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A importância do ensino das ciências naturais e tecnológicas nos anos iniciais do ensino fundamental

Elena Roque,
 
TÃNCIA DO ENSINO DAS CIÊNCIAS NATURAIS E TECNOLÓGICAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Elena Roque de Souza Almeida.
Professora Formadora na Área de Alfabetização.
CEFAPRO/Cuiabá MT

elenaroque2@yahoo.com.br

RESUMO
O objetivo deste estudo é refletir sobre o ensino de Ciências Natural e Tecnológico nos anos iniciais da rede estadual de ensino de Várzea Grande MT. A pesquisa descritiva e de cunho quanto-qualitativa foi realizada nove com professoras do primeiro e segundo ciclo do Ensino Fundamental, que atuam em três escolas públicas estaduais de Várzea Grande. Os resultados apontam para uma diversidade de recursos e técnicas de ensino, avanço na formação inicial dos docentes pedagogos e das docentes pedagogas e para a necessidade de implantar programas e cursos de formação continuada na área. As Ciências Naturais e Tecnológicas são pouco enfatizadas nas classes iniciais da escola organizada em ciclos de formação humana, em relação à área de linguagem e d Matemática, que mesmo sendo ministrado como um componente curricular, precisa ainda, avançar em alguns aspectos para efetivamente possibilitar a formação do estudante para que seja alfabetizado e letrado cientifica e tecnologicamente.

Palavras-Chave: Ensino de Ciências Naturais e Tecnologias, Alfabetização e Letramento Científico e tecnológico, Professores (as)


