Startups: conceituando o modelo

Um breve artigo onde exploro um pouco do conceito do universo das startups, assim como suas distinções do modelo tradicional de organizações e o impacto que elas podem gerar. Com um sucinto estudo de caso da NUBANK.

“Uma startup é uma instituição humana desenhada para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza.”Eric Ries — Lean Startup

O mundo está mudando em uma velocidade assustadora e isso não é mais novidade para ninguém, novas tecnologias, reinvenções, novos mercados, novos modelos de negócios, novos produtos e serviços surgem dia após dia. O século XXI está marcado com o que o mercado chama de a 4° Revolução industrial ou Indústria 4.0, uma nova configuração de negócios e modelos de negócios começa a surgir, rompendo com tudo o que foi praticado e imaginado nos últimos 100 anos. O mercado sempre foi monopolizado por grandes companhias e empresas, onde pouca competitividade existia devido a falta de recursos da maioria que era descapitalizada, esse cenário foi a configuração de regra por muito tempo.

Com o avanço exponencial da tecnologia começaram a surgir novos recursos e meios para erguer organizações, com novas propostas e nova mentalidade. A industrial 4.0 trata-se exatamente dessas tecnologias, cada vez mais abundantes e acessíveis, fazendo com que qualquer organização pequena, consiga atingir os mesmo clientes que antes só eram alcançadas por grandes corporações.

É nesse cenário que surge um conceito chamado de startup. Alguns definem como um modelo de negócio em estágio embrionário em que seja escalável, repetitivo e sustentável. Não significa dizer que apenas ideias em estágio inicial são startups, existem startups hoje que são avaliadas em Bilhões de dólares, essas são chamadas de “Unicórnios”, startups cujo valor de mercado ultrapassa a marca de 1 bilhão de dólares.

O conceito começou a ser usado com o estouro da bolha da internet entre 1996 e 2001 onde as empresas ponto com começaram a ganhar popularidade. Nos EUA esses modelos já são bem difundidos, No Brasil começou a ganhar popularidade em meados de 2008, durante a crise econômica que afetou o mundo.

Foi a escassez necessária para que os novos empreendedores brasileiros começar a usar o termo na sua essência. Onde com pouco recurso financeiro, mas com um abundância de fontes de pesquisa e tecnologias acessíveis era possível fazer um negócio prosperar.

Mas na vida real nem só de vontade e uma garagem vive um startup, como todo negócio, recursos financeiros são extremamente necessário, mas como os modelos de negócio é novo a forma de captar recursos também é inovador. Se antes a única fonte de conseguir dinheiro era através de um banco, hoje temos várias fontes para buscar os recursos necessários, alguns exemplos:

  • Aceleradoras
  • VentureCapital
  • Crowdfunding
  • Programas do Governo
  • Investidores Anjo

Destes, quero destacar a figura do investidor anjo, no qual tem um papel muito importante, ajudando não somente com o aporte financeiro mas com o seu Know-How.

"O Investimento Anjo é o investimento efetuado por pessoas físicas com seu capital próprio* em empresas nascentes com alto potencial de crescimento (as startups) apresentando as seguintes características:

1. É efetuado por profissionais (empresários, executivos e profissionais liberais) experientes, que agregam valor para o empreendedor com seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamentos além dos recursos financeiros, por isto é conhecido como smart-money.

2. Tem normalmente uma participação minoritária no negócio.

3. Não tem posição executiva na empresa, mas apoiam o empreendedor atuando como um mentor/conselheiro.

O investimento anjo em uma empresa é normalmente feito por um grupo de 2 a 5 investidores, tanto para diluição de riscos como para o compartilhamento da dedicação, sendo definido 1 ou 2 como investidores-líderes para cada negócio, para agilizar o processo de investimento. O investimento total por empresa é em média entre R$ 200 mil a R$ 500 mil, podendo chegar até R$ 1 milhão.”

