As mudanças devem anteceder as tragédias

AS MUDANÇAS DEVEM ANTECEDER ÀS TRAGÉDIAS

Estou encerrando um novo livro, cujo título sugerido é “VOCÊ PODE SER A MELHOR PARTE DA SUA VIDA”. Neste livro, uno a ciência, a espiritualidade e técnicas como a Programação Neurolinguistica para mostrar às pessoas os límpidos, mas às vezes sombrios, suaves, mas às vezes íngremes caminhos rumo ao sucesso. Defino também o que é sucesso, delineando uma estrada à sua consecução. Resolvi compartilhar o penúltimo capítulo desse livro com os assíduos leitores dos nossos artigos publicados por vários sites e revistas especializadas no treinamento e desenvolvimento pessoal e profissional. Convido-o a fazer uma linda viagem pelo texto.

As mudanças devem anteceder às tragédias!

Por qual motivo você vai ao médico? Ou você não vai? Quantas dores de dente você precisa sentir para ir ao dentista? Por qual motivo será que não nos antecipamos às tragédias, ínfimas ou gradas?

Recordo-me de um acontecimento que atuou como limitador dessa questão de antecipar-se para que não ocorra algo mais grave conosco ou com outros seres. Na minha residência há janelas com grandes vidros na churrasqueira. Além de grandes, eles ficam a uma pequena altura do chão, pois ficam nos fundos do imóvel. Um dos meus cachorros, um Labrador, cujo nome é MAX, que pesa aproximadamente 40 Kg, da cor chocolate e olhos verdes, transita todos os dias num espaço que fica entre a churrasqueira e a lavanderia, num canil improvisado. Não sei se o leitor conhece a raça de labradores, mas se não, posso lhe dizer que eles são como crianças grandes. Vivem espalhando lixo, mordendo coisas (tudo) e, como forma de demonstrar o carinho que sentem, elas pulam com as duas patas dianteiras gigantes nas pessoas. Eu o tenho desde que nasceu. À medida que foi crescendo sua altura permitia que ele pulasse sem tocar os vidros da janela que mencionei. Chamávamos sua atenção, porém, ele não se preocupava nenhum pouco. Minha esposa, por várias vezes, alertava-me dizendo: “precisamos providenciar uma proteção para essa janela. O Max vai quebrar esses vidros”. Cheguei a pedir alguns orçamentos, porém, todos eles passaram de R$200,00 (duzentos reais), algo em torno de U$120,00 (cento e vinte dólares). Eu achava que não era justo eu gastar esse montante por causa do meu cachorro. Resolvi não gastar.

O resultado foi que, passados oito meses, o Max, com seu ímpeto pulador, estilhaçou os vidros da janela com um salto fenomenal. Cortou as duas patas dianteiras. Ficou uma semana internado da clínica veterinária, teve de tomar vacinas e usar outros medicamentos durante mais de um mês. Ao final, o custo pela falta de antecipação foi de cerca de R$600,00, três vezes mais que o custo para ter protegido a janela e ele. Eu e minha querida esposa não gastamos isso quando vamos a hotéis!
Essa hilariante narrativa nos remete à sinceridade dos fatos e dos eventos em nossa existência. Normalmente, esperamos perder, sentir dor, sofrer, para então tomar providências. Todos os médicos afirmam que a melhor cura é a prevenção. Para evitar tragédias e episódios desagradáveis em nossas vidas, é a mesma coisa.

Entrevisto uma quantidade imensa de funcionários e candidatos a emprego, nas empresas que presto consultoria. Para todos eles conto histórias sobre prevenções. Não espero que façam algo errado na empresa para então chamá-los novamente à conversa.

Na etapa de entrevistas para vaga de padeiro numa das panificadoras que presto consultorias, perguntei ao candidato como ele poderia ajudar a empresa aumentar os lucros. Perplexo, ele me disse que o trabalho dele era o de apenas fazer os pães bem feitos e que o lucro deveria ser monitorado pelos donos, tendo em vista que o que interessava a ele era o seu salário no final de cada mês. Foi demitido antes mesmo de ser contratado.

