
CAFÉ DA MANHÃ
Chovia fino e dava para ouvir o suave barulho da água escorrendo pelo telhado. A manhã estava calma e o quarto ainda tinha o cheiro da noite bem dormida. Por preguiça meus olhos demoraram a se abrir e não me permitiram assim perceber que já passava das nove.
Com um salto magnífico, digno de um atleta olímpico, levantei assustado, xingando e chutando todos os objetos que encontrava pelo caminho até o banheiro.
“Maldito relógio, que não me acordou a tempo!”, resmunguei comigo mesmo tentando achar um culpado imediato para aquela situação lastimável, que poderia comprometer meu emprego. E logo eu, que tinha a fama de sempre chegar ao trabalho antes do horário.
Nada podia mais fazer a não ser correr o suficiente para conseguir sair de casa me arrumando pela rua e, pior de tudo, sem o costumeiro café da manhã.
O banho, as roupas, os sapatos na mão, o cinto que foi esquecido, o cabelo mal penteado, tudo isso numa fração de segundos. E lá estava eu a caminho do corredor de casa já avistando ao fundo a porta da rua, e desejando que estivesse aberta para que mais tempo ainda não fosse desperdiçado.
Parei por uns segundos para calçar os sapatos quando ouvi uma voz serena da cozinha:
- Vai sair, meu filho? – perguntou minha mãe
- Bom dia mãe – respondi - estou atrasadíssimo e não vai dar nem pra tomar café.
- Mas compromisso assim tão cedo? O que houve?
- Por favor, eu já não disse que estou atrasado?
- Mas meu filho, você agora trabalha aos domingos também?
Neste exato instante percebi que não fora o relógio que havia falhado ao não me despertar, e sim a minha memória, que me pregou uma peça daquelas. E num tremendo domingo chuvoso!
Já mais calmo sentei à mesa, tomei o café com minha mãe e voltei à cama para dormir o resto da manhã.
1981-1984 - Técnico em Química - Colégio Plínio Leite
2004-... - Administração - AIEC (não concluído)