Fonte: http://www.anjosdobrasil.net/o-que-eacute-um-investidor-anjo.html

Um conceito mais recente ainda e muito utilizado dentro do universo das startups é o lean startup ou startup enxuta no qual o empreendedor, pesquisador e professor Eric Ries autor do livro lean startup disseca estratégias e modelos ágeis para implementar em uma startup e minimizar a chances de fracasso, o conceito gira em torno de um ciclo de feedback:

Construir --> Medir --> Aprender

Como as startups são organismos mutantes em busca do seu modelo, é muito importante a capacidade de reinvenção ou até mesmo a capacidade de mudar de direção de forma rápida e ágil a modo de não afetar o core da ideia de negócio, por isso destaco a importância de medição dos negócios.

Nos últimos 5 anos o ecossistema inovador no Brasil evoluiu bastante, com uma nova safra de empreendedores, jovens, com muita força de vontade e propósito. A combinação perfeita para dar início a uma ideia e a partir dela gerar um negócio lucrativo.
Hoje existe uma gama de startups brasileiras que fazem sucesso mundo a fora e dentro dessas existem 3 que estão no hall da fama por serem as primeiras unicórnios brasileiras.

  • 99 (Transporte)
  • PagSeguro (Fintech)
  • Nubank (Fintech)


Case Nubank

A Nubank chegou com uma única proposta, desburocratização dos serviços financeiros, esses que são cada vez mais odiados no Brasil, perdendo apenas para os serviços de telefonia móvel. David Vélez, CEO e Founder da Nubank tinha um desejo em mente, criar um negócio cuja cultura fosse poderosamente alinhada com os valores da sua ideia. Foi então que se uniram a mais dois sócios para transformar o mercado financeiro no Brasil, Edward Wible e Cristina Junqueira dois jovens executivos com uma boa bagagem no mercado financeiro, o que seria de fundamental importância para o start game.

O primeiro produto foi desenhado, o cartão de crédito roxo que viria a ser o desejo de quem sonhava em não pagar mais taxas abusivas e não ter mais dor de cabeça na hora de solicitar uma nova senha ou até mesmo desbloquear um cartão.
De cara, nos primeiros mil clientes a Nubank já mostrava a sua cultura voltada para o cliente, com um atendimento humanizado e personalizado, isso foi virando a sua marca registrada para quem é cliente e fã da empresa, mais que muita tecnologia envolvida no negócio, o core é o foco na experiência do cliente a tecnologia entra como a cereja do bolo, a Nubank é totalmente on-line, desde a solicitação do cartão, ao controle de despesas até a hora do pagamento, o que já faz a Fintech disparar na preferência dos usuários.

O segundo produto chegou, mas não por imposição da empresa, foi um produto desenhado com o cliente, para o cliente. A NuConta é a conta personalizada da Nubank onde mais uma vez conta com a tecnologia em nuvem para dar todo o aporte on-line, que é a pegada dessa startup.

A Nubank acaba de receber 150 milhões de dólares em mais um aporte financeiro em uma rodada de investimento do fundo DST Global do megainvestidor russo Yuri Milner, ficando com o seu valor de mercado superior a 2 bilhões de dólares e motivo de muito orgulho para o empreendedorismo brasileiro, apesar de ser uma empresa global com funcionários de várias partes do mundo e o seu fundador ser colombiano, a Nubank tem suas raízes fincadas aqui no Brasil, mostrando que apesar de todos os desafios enfrentado por empreendedores nacionais ainda é possível crescer e prosperar mundo a fora.

A Nubank mostra como uma startup bem alinhada e com os ingredientes corretos pode ser altamente impactante, não somente para si ou para seus funcionários, mas para todo um ecossistema financeiro, uma disrupção, uma inovação, um novo modelo de fazer as coisas funcionarem da maneira certa, como o cliente merece.

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.

Avalie este artigo:
(0)
Tags: empreendedorismo negocios startup