A importância da vivência internacional para a carreira de advogado

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   De acordo com a OAB (2018), hoje são 1.093.442 advogados atuando no País, ou 52,3 advogados por 10 mil habitantes (209.192.000 habitantes ), se esta conta for aplicada estado a estado, a média de advogados por 10 mil habitantes poderá variar. Para ilustrar essa variação, a relação para o estado de SP é de 67,1 advogados por 10 mil habitantes, já no CE essa relação é de apenas 30,1 por 10 mil habitantes. A carreira de Advogado é muito atrativa, não apenas por se tratar de uma bela profissão, mas por possibilitar atuar em múltiplas áreas, como: Arbitragem internacional, Direito Administrativo, Direito Ambiental, Direito Civil, Direito Comercial, Direito do Consumidor, Direito Contratual, Direito Penal, Direito da Propriedade Intelectual, Direito da Tecnologia da Informação, Direito Trabalhista e Previdenciário, Direito Tributário, Advocacia Pública, Delegacia de Polícia, Magistratura, Ministério Público. Ainda é possível optar por atuar em uma empresa, ter o próprio escritório, se juntar a algum ou atuar como consultor independente.

   Mesmo com todas essas possibilidades, para o pesquisador Ivar Hartmann, professor da FGV Direito Rio, a resposta à primeira questão é um sonoro não. Para ele, existe um contingente desproporcional de alunos de Direito atraídos por uma promessa de salários e de garantias de funções públicas exclusivas que são desproporcionais ao que se paga, em média, no setor privado. 

   A visão do pesquisador Ivar Hartmann ganha corpo se analisarmos a atual conjuntura econômica, com sérias consequências no mercado de trabalho, e, assim como as demais profissões, o profissional do Direito também é fortemente impactado por isso. Este encolhimento na economia gera forte pressão na competição por vagas no mercado de trabalho, com excesso de profissionais e vagas escassas.

   Apesar da absoluta correção da afirmação do pesquisador Ivar Hartmann, o contraponto apontado pelo o diretor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Felipe Chiarello, a diferenciação por competência é o caminho, ele afirma o seguinte: “O mercado nunca está saturado para quem é bom. O aluno tem que saber o que quer, otimizar o resultado depois que se formar. É importante, por exemplo, ter uma publicação de qualidade no final da graduação para mostrar para um futuro empregador que ele é diferenciado” .

   Tendo a concordar integralmente com a fala do Professor Chiarello, o mercado sempre terá espaço para quem é bom. Acreditar que ter o Diploma de Direito é garantia de sucesso pode ser um erro que custará caro.

   As empresas estão buscando profissionais com visão global, que somem conhecimento e tenham talento. A área do Direito não fica fora disso e muitos profissionais não tem perdido tempo. Aqueles mais atentos a essas demandas de mercado, tem dedicado tempo e recursos para buscar, no exterior, formações e experiências que complementem seu arsenal em busca de diferenciação em um ambiente cada vez mais competitivo.

   A partir da contextualização acima, é hora de verificar que caminhos são possíveis para obter a experiência internacional e a tal visão global que trará muitos benefícios para vida profissional e pessoal.

   Antes é bom lembrar as diferenças que encontrará de acordo com o País da sua escolha. Nos países que herdaram o sistema jurídico da Inglaterra, é adotado o sistema common law, como Reino Unido, a maior parte dos Estados Unidos, Canadá e Austrália. A índia e Africa do Sul adotaram uma versão adaptada da common law. Já o sistema romano-germânico ou civil law é o sistema jurídico mais disseminado no mundo, base do direito no Brasil. Estudar sobre ambos os sistemas pode ser absolutamente enriquecedor.

   Se fazer um intercâmbio já é uma experiência incrível, pois estará imerso em outra cultura, entendendo a forma de viver desta sociedade, a maneira como se relacionam e se organizam e aquilo que é caro para eles, ou seja, seus valores. Somar a isso ao estudo do direito, irá conferir ainda mais valor a experiência, pelo simples fato de poder observar as questões sociais in loco, entendendo como se dão essas diferenças que desenvolveram as bases formais do direito naquela cultura.

   São vários os caminhos que um advogado pode trilhar para turbinar seu currículo e se diferenciar no mercado. A seguir apresento o passo inicial que fará toda a diferença para o sucesso ou fracasso da sua empreitada.

   O fundamental para o sucesso da empreitada de estudos no exterior, é buscar uma organização ou profissional especializado em educação internacional para ajudar a construir essa trilha. Não basta a esse profissional conhecer universidades no exterior, o ideal é que ele se aprofunde a respeito dos seus objetivos, alinhando os resultados esperados as suas competências atuais e recursos disponíveis (tempo e dinheiro). Não adianta recomendar um mestrado ou doutorado para quem não possui no mínimo TOEFL 80, se optar por um país de língua inglesa, por exemplo. Ou para quem não tem recursos suficientes para pagar a universidade e se manter durante o curso (acomodação, seguro, alimentação, transporte, etc.). Esses são exemplos simples apenas para ilustrar que não há solução comum a todos, cada pessoa terá um plano desenvolvido exclusivamente para seu perfil. Fuja de soluções prontas, elas com certeza não atenderão as suas expectativas.

   Este tipo de consultoria não é facilmente encontrado no mercado, a grande maioria das organizações não possui, nem pessoal com a formação adequada para isso, nem a vivência, conhecem apenas as escolas e se limitam a elencar características das universidades e dos cursos. Antes de iniciar a consultoria, procure conhecer o currículo do seu interlocutor para se certificar de que a pessoa que o está aconselhando, reúna as condições para isso.

Busque um profissional capaz de orientá-lo e começa a planejar agora o seu futuro.

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