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Ressignificando a vida

A ressignificação é um método que permite às pessoas atribuir novo significado aos acontecimentos de suas vidas, através da mudança de sua visão de mundo.

Os acontecimentos que não dependem de nós estão fora do nosso controle. Não podemos controlar, por exemplo, fenômenos naturais como terremotos, maremotos, furacões, tufões, erupções e demais cataclismos naturais.

Estão, igualmente, fora de nosso controle,o comportamento das outras pessoas. Não é incomum que nos decepcionemos com os comportamentos de nossos semelhantes. Traições são comuns nos relacionamentos e ocorrem nas várias formas em que estes relacionamentos se manifestam nas interações humanas.

São comuns os traumas de infância, decorrentes, muitas vezes, de processos educacionais inconscientes e repressivos, que os pais passam aos filhos de forma mecânica, acreditando serem os corretos.

Além disso, vários outros traumas podem ocorrer ao longo da vida. A palavra trauma
tem origem etimológica no grego trauma (traûma) e significa ferida, avaria, derrota, desastre. A acepção ferida é a que nos interessa no presente ensaio. Dentro da psicologia, o trauma pode ser conceituado como[1]: “Uma vivência profunda (medo, susto, perda etc.) que pode ocasionar sentimentos ou comportamentos desordenados e perturbações neuróticas posteriores; traumatismo”. Quanto mais soterrarmos o trauma sem o enfrentarmos, o compreendermos e o diluirmos nas águas racionais do entendimento, mais profundas e afiadas se tornarão suas raízes em nosso delicado terreno neural. E os danos podem ser incalculáveis.

Os acontecimentos exteriores não afetam as pessoas da mesma forma. Alguns se recuperam rapidamente, outros, podem ficar anos, ou por toda vida, soterrados no evento dor, rebobinando indefinidamente e, assim, revivendo dia após dia estes acontecimentos.

A vida para e toda energia vital é utilizada para minimizar esse fator de estresse (evento estressor). Quando isso ocorre, em muitas circunstâncias, resta apenas o caminho medicamentoso para garantir uma sobrevivência digna à pessoa.

Nas palavras da psicóloga Adriana Fiúza: “Quanto mais imaturo for o sistema nervoso de uma pessoa maior é a chance de um evento ruim traumatizar esse indivíduo”.

O que nos leva a conclusão de que os eventos que se processam em nossas vidas são neutros. A classificação de bons ou maus está na maturidade mental e emocional de quem os observa e por eles passa.

É por essa razão que sempre insisto na tecla do autoconhecimento. Quem se autoconhece se autopercebe, senti a si mesmo. Esse processo nos possibilita a elevação de nossa maturidade emocional. Aumento da maturidade emocional conduz à redução do sofrimento psíquico. Menos dor, mais alegria. Como já disse em ensaio anterior, ninguém, em sã consciência quer sofrer. Fomos, equivocada e cruelmente, educados (treinados) para desejar o sofrimento como forma de redenção. A felicidade nos faz humanos, pois nos faz plenos. Pessoas infelizes são as que se contentaram em ser metades e não inteirezas. Quando somos inteiros, construímos uma esfera maciça impenetrável, onde a dor não tem vez.

Precisamos aprender a ressignificar os acontecimentos de nossas vidas.

A ressignificação é um método que permite às pessoas atribuir novo significado aos acontecimentos de suas vidas, através da mudança de sua visão de mundo.

O significado de todo acontecimento depende do filtro que usamos para vê-lo. Mudando o filtro, mudamos o significado e, por conseguinte, os sentimentos que nos governam diante de cada situação.

Esse filtro é uma nova concepção de mundo, desprovida de preconceitos, vitimismo, supervalorização da dor e redenção pelo sofrimento. Aprendemos que coisas acontecem, e não podemos impedi-las, mas, a forma como agimos em relação a elas é que dirá de somos senhores ou escravos de nós mesmos.

Com as ferramentas certas podemos criar filtros psíquicos que vão nos ajudar a superar dores emocionais passadas, bem como nos proteger/blindar de acontecimentos traumáticos futuros.

 

 [1] Fonte:
http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=trauma
<Acesso em 28 jan 2019>.

 

 

 

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