Aprenda a perdoar a si mesmo pelos seus erros e pecados. Mas não os repita

Perdoar.
Aqui temos uma palavra com sentido perturbado e mal interpretada, e freqüentemente com características virtuosas. A palavra grega traduzida como "perdoar" significa literalmente cancelar ou remir Já em latim per + dorare, cujo significado é dar plenamente. Portanto, se houver algum sinônimo para perdoar, somente poderá ser amar. O dar plenamente refere-se a permitir que aquele que errou, tente outra vez e tenha a oportunidade de poder tomar uma atitude de valor. Essa situação de erro, obviamente jamais será esquecida, e aquele que diz: “perdôo, mas não esqueço”, não perdoou, faltou algo, não foi pleno. 

Desde que o ser humano habita esse planeta comete infinitos erros e através do reconhecimento do mesmo foi um dos fatores que o fizeram a evoluir, errar foi preciso. 

Alguém disse que para ser feliz é necessário promover cinco perdões; perdoar-se, perdoar seu pai, perdoar sua mãe, perdoar o outro e perdoar o mundo. 

Por que nos surpreendemos quando vemos a incompetência em outros e nos devastamos quando ela ocorre em nos mesmos? 

Perdoar a si mesmo talvez seja um dos maiores desafios do ser humano, pois está relacionada com a capacidade de auto aceitação, ou seja, a auto estima.Às vezes a pessoa não se perdoa porque, quando se olha no espelho, só enxerga dor. Sua mente é assombrada pelo famoso “E se...” 

Esse é o problema.É preciso separar o erro que foi cometido daquilo que voce é. Você cometeu um erro, não é o erro. Por isso nunca julgue situações passadas com valores do presente. Você pode e deve se livrar de certos padrões de pensamentos e sentimentos senão não conseguirá se perdoar. 

Outro erro freqüente é considerar perdoar como sinônimo de desculpar, que, no entanto são duas atitudes bastante distintas. Desculpar significa tirar a culpa, e só é possível tirar a culpa de quem não a tem, e foi injustamente acusado. Quando se tem culpa, nem Deus desculpa, Ele perdoa. Na justiça comum, inocentar é desculpar, a culpa não era do réu, e perdoar, é declarar o culpado solto e independente, jamais, livre, pois a liberdade é uma atitude imanente, não é uma concessão. 

Atualmente e sempre, centenas de milhares de “profetas”, mestres, gurus, contos, cânticos, mantras, fábulas, histórias, práticas, apostilas, vivências, cursos, enfim, uma infinidade de meios de exercitar o perdão é ressaltada nas revistas, nos jornais, nas televisões, nos centros de umbanda, nas igrejas católicas, nas mesquitas, nas sinagogas, nos espaços esotéricos, nos salões protestantes...
Mas, o grande desafio é que a humanidade não sabe perdoar. 

Perdoar é o sinônimo da fraqueza e deixou de ser um sinal de nobreza de alma e pureza de coração. 

Li numa revista uma vez uma declaração fantástica: “Caso você encontre quaisquer erros nesta revista, por favor, lembre-se que eles foram colocados ali de propósito. Tentamos oferecer algo para todos. Algumas pessoas estão sempre procurando erros e não desejamos desapontá-las”. 

Aprenda a rir de seus erros. Aprenda a rir de si mesmo, mas não perca a lição. 

Perdoar a si mesmo requer enfrentar os próprios medos, julgamentos, injustiças, limitações, olhar para a própria vida e lembrar de quantas vezes já errou e quantas vezes já acertou. Somos seres humanos, estamos em constante processo de aprendizagem e evolução. E nesse caminho acertamos e erramos, alem disso os tempos mudam, os valores também. 

Por exemplo, você deixaria seu filho em uma escola onde ele seria castigado com palmatória caso não se comportasse conforme as regras da instituição? Acredito que não, mas nossos avós foram educados deste modo, e naquela época era normal. No Brasil, antigamente era costume nas festas de formatura os alunos presentearem seus professores com palmatórias, como sinal de submissão à autoridade. 

Por isso relembro novamente nunca julgue situações passadas com valores do presente. 

Uma curiosidade contanto é que último país ocidental a abolir o uso da palmatória foi a Inglaterra, em 1989. Em 2004, contudo, o parlamento inglês voltou a debater a legitimidade do uso dos castigos físicos como medida educacional corretiva em crianças. 