INTRODUÇÃO

A educação escolar, na atualidade, deve propiciar, além da transmissão sistemática dos conteúdos de ensino, historicamente produzidos e acumulados, assegurar que os alunos se apropriem desses conteúdos de forma ativa, para que possam reelaborar esses conhecimentos e, com isso, obter um senso crítico mais concreto, embasado na compreensão científica e tecnológica da realidade social e política na qual vive.
Este estudo tem o propósito de refletir sobre o ensino de Ciências Natural e Tecnológico nos anos iniciais, conforme Santos (2005), por entendermos que esse ensino deve se preocupar com os conhecimentos científicos, que, sendo veiculados desde os primeiros anos escolares do Ensino Fundamental, venham a se constituir em um aliado para que o estudante possa ler e compreender o seu universo.
Entende-se que pensar e transformar o mundo que nos rodeia tem como pressuposto conhecer os aportes científicos, tecnológicos, assim como a realidade social e política.
A Alfabetização e Letramento Científico Tecnológico, no contexto do ensino de Ciências Natural e Tecnológicas, nos anos iniciais são compreendidos como o processo pelo qual a linguagem dessas Ciências adquire significados, constituindo-se em um meio para o indivíduo ampliar o seu universo de conhecimento, a sua cultura, como cidadão inserido na sociedade.
Atualmente, pode-se verificar que a modalidade de ensino que se vem desenvolvendo nas instituições escolares tem sido alvo de muitas discussões e estudos, principalmente em eventos científicos tecnológicos como, por exemplo, os da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE) e, Encontro Norte e Nordeste de Pesquisa Educacional (ENPE); no que se refere ao fato de estarem formando pessoas críticas, com capacidade para compreender e transformar seu conhecimento em contexto social-histórico, eventos ainda desconhecido por muitos professores que atuam nessas classes.
Por conseguinte, uma das questões que nos deixa preocupados quanto ao alcance dos objetivos a serem atingidos no Ensino Fundamental é justamente ao fato de a educação científica e tecnológica não estar sendo plenamente valorizada.
É possível verificar isto a partir dos estudos realizados sobre o Ensino de Ciências, nos anos iniciais, por autores como Pernambuco e Silva (1985); Fracalanza (1986); Krasilchik (1987); Mendes Sobrinho (2002); Brand e Gurgel (2002) e Chassot (2003). Tradicionalmente, o ensino na área tem sido descrito como predominantemente teórico, a-histórico, expositivo, pouco enfatizado em relação a outras áreas do conhecimento e, muitas vezes, ministrado como um componente curricular obrigatório.
Acredita-se, portanto, na importância da Alfabetização e Letramento Científico Tecnológico nos anos iniciais como forma de criar um espírito crítico, reflexivo que permita aos estudantes fazerem uma leitura do mundo, buscando dessa forma, compreender e atuar na sociedade na qual estão inseridos.
Atualmente, frente à escola organizada em ciclos de formação humana, nós educadores, devemos estar preparados para colaborar com a formação de pessoas que ajam com responsabilidade, autonomia, criatividade e que possam se realizar tanto em sua vida pessoal, quanto em sociedade.
Sendo assim, precisamos oferecer condições para que os estudantes desenvolvam cada vez mais o conhecimento sobre a natureza e o respeito para com ela, tornando-se capaz de compreender seus fenômenos e usar seus recursos naturais e tecnológicos com sabedoria.
A construção desse conhecimento e dessas atitudes, sem dúvida, se relaciona aos conteúdos e procedimentos da área de ciências naturais e tecnológicas; ao professor e à professora cabe contribuir com a intervenção competente e organizada; e criar condições reais para que as crianças desenvolvam habilidades para resolver problemas e relacionar o conhecido e o novo; o particular e o geral; a causa e o efeito; o semelhante e o diferente; preciação e respeito pelo mundo em que vivem e pelo próprio corpo.
A preocupação com os aspectos afetivos, valores e atitudes deverá estar sempre presente em todos os momentos do trabalho educacional.
O professor e a professora deverão mostrar que o ser humano como parte do universo, precisa ter consciência da importância de suas ações em relação à natureza e à sociedade, e perceber que saúde é um bem e sua preservação, responsabilidade de cada um.
Cada pessoa dá sentido ao seu viver na relação com o outro e assimilação da cultura presente em seu ambiente.
Muitos problemas de aprendizagem são explicados pela ausência ou uso inapropriado de estratégicas de estudo e pela não existência de hábitos de trabalho favoráveis à aprendizagem. Além disso, até hoje, ainda há quem considere como uma das causas do fracasso escolar, o tempo de estudo insuficiente para crianças e adolescentes, mas há também alguns pesquisadores que vêem o fracasso escolar como uma consciência muito limitada da utilidade de adaptar estratégias de ensino por parte dos professores e das professoras.
Os ciclos de formação humana compreendem uma das formas de organização escolar do Ensino Fundamental, previstas na LDB, onde a base da enturmação das alunas e alunos ocorre com referência à idade e, a partir disto, o processo de escolarização busca oferecer maior tempo escolar e contribuir com o desenvolvimento integral do estudante, a partir de atividades que consideram a heterogeneidade da turma como uma força motriz da aprendizagem.
Se nos interrogarmos sobre o que poderemos fazer para aprender melhor? Temos por certo alguma dificuldade em responder a atual questão. Na verdade, na maior parte dos casos, a aprendizagem ocorre de uma forma automática e, por isso, não é fácil apercebermo-nos dos componentes que nela intervêm. No entanto, quando deliberadamente queremos aprender um determinado tema, e assumimos um comportamento intencional para o compreendermos é-nos mais fácil tomar consciência de alguns dos componentes que ocorrem para uma aprendizagem com êxito. Por isso, fundamentamo-nos também, na obra e teoria de Piaget, Vygotsky, Wallon e seus discípulos, Emilia Ferreiro e outros, quando nos confrontarmos com aprendizagem de temas que nos causam dificuldades de compreensão, que nos levam a refletir sobre alguns dos aspectos importantes que nos auxiliam no processo de ensino e aprendizagem. Podemos por exemplo, atribuir as nossas dificuldades a fatores externos: o método de ensino adaptado na aprendizagem daquele tema, o tempo de aprendizagem insuficiente para uma compreensão detalhada do assunto em questão, o clima desfavorável em que ocorre aquela aula.
O ensino de Ciências nas classes de Primeiro e de Segundo Ciclo do Ensino Fundamental possui algumas especificidades quando comparada àquela praticada em outras etapas da Educação Básica. Uma delas é o fato de contar com um professor polivalente, em geral graduado em Pedagogia e também responsável pelo ensino de outras áreas do conhecimento.
Pretende-se com o conteúdo apresentado até aqui, realizar um estudo de caso acerca das características, fundamentos e concepções que norteiam a formação do pedagogo, da pedagoga para o ensino de Ciências nas classes do Primeiro e Segundo Ciclo nas escolas públicas localizadas no estado de Mato Grosso, para possíveis contribuições pelas Professoras Formadoras da Área de Alfabetização do CEFAPRO / Cuiabá MT, na oferta de cursos de formação com o tema em discussão.

METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa empírica, descritiva e quanto-qualitativa realizada com professoras pedagogas do Primeiro e do Segundo Ciclo do Ensino Fundamental de escolas da rede pública estadual de ensino de Várzea Grande MT. O estudo foi complementado com a pesquisa documental e observações. Três motivos levaram-me a optar pelas classes iniciais do Ensino Fundamental. O primeiro foi o fato de eu ter desenvolvido com meus alunos e alunas várias experiências que deram certo. O segundo motivo é o de conviver com colegas desmotivadas a planejar e realizar atividades diferenciadas nas suas aulas de Ciências Naturais e Tecnológicas. Finalmente, o terceiro motivo é perceber que essas colegas não desenvolvem nenhum estudo sistemático referente a essa disciplina para acrescentar ao seu repertório metodológico.
A coleta de dados foi efetivada em três escolas da rede estadual, junto a nove pedagogas, cujo critério de escolha foi por pertencerem a escolas A, B e C, sendo classificadas de acordo com o interesse demonstrado, ao participarem de cursos de Alfabetização e Letramento, oferecidos pelo CEFAPRO Cuiabá MT.
Além da análise de documentos (proposta curricular, plano de aula, PCN de Ciências Naturais, LDB do Ensino Fundamental, legislação, propostas dos cursos de formação continuada) realizamos observações sistemáticas nas escolas e aplicamos um questionário semi-estruturado, conforme sugerido por Richardson et all (1999), por meio do qual buscamos informações sobre: tempo de magistério da professora e sua formação; participação em programas de formação continuada; importância por elas dispensada à disciplina Ciências Naturais; metodologia utilizada durante as aulas; forma como ocorre o planejamento e a avaliação da disciplina; materiais didáticos que são utilizados nas aulas de Ciências Naturais etc.
Os dados foram analisados quanto - qualitativamente conforme sugerido por Bogdan e Biklen (1999) e Richardson et all (1999) e os resultados são apresentados no próximo item.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

O ensino de Ciências Naturais e Tecnológicas no Primeiro e no Segundo Ciclo do Ensino Fundamental de Várzea Grande, conforme dados levantados juntos à amostra anteriormente descrita apresenta as características a seguir explicitadas:

1 - Tempo de magistério; Formação Inicial e continuada

Ao questionar as pedagogas sobre o tempo de atuação no magistério, a maioria da amostra pesquisada, ou seja, 06 (66 %) informaram que possui entre nove e vinte e cinco anos de docência e apenas 03 (34 %) são professoras com menos de nove anos de experiência.
Este resultado demonstra que, dentre a amostra pesquisada, a maioria é de professoras com larga experiência na área do magistério. A este respeito, Tardif (2002) postula que o tempo é um fator importante na edificação dos saberes que servem de base ao trabalho docente e que esses saberes temporais são adquiridos através de certos processos de aprendizagem e de socialização, que permeiam a carreira e a história de vida dessas profissionais.
Os fundamentos do ensino, de acordo com este autor, são, a um só tempo existenciais, sociais e pragmáticos.
Existenciais, porque o professor “pedagogo”, ma professora “pedagoga”, na sua concepção, pensa a partir de sua história de vida emocional, afetiva, pessoal e interpessoal, e não apenas intelectual.
Sociais, em razão de os saberes serem oriundos de fontes diversas, tais como família, escola, universidade, contexto social, e serem adquiridos em tempos sociais diferentes (tempo da infância, da escola, da formação profissional, do ingresso da profissão, da carreira etc.).
Pragmáticos, por estarem voltados para os saberes ligados ao labor, de saberes sobre o trabalho, ligados às funções dos professores.
Sobre os fundamentos do ensino, Tardif (2002) diz que:

[...] essa tripla caracterização - existenciais sociais e pragmáticos - expressa a dimensão temporal dos saberes do professor, saberes esses que não somente são adquiridos no e com o tempo, mas são também temporais, pois são abertos, porosos, permeáveis e incorporam, ao longo do processo de socialização e da carreira, experiências novas, conhecimentos adquiridos durante esse processo e um saber-fazer remodelado em função das mudanças de prática e de situações de trabalho (TARDIF, 2002, p.106).


