A EAD no Ensino Superior

Elaine regina,
A partir da década de 50 o Brasil passou a sentir a aceleração no ritmo de transformação, o que gerou uma revolução tecnológica (revolução digital), que tem o intuito de reduzir custos, aumentar a produtividade e a eficácia nos resultados, alem de formar uma sociedade que é considerada como um fator estratégico de desenvolvimento e competitividade. No ramo educacional, a tecnologia da informação tem sido aplicada nos processos de ensino e aprendizagem, abrangendo todas as atividades desenvolvidas pelos recursos da Informática, tais como, Ensino a Distância – EAD. Nos últimos anos, discuti-se muito sobre o novo paradigma na educação que deve responder as mudanças na sociedade do conhecimento e da informação. A tecnologia de informação transformou as exigências de qualificação e formação do jovem, modificando o nível da função e da estrutura da escola e universidade. Com o intuito de atender a procura por uma formação com qualidade e de forma que atualize também os conhecimentos, quando necessário, surge no século XX a Educação a Distância /EAD, uma alternativa que utiliza a tecnologia da informação e comunicação para atender as exigências sociais e pedagógicas. O cenário educacional brasileiro vem mostrando uma forte tendência de flexibilização e incorporação de novas tecnologias e metodologias para otimizar e melhorar a qualidade do ensino superior, permitindo o desenvolvimento de cursos utilizando estratégias, ferramentas e recursos presenciais e não presenciais priorizando a aprendizagem do aluno. O acesso ao ensino superior no Brasil surgiu no final do Século XIX, onde apareceram as primeiras instituições culturais e científicas. Já as universidades, começaram a surgir somente em 1912. (SOUZA, 2002) No período colonial, as únicas iniciativas para a educação no Brasil, vieram dos jesuítas, sendo que essa educação era voltada somente para catequese religiosa. Na época os filhos de grandes latifundiários tinham que ir para Europa para obter a formação universitária. A iniciativa de criar escolas de ensino superior no Brasil só começa em 1808, com a chegada da família real, exemplo disso são as escolas médicas na Bahia e Rio de Janeiro como o Colégio Médico-Cirúrgico da Bahia e o ensino de Anatomia no Hospital Militar do Rio de Janeiro, criadas em fevereiro e abril daquele ano. O surgimento da Universidade de São Paulo-USP, que reúne todos os cursos do estado de São Paulo, caracterizando o surgimento de um novo modelo de universidade que propõe o ensino, a pesquisa e a extensão. Com isso são criadas outras universidades federais no Brasil em 50 à 70, e mais uma série de universidades estaduais, municipais e particulares. (SOUZA, 2002) Durante o Governo de FHC, em 1999, foi encaminhado ao Congresso Nacional o projeto de lei do Plano Plurianual 2000-2003 - o Avança Brasil, que é um projeto de desenvolvimento nacional e um instrumento de modernização da gestão pública direcionando seletivamente recursos principalmente para investimentos na área social, para ampliar o acesso da população à saúde, à educação, à segurança, à habitação e ao saneamento. Como efeito das ações do Projeto Avança Brasil, o fluxo no ensino fundamental e médio melhorou, impactando no número de matriculas no ensino superior em instituições publicas e privadas. As novas tendências educacionais estimulam os professores e alunos para a pesquisa e busca de conhecimento, na tentativa de ampliar e qualificar as discussões em sala de aula. O professor é o facilitador do desenvolvimento do censo crítico e criativo na utilização e aplicação das informações adquiridas. As ferramentas tecnológicas colocadas à disposição dos professores e alunos facilitam o acesso à interatividade, ao hipertexto e Internet, oferecendo suporte ainda nos recursos da mídia eletrônica como: rádio, televisão, cinema e vídeo, que cada vez mais são utilizados no mundo globalizado. Trazendo ainda algumas vantagens para as universidades, professores e alunos. Quadro 1 - Vantagens da aplicação das ferramentas tecnológicas no ensino: Para os Professores - Motivação na elaboração das atividades; - Facilidade e velocidade no acesso as informações; - Maior exposição à tecnologia; - Navegar pelos diversos campos do conhecimento. Para os Alunos - Aulas mais atrativas e dinâmicas; - Rompimento da relação de superioridade do professor / aluno; - Estimulo para a apreensão ética e qualitativa das informações; - Aprendizado como experiência cooperativa. Para as Universidades - Professores qualificados e comprometidos com a Instituição e sua missão; - Desenvolvimento de atividades interdisciplinares; - Qualificação cultural e social de professores e alunos; - Diferencial da Instituição como vanguarda na adoção de novas tecnologias e novos paradigmas pedagógicos. Fonte: Elaboração Própria Segundo Preti, as experiências educativas à distância já existiam no final do século XVIIIº, se desenvolvendo com