No exemplo que utilizei parece clara a situação, mas não se iludam. Não faz muito tempo que Cingapura, país de regime político autoritário e um sistema financeiro importante, localizado na Ásia, impôs uma pena judiciária de chibatadas a um jovem norte-americano que transgrediu as severas leis daquele país traficando drogas.
Apesar do liberalismo ‘oficial’ e aparente permissividade educativa dos norte-americanos, a maioria da população dos EUA consultada não apenas aprovou a pena judiciária de Cingapura para o crime de tráfico de drogas como gostaria que sua justiça também fizesse uso de castigos físicos para transgressores da lei. Para reforçar essa atitude repressiva, uma pesquisa divulgada declara que 61% dos pais norte-americanos aprovavam castigos físicos como uma forma de punição válida, e 57% disseram acreditar que até mesmo bebês de seis meses podem merecer uma surra. 

Agora voce deve estar se perguntando o que isso tem a ver com aprender a perdoa-se? Tudo. 

Perdoar significa rever crenças, valores, paradigmas, preconceitos e utilizei um exemplo aparentemente simples para demonstrar que nem tudo é tão simples como julgamos ser inicialmente. Por isso perdoar-se ás vezes é tão difícil. Ficamos presos em nossa próprias armadilhas mentais e nos tornamos reféns psicológicos de nossa próprias regras, sendo o único modo de se libertar é rever suas crenças.Isto é mudar. 

Em “Aforismos para a Sabedoria de Vida” Arthur Schopenhauer diz que “Perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experiências adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos ligação ou convívio nos faz algo de desagradável ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos é ou não valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com freqüência semelhante tratamento, e até de maneira mais grave”. 

Agora eu lhe pergunto, você é ou não é a pessoa mais importante com que tem ligação ou convive? 

Você realmente acredita que nunca mais irá errar e deixar-se louco da vida de novo? Claro que irá. 

O problema não é errar, mas repetir ou persistir no mesmo erro, seja ao menos neste aspecto desagradável da vida, criativo. Erre das mais diversas formas, mas, por favor, cometa erros diferentes somente assim voce crescerá. Ninguém aprende com os acertos, somente aprendemos com os nossos erros. Parece insensato falar isso, mas é a mais pura verdade.Sua experiência de vida, sua personalidade, seus defeitos e qualidades vêm de seus erros não dos seus acertos, pois, somente mudamos quando erramos, ninguém muda quando está acertando. 

Por isso é tão importante aprender a perdoar-se.Para poder evoluir. 


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Sobre o autor

Roberto Recinella

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rrecinella@terra.com.br



Roberto Recinella , M.B.A pela Fundação Getulio Vargas em “Gestão de pessoas em ambiente de mudanças”.

* Eleito um dos 25 maiores nomes em motivação corporativa no Brasil sendo um dos colaboradores do livro “ Gigantes da Motivação” Ed Landscape

* Autor do livro: “É divertido fazer o impossível” Editora Casa da Qualidade

* Autor do Áudio livro “Superando limites” da Editora Audiolivro

* Assista palestras com Roberto Recinella ao vivo pelo site www.aulavox.com.br toda á 2a feira ás 19h

Professor Titular da disciplina “Liderança e motivação de equipes de vendas” No M.B.A “Gestão Estratégica de Vendas Nacionais e Internacionais” Faculdade Integrado de Campo Mourão-Pr



Atualmente o único bem na empresa que não pode ser copiado são as pessoas , o talento faz a diferença.

Especialista com experiência generalista eclética , formado , MBA/FGV - Gestão de pessoas em ambiente de mudanças.

Seu foco é auxiliar empresas , atingir suas metas. Mais de 10 anos experiência na área de T&D , desenvolvimento Humano , vendas com uma visão ampla de negócios.

Organize para a sua empresa cursos e palestras com Roberto Recinella : atua há mais de 10 anos na área de vendas, é fundador e coordenador do Projeto Sole Mio - newsletter semanal de sucesso atualmente assinado e recebido por mais de 8.000 pessoas, envolvendo temas sobre marketing e vendas com ênfase motivacional - é colaborador na coluna –Pensadores- do site www.vendamais.com.br , possui textos publicados nos mais diversos sites e newsletters do setor. Atuando também na área de consultoria e coaching de vida.

Trabalhamos com empresas de todos os ramos e tamanhos auxiliando-as a elevar a sua produtividade e com isso aumentando sua lucratividade.

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