Instituto, 2000.

 LUPORINI, Teresa J; MARTINIAK, Vera Lúcia; MAROCHI, Zélia Maria L. Eleição e formação de diretores de escolas municipais: a legislação e as práticas da rede municipal de ensino de Ponta Grossa. Revista HISTEDBR on-line, Campinas, SP, n.43, p.214- 222, set. 2011. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2012.

 MARTÍNEZ, J.H.G. Novas tecnologias e o desafio da educação. In: Educação e Novas Tecnologias: esperança ou incerteza? Juan Carlos Tedesco (org.) São Paulo. Ed: Cortez, 2004.

 MEDEIROS, R. A.; OLIVEIRA, R. M. A. de. O real valor do capital intelectual: uma abordagem nas empresas de Natal/RN. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE, 16.out.2000, Goiânia. Anais...Goiânia, 2000.

 ROSINI, Alessandro Marco, ANGELO, Palmisano.Administração de sistema de informação e a gestão do conhecimento. São Paulo.Ed.Cengage Learning,2012.

 [1] Nomadismo: Os homens deste período eram nômades, ou seja, se deslocavam constantemente de um local para outro em busca de água e alimentos. Como precisavam deixar o local constantemente, buscavam moradias provisórias como, por exemplo, cavernas e vãos entre rochas.

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Tags: Aprendizagem Educação Gestão de Pessoas

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