Pequenas tragédias vão se acumulando em nossas ações, até se tornarem enormes. Um padeiro como aquele, nenhuma panificadora precisa, pois está registrado na mente desse indivíduo, na memória de longo prazo, que ele precisa apenas fazer pães e nada mais. Talvez, o ato de fazer o pão seja o que menos lucro gere à empresa, haja vista que, é possível que a empresa esteja desperdiçando matéria-prima e necessita de profissional que tenha mais zelo na profissão. Vejo em centenas de empresas erros como esse. A preocupação é com o produto final, em que ele chegue ao cliente com toda qualidade, porém, as perdas entre a produção e a venda são gigantes e, quase nunca, são possíveis de repassar aos consumidores. Logo, não adianta vender grandes quantias de produtos que não são rentáveis ou, aumentar o preço para ampliar rentabilidade, se os clientes não estiverem dispostos a pagar por isso.

O processo de custo industrial, comercial ou de serviços, é um dos elementos mais importantes à manutenção das organizações e que merece toda atenção. Pode começar como um pequeno problema e encerrar numa catástrofe, culminando com o fechamento da entidade.

Outro drama na vida das empresas é a permanência de gerentes, chefes, presidentes cuja soberba é sua moeda de troca, onde mais vale o que eles têm (cargos, funções, salários) do que o que eles são.

Mais uma pequena tragédia é o funcionário descomprometido, que não produz ou não atende ao cliente de forma encantadora e que nunca está disposto a mudar para melhor, pois acredita que é onisciente, onipotente.

Some a tudo isso a falta de diálogos nos momentos de tomada de decisão, a ausência de compartilhamento de informações e de aceitação de idéias e terá um relevante motivo para a queda das empresas, reveladas aos quatro ventos pelos órgãos de pesquisa. Aqui no Brasil, o índice de mortalidade de empresas é de mais de 50%, em menos de dois anos de vida.

Nas salas de aula, uma pequena tragédia é a rigidez dos conteúdos programáticos e das formas de avaliações, que formam pessoas não pensantes e sufocam pensadores.

Leia esta história: os professores avaliam Pedro e João de maneira tradicional. João realiza o teste de Matemática e, depois de olhar as questões, percebe que tem condições de resolver três questões. As demais ele sequer tenta fazer. Ele acerta as três questões que resolveu, de um total de dez. Sua nota então é 3. Pedro, ao olhar a prova, percebe que duas questões estão na ponta da caneta e as responde. Todavia, as demais questões ele não está convicto de que saberá resolvê-las. Dá início a uma trajetória fantástica. Lê, relê, analisa, faz cálculos, recálculos, tenta esclarecer pequenas dúvidas com o Professor, que não lhe dá atenção e não lhe instiga a pensar. Contudo, depois de duas horas de árduas tentativas, Pedro resolve todas elas. Na revelação das notas, João teve nota 3 e Pedro obteve 2,5. Pelo método tradicional, qual é o melhor aluno? Para a vida pessoal e profissional, qual será o melhor ser humano?

O modelo educacional é o de punir pelo erro. Logo, os alunos decidem não ter iniciativa, nem arrojo de tentar, haja vista que terão a mesma nota se não fizerem nada ou se fizerem e errarem. Inconscientemente, registra que o constrangimento é menor por não fazer do que fazer e errar. Não é diferente na vida pessoal e profissional.

O disparate é que, quando professores procuram analisar o comportamento dos alunos, entender suas frustrações, ouvir seus questionamentos, dar atenção aos seus problemas como ser humano, para que possa avaliá-los de maneira inteligente e diferenciada, muitos dos educandos afirmam que o melhor mesmo é o método intransigente das meras provas com atribuição de notas pelo certo ou errado. Isso acontece porque os pobres estudantes não são preparados para as mudanças, para o que é diferente e exige bem mais deles do que decorar algumas fórmulas, linhas ou páginas.

Uma significativa tragédia ocorre nos bastidores da nossa alma quando perdemos um ente querido, tendo em vista que há tempos prometíamos de visitá-lo. O mesmo acontece com o filho que perde o pai ou a mãe antes de pedir-lhe perdão pelas indeléveis ofensas que fez.