Diante do que foi exposto, tomemos como positivo, neste estudo, o fato de os pedagogos e pedagogas possuírem grande experiência no campo do magistério. Esses professores e essas professoras, que atuam como polivalentes e conduzem as atividades em Ciências Naturais e Tecnológicas possuem uma formação inicial e continuada diversificada.
Deste modo, verifica-se que a formação inicial predominante é a Licenciatura Plena em Pedagogia; 03 (33%) das professoras pesquisadas cursaram ou estão cursando graduação; e 04 (23,33%) dos professores indicaram que, além da graduação, também possuem Especialização e estão computadas, também, como portadoras de Licenciatura Plena.
Estes dados indicam que o nível de formação inicial dos professores e das professoras das escolas estaduais de Várzea Grande tem melhorado consideravelmente nos últimos anos, devido, principalmente, a legislação educacional em vigor e a parceria estabelecida entre a SEDUC (Secretaria de Estado de Educação) e o CEFAPRO (Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação), para formação continuada de professores (GRÁFICO 1).



GRÁFICO 1 – Nível de Formação das Professoras que trabalham no Primeiro e Segundo Ciclo do Ensino Fundamental da rede estadual de ensino de Várzea Grande MT.
Entretanto, a prática estabelecida nos cursos de Pedagogia, mais especificamente nas Universidades Particulares tem se mostrado até hoje, com algumas lacunas, principalmente no que diz respeito à preparação para o exercício da docência em Ciências Naturais e Tecnológicas.
Essa situação pode ser explicada pelo reduzido espaço destinado à formação dos professores e das professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental na área específica.
Sem dúvida, representou um avanço nos últimos anos, entretanto, constatamos que a área continua a ser secundarizada no currículo. Tal situação é decorrente de circunstâncias e decisões históricas, conseqüentemente, os alunos acabam apreendendo alguns aspectos da área sem que o pensamento científico sobre o mundo seja aprofundado.
Dessa forma, ao considerarmos que grande parte dos pedagogos e pedagogas que trabalham em nossa cidade nos anos iniciais do Ensino Fundamental formou-se na Universidade Particular, podemos inferir que saíram com essa lacuna na formação e possivelmente encontram dificuldades para ministrar a disciplina Ciências Naturais e Tecnológicas. Lamentavelmente, esta é a realidade na grande maioria das universidades brasileiras. O que remete para a necessidade da participação dos professores e professoras em atividades de formação continuada.
De acordo com Menezes (2001) e Carvalho e Gil-Pérez (1993), uma política adequada de formação de professores e professoras para a área deve contribuir para, dentre outros aspectos, conhecerem a matéria a ensinar; apropriar-se do corpo de conhecimentos específicos em torno dos problemas de ensino/aprendizagem de Ciências e de Tecnologias; saber preparar atividades cuja realização permita ao estudante construir conhecimentos; saber orientar o trabalho dos seus alunos; saber avaliar. Sintonizados com as necessidades formativas dos docentes para atuarem em um contexto permeado por rápidas transformações, com reflexos no ambiente escolar, Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002, p. 31) afirmam que “[...] o professor e a professora de Ciências Naturais e Tecnológicas, ou de alguma das Ciências, precisa ter o domínio de teorias científicas e de suas vinculações com a tecnologia [...]”, atrelados a um conjunto de saberes (pedagógicos, experienciais e conteudistas), além de práticas necessárias ao exercício da docência.
Diante disso, somos levados a inferir que, embora o número de professores e professoras graduadas tenha aumentado, não constitui garantia para que tenham um profundo conhecimento da disciplina Ciências Naturais e Tecnológicas a ser ministrada nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Neste sentido, há de se concordar com Mendes Sobrinho (2002) sobre a urgência de que se formem docentes capazes de possibilitar aos estudantes uma formação básica em Ciências Naturais e Tecnológicas.
Quanto aos programas de formação continuada (PROFA, GESTAR e PCN em Ação), oferecidos pela SEDUC (Secretaria de Estado de Educação e Cultura de Mato Grosso) e pelo CEFAPRO (Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação) Cuiabá MT, constata-se que não estão contribuindo, efetivamente, com a área de Ciências Naturais e Tecnológicas, mas sim preocupados em dar suporte em nível teórico e metodológico apenas nas disciplinas Português e Matemática.
A importância dispensada a estas disciplinas se torna evidente, uma vez que somente elas fazem parte da avaliação de rede promovida pelo MEC e Estado.
