
Senhores,
Em democracias incipientes como a brasileira , é fácil confundirmos política de Estado , economia e negócios ; com política partidária , interesses eleitoreiros , e ideologia , que servem estritamente como instrumento de defesa dos interesses de (in)determinados grupos políticos. Não raro , essas ramificações obscuras estão presentes na feitura de artigos técnicos elaborados por economistas e administradores.
Ora , decisões econômicas e administrativas , sejam públicas ou privadas , são decisões políticas em alguma medida , é impossível arbitrar a medida exata. Todavia , o debate e a clareza nas hipóteses e proposições em artigos técnicos escritos sob a forma de manifesto ou folhetim político , inviabiliza a compreensão do objeto (propósito) do artigo e obstaculiza o próprio debate pela argumentação monossilábica do articulista.
"Quando o único instrumento que se tem é um martelo , todo problema que aparece você pensa que é um prego."
(Mark Twain)
É difícil construir reputação de bom articulista , mas bastam dois ou três artigos que recebam rótulo (qualquer que seja) pelo público leitor , para que o articulista seja lido somente pelo público cativo de pensamento predeterminado.
O bom articulista não tem a missão de escrever para agradar a todos os públicos , mas , deve ou precisa equilibrar argumentos técnicos com argumentos políticos , não importando a escola de pensamento que siga ; não se trata de cientificismo puro ou excesso de academicismo , porque desde a Idade Antiga , a Ciência sempre teve que se equilibar com os poderes políticos estabelecidos fazendo o contraponto ao absolutismo nas idéias políticas e sociais.
Assim , é possível ler pensadores e articulistas tão distintos uns dos outros como Taylor e Fayol ou Celso Furtado e Roberto Campos. Lendo esses autores , sobra espaço para constestação técnica apenas , não pelo purismo técnico em si , mas pela subordinação correta da argumentação política ao técnico , porque se compreende claramente o expectro político do articulista sem que este fira a técnica de argumentação e seu próprio pensamento , e se mantenha o respeito ao pensamento político do leitor , fazendo com que ele o leia novamente apesar das divêrgências sobre política partidária e eventualmente , ideologia.
No mundo da política institucional (ou partidária) , dá-se o contrário , ou seja , os argumentos políticos freqüentemente sobrepujam os argumentos técnicos , e precisa ser assim , pois , as decisões econômicas e administrativas são decisões políticas , para que a sociedade representada na política partidária possa influir como puder para promover seus direitos ; mas , cabe ao ariculista trazer o leitor ao mundo das idéias que devem nortear as buscas aos seus direitos e deveres com a nação e expor as alternativas para tais , e fazer com que ele (leitor) compreenda que o custo político do proselitismo de ignorar fatos econômicos e administrativos , será maior , depois , para efeito de correção.
Saudações.
Carlos Cezar
Carlos Cezar Russo - Economista e Administrador.
.
carloscezarcezar@yahoo.com.br
.
Áreas de interesse : Análise econômica conjuntural e estrutural de cenários.