Esperamos as doenças furtarem toda nossa saúde para iniciar tratamentos. O câncer, por exemplo, quando detectado na fase inicial, segundo os médicos, tem mais de 90% de chance de ser curado. No entanto, as pequenas dores estomacais, intestinas, de cabeça, nas mamas, manchas estranhas na pele, mesmo que sejam potenciais evidências dessa patologia não são cuidadas no início. As formas mais comuns dessa monstruosa patologia são os cânceres de pele, pulmões, intestino, mama, próstata, trato urinário e útero. Ainda assim, as pessoas preferem não “gastar” com exames preventivos, por mais que percam fortunas em tentativas sofríveis de buscar a cura tardia.

Corremos com nossos veículos a mais de 150 Km/h e nos julgamos capazes de controlar todos os movimentos do automóvel nessa velocidade. Ainda que sejamos exímios motoristas, não podemos prever quais serão os movimentos dos demais condutores nas estradas. Essa é uma das principais razões do alto índice de acidentes no mundo inteiro.
Precisamos que um desastre ocorra em nossa vida ou na vida de alguém que gostamos, que conduz de forma negligenciadora seu carro, para que então passemos a perceber o risco que, literalmente, corremos nas estradas.

Jovens e não tão jovens após ingerirem doses consideráveis de bebida alcoólica, sentam-se ao banco do motorista e dão início àquela que poderá ser sua última viagem terrena, causando, além da cessação da sua existência, muitas vezes, o fim da vida de indivíduos do seu convívio e outros que ele sequer viu o brilhar dos olhos.

Meus amigos, precisamos exterminar da nossa caminhada comportamentos arrogantes, soberbos, humilhadores, desrespeitosos, que tanto prejudicam a nós mesmos, como também são contraproducentes a tantas pessoas que gostamos, conhecemos, temos relacionamentos e, a outras que nem tivemos o prazer de conhecer, ainda assim, pelo comportamento desumano que praticamos, fizemos sucumbir.

As tragédias ocorrem também nas empresas, quando o funcionário A usa o B como escada, pisoteando os trabalhos deste para evidenciar os seus. Tragédias também ocorrem quando não pensamos antes de reagir, e cometemos as maiores atrocidades da nossa vida, por não termos analisado a situação por trinta segundos, que salvariam relacionamentos de tantos anos e também vidas.

Enfim, tragédias são o cárcere e a libertação do indivíduo. Muitos só ressurgem, como a Fênix, das cinzas, após serem acometidas por tragédias. Outros se afundam nelas e se tornam prisioneiras sem algemas visíveis, ainda que sua alma esteja trancafiada na solitária existência.

Possivelmente, uma das maiores catástrofes do ser humano é saber o que precisa ser feito e não fazer, pois não somos responsáveis apenas pelo que fizemos, mas também, pelo que não fomos capazes de fazer.

Contudo, não precisamos de nenhuma tragédia para ter o toque de despertar no processo existencial pelo qual devemos passar. Uma pessoa inteligente aprende quando erra; uma pessoa sábia aprende quando os outros erram (Cury, 2004).

Repense suas decisões, caro amigo leitor. Procure mudar por prevenção e não para se curar dos males que existem em todos os lugares. Cabe a você não buscá-los ou permitir que tomem conta da sua espetacular vida.

Enquanto eu escrevia este livro, uma pessoa querida, sogra de um primo meu acabou falecendo. Ela tinha 55 anos de idade. Segundos seus familiares, ela há tempos vinha sofrendo de alguns males, porém, continuava a adiar uma visita ao médico. Tinha colesterol alto. No entanto, não mantinha uma alimentação saudável. Faleceu de enfarto do miocárdio. Na cabeceira da sua cama, ficaram vários comprimidos para o coração. Ela encerrou seu ciclo na terra enquanto dormia ao lado do seu neto, de 13 anos, que, ao acordar, tocou na vovó já sem vida. O menino correu avisar sua mãe. Os dois choraram por largo tempo ao lado do corpo sem vida, cujo espírito e alma deviam estar ao lado do Mestre da Existência.