O PROFA (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores) configura-se em um curso anual de aprofundamento sobre as questões da aprendizagem. Sua finalidade básica é a difusão do conhecimento didático mais atual sobre alfabetização. É um programa que traz como conteúdo fundamental os processos de aprendizagens da leitura, da escrita e ainda como organizar situações didáticas que venham a atender as necessidades de aprendizagem dos (das) estudantes. Mas, infelizmente, no momento está suspenso.
O Programa de Gestão de Aprendizagem Escolar - GESTAR possui uma ação específica de apoio à aprendizagem dos alunos e das alunas dos anos iniciais e finais do primeiro e do segundo ciclo e também do terceiro ciclo do Ensino Fundamental em Língua Portuguesa e Matemática, mas também infelizmente está atendo atualmente, apenas aos (às) docentes do final do segundo ciclo e do terceiro ciclo.
Os PCN em Ação contribuem para subsidiar o trabalho docente, sugerindo atividades que possibilitem o desenvolvimento das habilidades referentes ao ciclo, promovendo, também, uma reflexão sobre a prática pedagógica. No entanto, segundo as professoras pesquisadas, estes programas contribuem para repensar a prática educativa, melhorando o processo de ensino-aprendizagem e não especificamente uma disciplina.
O CEFAPRO / Cuiabá MT, vem oferecendo freqüentemente cursos de formação voltados para todas as áreas de conhecimento, porém, pedagogos e pedagogas só podem participar dos cursos de sua área; Ciclo de Formação Humana; Alfabetização e Letramento; CEALE – capacidades da alfabetização, entre outros, como Sala de Professor, Tecnologias, Educação do Campo, Diversidades; Área vinte e um.
A seguir, apresentam-se algumas respostas apresentadas pelas professoras sobre a contribuição dos programas de formação continuada para suas práticas.
1- Contribui para a atualização da prática pedagógica e troca de experiências, sendo também um momento de reflexão e reavaliação do processo. (Professora 01= P1)
2- Melhora minha prática porque me dá condições de elaborar um plano de trabalho interdisciplinar. (Professora 02= P2)
3- Uma característica marcante dos Parâmetros Curriculares Nacionais é a idéia de que os conteúdos da aprendizagem não são somente aqueles de natureza conceitual, mas também os que envolvem a aprendizagem de procedimentos e atitudes. (Professora 03= P3)
4- Ajuda na elaboração de atividades práticas em sala de aula. (Professora 04= P4)
5- Todos os programas são importantes, pois nos permite refletir sobre nossa prática na sala de aula. O que falta é um acompanhamento pedagógico mais direto com os cursistas. (Professora 05= P5)
6- Os PCN não contribuem em nada, mas o GESTAR melhora minhas aulas, me ajuda a transmitir o que me proponho de uma forma mais compreensível. (Professora 06= P6)
7- Ultrapassada, atualizar-se, estudar mais para inovar e situar-se também no tempo. È verdadeiramente um ‘puxão de orelha’, que para mim é maravilhoso. Tenho adorado! (Professora 07= P7)
8- Esses tipos de formação nos fazem refletir sobre o nosso trabalho avaliando os aspectos positivos e negativos, possibilitando uma mudança de atitude em relação ao ‘fazer’ pedagógico. (Professora 08= P8)
9- Fortalecer minha prática em sala de aula, dando fundamentação e despertando-me para reflexão. (Professora 09=P9).
Ao analisar as falas das professoras, constata- se que os cursos de formação continuada possuem grande aceitação e contribuem significativamente para o bom desempenho docente, proporcionando reflexões sobre a prática pedagógica, trocas de experiências e aprofundamento dos saberes que são essenciais para o processo de ensino-aprendizagem. A respeito da formação continuada,
Nóvoa (1995) defende a necessidade de uma formação que ocorra através da refletividade crítica sobre as práticas, professores, visando à re (construção) ininterrupta de uma identidade pessoal. Ele acredita também que a formação deve ser alicerçada em paradigmas que valorizem as práticas coletivas e reflexivas, o que pode contribuir para a emancipação/autonomia e consolidação profissional, visto que os professores assumem a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento profissional e participam como protagonistas da implantação de políticas educativas.
Nessa perspectiva, a formação continuada deve se preocupar com os desenvolvimentos pessoal, profissional e institucional.
Corroborando com este pensamento, Candau (1996) entende que essa formação deve valorizar o saber experiencial, ter a escola como lócus de formação e respeitar o ciclo de vida do professor.
Ainda sobre a formação continuada, Freire (1995, p. 81) defende a formação que ocorre no âmbito da escola, priorizando o coletivo, que consiste no:
“[...] acompanhamento da ação-reflexão-ação dos educadores que atuam nas escolas; envolve a explicação e análise da prática pedagógica, levantamento de temas de análise da prática que requerem fundamentação teórica e a reanálise da prática pedagógica considerando a reflexão sobre a prática e a reflexão teórica”. Freire (1995, p. 81)

