T-shaped professional e Design Institucional

Ações inovativas que preparam as instituições para a interdisciplinaridade com ações que reduzam a resistência ao trabalho interdepartamental e promovendo novas configurações disciplinares.

O conceito T-shaped é utilizado no mundo corporativo desde a década de 90. A ênfase está na busca por profissionais multidisciplinares capazes de responder criativamente a demandas que surgem repentinamente em decorrência das transformações de cenários e mercados.

No segmento educacional a tendência em criar serviços, currículos e Projetos Pedagógicos interdisciplinares é crescente, o que demanda equipes multidisciplinares. Aqui reside um diferencial que pode ser considerado como trunfo na economia do conhecimento no Séc. XXI : a riqueza com que são produzidos novos conhecimentos capazes de romper as tradições criando uma cultura de inovação dentro das instituições.

Ao capitalizar os recursos intelectuais, utilizando o conhecimento existente na organização como forma de alavancar o desempenho ou combinar diversas fontes do conhecimento para criar novos serviços e produtos, as instituições passam a responder a crescentes desafios de competitividade.

Importante observar que a vantagem competitiva não vem apenas por investimento em tecnologia, infraestrutura, corte do número de aulas ou qualquer outro recurso de otimização de lucros. Ela pode vir também através de ideias criativas e reorganização dos processos e serviços, o que nos leva a perguntar como cada docente, corpo administrativo ou gestor gasta o seu tempo e sua carreira.

A abordagem da gestão T-Shaped pressupõe o compartilhamento do conhecimento livremente em toda instituição, o que seria a parte horizontal do T. Ao mesmo tempo o indivíduo está fortemente comprometido com a sua área específica de atuação, o que simboliza a parte vertical do T. 

Segundo o Projeto Político Pedagógico da UFABC, primeira instituição brasileira a implantar BIs (Bacharelados Interdisciplinares) é necessário considerar “o dinamismo da ciência propondo uma matriz interdisciplinar para formar os novos profissionais com um conhecimento mais abrangente e capaz de trafegar comdesenvoltura pelas várias áreas do conhecimento científico e tecnológico”.

Em lugar dos departamentos surgem os grandes centros do conhecimento, na UFABC são eles:

· Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas;

· Centro de Ciências Naturais e Humanas e

· Centro de Matemática, Computação e Cognição.

Numa estrutura “permeável aos novos modos e ritmos de apropriação do conhecimento”. A flexibilidade da estrutura pedagógica previne a IES de se tornar descartável diante do processo mundial de globalização, da nova natureza do conhecimento que se torna rapidamente obsoleto, da centralização dos processos tecnológicos, do fator de desprofissionalização do trabalho, dos ciclos de instabilidade econômica e social.

Cada professor e gestor deve estar ativo na troca de conhecimento com outras áreas de serviços na instituição, o que representa a função horizontal do T. Ao mesmo tempo, ser um profundo pesquisador do seu Centro de Conhecimento, que pode ser representado pela função vertical do T.

A estrutura de disposição do conhecimento utilizada pela UFABC se desponta como tendência em todo mundo. Recentemente, em seu relatório anual de 2012, a Associação Helmholtz, importante Centro de Pesquisa alemão demonstrou a forma como organiza o conhecimento. São sete os campos do conhecimento elencados pelo Centro de Pesquisa: Energia, Terra e Ambiente da Saúde, Aeronáutica, Espaço e Transportes, Tecnologias-chave, e Estrutura da Matéria.

Equipes multidisciplinares em forma de T beneficiará qualquer IES, mas são particularmente importantes em grandes Faculdades, Centros Universitários, Universidades e Colégios de Ensino Básico, pois refletem o conhecimento em movimento, numa progressão do conhecimento fragmentado e enciclopédico,

O déficit de competências criativas e demandadas pelo mercado tem origem na formação clássica das universidades e escolas. Nesta perspectiva o modelo interdisciplinar representa uma mudança no perfil do profissional capaz de conduzir com êxito as organizações na nova economia.

Na IDEO, empresa global de design que possui uma abordagem centrada no ser humano, focada no crescimento das organizações através da inovação, é uma das empresas que mais apostam no modelo T-shaped professional. Os componentes do sistema incluem: o domínio de uma disciplina, o domínio de um sistema, o conhecimento transdisciplinar usado no sistema, o domínio de sistemas adicionais, habilidades de travessia de fronteira, e uma reflexão individual do profissional de quem ele é e para onde ele quer se direcionar. Tal reflexão é importante nos ambientes acadêmicos que podem abranger tanto corpo discente, docente, administrativo e corpo de gestores. 

O modelo T-shaped professional pode ser um instrumento para trabalhar as competências individuais dentro das instituições de ensino objetivando o crescimento da equipe onde a haste vertical do T representará o fundamento: um conhecimento especializado em profundidade e a haste horizontal representará as competências complementares de comunicação, negociação, criatividade, capacidade de aplicar o conhecimento em todas as disciplinas, empatia, capacidade de olhar a resolução de problemas a partir de outras perspectivas, e uma compreensão global de conhecimentos  fora de sua área de especialização.

O ambiente de inovação promove não apenas a responsabilidade dos atores com os resultados institucionais como também incentiva a cooperação entre os centros de conhecimento, faz florescer os talentos individuais, traz uma mentalidade mais flexível e criativa para o grupo na resolução de problemas, aspectos importantes para o crescimento institucional.

Importante concluir com uma observação interessante: quanto menor a instituição mais fácil é para estabelecer uma cultura de inovação e uma equipe atuando em forma de T. E, quanto maior a organização mais fácil para aperfeiçoar recursos através da interdisciplinaridade. Ambas precisam ser preparadas para a interdisciplinaridade com ações que reduzam a resistência ao trabalho interdepartamental e promovendo novas configurações disciplinares.

Profa. Maria Carmen Tavares Christóvão – Mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP.

Gestora Educacional e Consultora em Inovação .

Administradora do Fórum do Ensino Superior /ABMES

(31)92515555

(31)35685754



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Tags: design thinking educacao gestão inovação recursos humanos

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