O esposo dessa senhora laborava por meses em outra cidade, bastante distante de onde se encontrava sua amada. Permanecia por lá entre 5 a 6 meses, para então, regressar por alguns dias e, novamente, logo partir. Várias foram as vezes em que cancelou sua vinda em épocas festivas, como Natal, Páscoa, aniversário de casamento. Contudo, sequer esboçou alguma possibilidade de não comparecer ao funeral de sua amada quando seu telefone tocou morbidamente. Revelaram a ele que sua esposa havia falecido. Sem acreditar, deslocou-se em menos de 8 horas numa viagem que duraria em média 10 horas. Ao chegar, notou que não havia dado o devido valor à esposa enquanto ela ainda respirava o ar maravilhoso que nos é dado. Enquanto ela ainda usufruía de boa saúde para juntos, aproveitarem o frescor da brisa de inverno, para caminharem juntos, descalços, no orvalho que inebria pela manhã.

Por que somos assim? Por que não valorizamos quem amamos, aproveitando enquanto gozam de saúde? Preferimos visitar nossos entes quando se encontram enfermos em vez de fazê-los os momentos de comemorações. Somos especialistas em orar pelos doentes, no entanto, somos ignorantes em agradecer pela saúde. Choramos desesperadoramente nos funerais. No entanto, não sorrimos quando recebemos um sincero abraço no dia seguinte ao nosso aniversário, recriminando a pessoa que abraçou por ter esquecido a data. Lembramos de tudo que não fizemos pela pessoa que está inerte no caixão. Remoemo-nos pelas vezes que não dissemos que a amávamos. Contudo, continuamos a não ter boas atitudes com os que ficam.

Pedimos perdão pelas vezes que falhamos com os entes queridos que enfrentarão a solidão do sepulcro, mas não somos capazes de nos redimir diante dos que ficam em vida aos quais também cometemos falhas.

Qual é o motivo pelo qual somos mais próximos nas tragédias e nos afastamos de momentos alegres? Por que reconhecemos nossas falhas e erros depois do último suspiro de vida das pessoas que amamos e passado algum tempo, esquecemo-nos das promessas que fizemos diante daquele corpo sem vida?

Filhos choram nos velórios dos seus pais. No entanto, os faziam chorar enquanto estavam vivos oferecendo-lhes momentos tristes. Não foram capazes de abraçar, beijar, acariciar os cabelos dos pais. Agora, no corpo que sucumbiu à vida, debruçam-se para dar o último adeus, lamentando seus maus feitos.

Filhos viciados em todo tipo de drogas estraçalharam a possibilidade de felicidade dos pais. Usurparam seus melhores dias para zelar por eles. Agora, diante do túmulo, lamentam-se pelas falhas cometidas. Preferiram alucinações e mentiras, a encantar os pais com um abraço fraternal e com um beijo acalentador em suas faces.

E você, tem feito promessas diante da perda dos seus entes queridos? Tem cumprido-as? Ou tem preferido dar e ser o melhor que pode para aproveitar os extraordinários momentos da nossa efêmera passagem?
Filhos que discutem com seus pais, bradando palavras ofensivas e deseducadas aos seus genitores, que, com todo carinho zelaram por suas vidas. Agora, diante da última morada do corpo desfalecido caem lágrimas de arrependimento.

Por que somos assim?

Um grande abraço, felicidades sempre.

Professor Paulo Sérgio
www.professorpaulosergio.com.br

 





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Sobre o autor

Professor Paulo Sérgio

Professor Paulo Sérgio Buhrer, graduado em Ciências Contábeis pela UNICENTRO, com Pós-Graduação em Gestão e Auditoria de Negócios. Ministra palestras e eventos por todo o território nacional. É professor de disciplinas como Contabilidade, Gestão Empresarial, Marketing, Vendas, Liderança, dentre outras. Há mais de 12 anos contribui para a formação e desenvolvimento pessoal e profissional. Sua ênfase é na formação de profissionais extraordinários.



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Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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