êxito a partir da segunda metade do séc. XIX, para qualificação e especialização de mão-de-obra. No Brasil não se tem uma data ou época exata do surgimento da EAD. Baseada na informação do autor Alves, segue algumas instituições de educação a distancia implantadas no Brasil: § Instituto Universal Brasileiro, em 1941; § Igreja Adventista, em 1943, lança programas radiofônicos; § Diocese de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, criou em 1959 algumas escolas radiofônicas; § Ocidental School, em 1962; § IBAM - Instituto Brasileiro de Administração Municipal - iniciou suas atividades de EAD em 1967; § Fundação Padre Landell de Moura, em 1967, cria um núcleo de EAD; § Associação Mens Sana, com cursos a partir de 1967; § Centro de Ensino Técnico de Brasília, em 1968; § Cursos Guanabara de Ensino Livre, em 1969; § Instituto Cosmos, em 1970; § Centro de Socialização, em 1972; § Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação, em 1973; § Universidade de Brasília, em 1973; § Centro de Estudos de Pessoal do Exército Brasileiro, em 1974; § Universal Center, em 1974; § Fundação Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos, vinculado ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1975; § Cursos de Auxiliares de Clínica e de Cirurgia, em 1975; § Instituto de Radiodifusão da Bahia, em 1975; § Empresa Brasileira de Telecomunicações - EMBRATEL, em 1976; § Banco Itaú, em 1977; § Associação Brasileira de Tecnologia Educacional - ABT, em 1980; § Centro Educacional de Niterói, em 1980; § Banco do Brasil, em 1981; § Universidade Federal do Maranhão, em 1981; § Colégio Anglo-Americano, em 1981; § Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior, em 1982; § Escola de Administração Fazendária, em 1985; § Projeto Rondon, em 1986. A educação a distância tem características próprias, de forma que engloba o ensino a adultos trabalhadores com pouco tempo para estudar e distantes de núcleos de ensino. Sendo assim, considerada uma modalidade não-tradicional, típica de uma sociedade industrial e tecnológica, que abrange diversas formas de ensino-aprendizagem, com métodos, técnicas e recursos no alcance da sociedade. Diante de diversos estudos no âmbito de ensino a distancia já foi comprovada eficácia e eficiência deste método, alem de sua qualidade. Mas esta modalidade ainda sofre preconceitos e resistência. Para García Aretio (1995), a EAD distingue-se da modalidade de ensino presencial por ser “um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser massivo e que substitui a interação pessoal na sala de aula entre professor e aluno como meio preferencial de ensino pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e o apoio de uma organização e tutoria que propiciam uma aprendizagem independente e flexível”. A EAD é um modelo pedagógico abrangente que usa novas tecnologias no intento de atingir seus objetivos educacionais considerando as necessidades do público. De maneira que seu público alvo deve ter certa maturidade e motivação para aderir à técnica de auto-aprendizagem. “Um novo universo educacional está em processo de descortinar-se, e é urgente ter preparo adequado para corresponder ao que de admirável ele oferece. Com a democratização do uso da tecnologia digital, a internet na educação a distancia deu um grande salto que abre perspectivas e lança desafios inéditos, mais complexos e exigentes de cabal domínio das conexões estabelecidas.” (FILATRO, 2004). As universidades criaram, em 1989, a Rede Brasileira de Educação Superior Aberta e a Distância - READ, congregando esforços entre as instituições de nível superior que possuíam na época setores de EAD. A falta de apoio governamental fez com que não houvesse avanços, uma vez que não foram alocados recursos para implementação do trabalho, segundo Alves. Atualmente a EAD se tornou no Brasil uma modalidade de ensino em crescimento nas universidades públicas e privadas, alem de empresas educacionais. A expansão da internet na década de 90 impulsionou o crescimento da EAD nas Instituições de Ensino Superior. A internet se tornou o meio principal de tendência de todas as tecnologias educacionais de informação e do conhecimento. De acordo com Pires, as primeiras experiências de uso da EAD passaram a ser difundidas a partir de iniciativas de educadores e professores das instituições públicas de Ensino Superior, mas atualmente, mais de 63% (Folha de São Paulo, 08/07/2001) dessas demandas são atendidas por IES privadas que estão querendo, também, oferecer outras alternativas como a EAD. Os avanços ocorridos nos últimos anos em tecnologia de informação e comunicação acarretaram no surgimento de novas maneiras de acompanhamento e mediação pedagógica, avanços nos mecanismos de interatividade e ampliação da escala social da prestação dos serviços educacionais. O ensino superior no Brasil tem dois desafios que são: de atender a quantidade com qualidade. Já que temos um grande contingente de alunos do ensino médio interessados em ingressar em uma universidade. Desta forma a implantação da EAD nas universidades tem expandido com o objetivo de abranger uma quantidade elevada de alunos. O investimento da IES privadas em EAD tem superado o investimento em estrutura física (sala de aula, biblioteca e etc.), já que esse modelo de ensino expande o numero de alunos (clientes) e os professores passaram a ser tutores terceirizados, desta forma diminui as obrigações trabalhistas das IES. Alem de ser também considerado por estas IES como uma estratégia de crescimento e inserção competitiva no mercado educacional. No ponto de vista de Pires, “as IES públicas não podem prescindir das prerrogativas de definir estratégias para enfrentar a globalização, o neoliberalismo e o colapso dos serviços de utilidade pública. Entre as principais alternativas que as IES cumprem implementar estão: a) incrementar o ensino presencial desenvolvendo novas estratégias e tecnologias educacionais através da EAD; b) garantir a qualidade da educação através do controle autônomo e democrático de acesso e de avaliação da mesma ; c) valorizar e qualificar o trabalho do profissional de educação, que continua sendo um ator primordial no processo de ação pedagógica, mesmo com a expansão da EAD; d) estruturar telecentros e laboratórios de ensino nos quais sejam desenvolvidos cursos semi-presenciais gratuitos de extensão e graduação em EAD; e) propor infra-estruturas e plataformas tecnológicas, consubstanciadas em softwares livres de código aberto, que propiciem a efetiva democratização digital do ensino e do conhecimento produzido na internet .” O uso de EAD nas IES unida a softwares livres pode diminuir a exclusão educacional, permitindo o acesso a tecnologias baratas e ao ensino às pessoas que ainda não puderam ingressar numa Universidade. No Brasil já existem várias iniciativas de ensino a distância, alguns utilizando vídeo conferência e outros com projetos via Web. Muitas instituições estão fazendo parcerias com universidades do exterior para trazer a tecnologia de ensino à distância. Mesmo fazendo parcerias com instituições do exterior, as nossas instituições vêm iniciando projetos de ensino via Web, complementando as aulas tradicionais para que os docentes possam ir absorvendo a tecnologia e a metodologia. A existência de motivação e até o entusiasmo, apesar de todas as dificuldades existentes na implementação da idéia do Ensino a Distância, parece estar ligada à possibilidade de mudanças conceituais no lidar com o saber. De fato, com as modernas ferramentas de comunicação, a difusão do saber passa a ser um processo sem localização geográfica, contínua e duradoura, em substituição ao sistema de transmissão discreta do conhecimento vinculada a um intervalo de tempo e endereço espacial. O destaque entre ensino e aprendizado deve mudar radicalmente: Ensino / Aprendizado → Ensino / Aprendizado, Por tudo que foi abordado anteriormente, podemos dizer que a educação a distância é uma modalidade de ensinar e aprender altamente democrática, pois iguala as oportunidades de acesso ao saber, ao conhecer e fomenta a educação permanente. Portas se abrem para muitos, cria-se a possibilidade do aprendizado sem fronteiras e em diversos níveis para um grande número de interessados, independente do espaço e tempo. Outro fator a considerar é que essa modalidade de educação favorece e incentiva o desenvolvimento da autonomia do sujeito em seu processo de aprendizagem, pois lhe dá condições de gerenciar com responsabilidade e liberdade seus estudos e pesquisas enquanto recebe das agências formadoras material de qualidade, orientações precisas, apoio na resposta às sua dúvidas e questionamentos e retorno às avaliações em processo. Afinal, estamos apenas discutindo métodos de ministrar o ensino que aumentam a eficiência e diminuem custos. Não esqueçamos que a questão fundamental é o domínio do conteúdo a ser ensinado. O professor sempre terá o papel fundamental no processo de ensino. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Alves, João Roberto Moreira. Educação a Distância e as Novas Tecnologias de Informação e Aprendizagem. Artigo do programa: Novas tecnologias na educação. Filatro, Andréa. Design Instrucional Contextualizado. Educação e Tecnologia. Editora Senac. São Paulo, 2004. GARCÍA ARETIO, Lorenzo. Educación a distancia hoy. Madrid: UNED, 1995 (Colección Educación Permanente). Pires, Hindenburgo Francisco. Universidade, Políticas Públicas e Novas Tecnologias Aplicadas à Educação a Distância. Artigo publicado na Revista Advir Nº 14, Rio de Janeiro, pp.22-30, 2001, ISSN 1518-3769. Preti, Oreste. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: uma prática educativa mediadora e mediatizada. SOUZA, Paulo Nathanael P., Estrutura e Funcionamento do Ensino Superior Brasileiro, publicado no site www.universa.com.br/materia.jsp no dia 30/01/2002.
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