Nessa perspectiva, o CEFAPRO, juntamente com a SEDUC, desenvolve com os professores da rede estadual de ensino, dois cursos de formação continuada, na própria escola, um denominado de TICs - Ensinando e Aprendendo com as Tecnologias e o outro, Sala de Professor, onde os Professores Formadores acompanham os grupos de estudos oferecendo recursos metodológicos, de fundamentação teórica e contribui com sugestões para a prática pedagógica. Esses cursos, conforme referência anterior não contempla a área de Ciências Naturais e Tecnológicas, diretamente aos pedagogos e pedagogas que ainda são poucos os que se sentem estimulados a participar, portanto, estão atendendo parcialmente aos seus propósitos e encontram-se bem próximos das perspectivas de Nóvoa, Freire e Candau; entretanto, precisam valorizar ainda mais, o saber experiencial dos Pedagogos e pedagogas, bem como, estender-se para outras áreas de ensino, considerando a importância de todas as áreas para a formação do cidadão.
No item a seguir apresentamos aspectos relacionados à importância das Ciências Naturais e Tecnológicas no contexto escolar.

b) A importância das Ciências Naturais e Tecnológicas no contexto escolar
Nesta pesquisa procura-se conhecer, segundo a opinião dos professores e das professoras, quais disciplinas são priorizadas no cotidiano escolar e seu grau de importância. A disciplina Português destacou-se em primeiro lugar; em segundo, Matemática; e em terceiro, Ciências Naturais.
Percebe-se, desta forma, umas contradições, ao perguntarmos, em uma questão posterior, se achavam o ensino da disciplina Ciências Naturais e Tecnológicas relevante nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Três dos nove professores pesquisados responderam positivamente.
A respeito dessa contradição, as docentes argumentaram que a SEDUC orienta a priorização das disciplinas Português e Matemática, por motivos relacionados aos processos de alfabetização, letramento, exame de rede e à própria tradição.
Por outro lado, há professores e professoras que consideram o ensino de Ciências Natural e Tecnológico importantes, mas priorizam Português e Matemática, por acharem que são básicas para a aprendizagem de outras disciplinas.
Entretanto, são partidários da “Ciência para todos” e da “Ciência e tecnologia como cultura”, conforme sugeridos por Delizoicov, Angotti e Pernambuco, carecendo de uma ação docente que:
[...] “buscará construir o entendimento de que o processo de produção do conhecimento que caracteriza a ciência e a tecnologia constitui uma atividade humana, sócio-historicamente determinada, [...]” (2002, p.34).

Por isso, o professor e a professora que trabalha com a disciplina de Ciências, talvez mais do que seus colegas de outras áreas, devem estimular nas crianças e jovens a curiosidade pelas coisas do mundo, pelos seus processos e fenômenos, fazendo o mesmo em relação ao homem e aos outros seres que habitam o planeta; assim, estará promovendo situações para seus alunos e alunas desenvolverem a autonomia, estimulando-lhes o rigor intelectual e criando as condições necessárias para o sucesso deles no campo do conhecimento.


c) Métodos, técnicas e recursos utilizados em Ciências Naturais e Tecnológicas
Quanto à metodologia utilizada em sala de aula, para trabalhar os conteúdos da disciplina Ciências Naturais e Tecnológicas, das 09 da amostra pesquisada, 02 (22%) disseram utilizar os textos dos livros didáticos; as outras 02 (22%) trabalham com realização de pesquisas. A maioria, representando 05 (55%) trabalha com uma diversidade metodológica. (GRÁFICO 2)



GRÁFICO 2 – Metodologia utilizada pelos Professores que atuam na rede estadual de ensino de Várzea Grande MT, para trabalhar com os conteúdos de Ciências Naturais e Tecnológicas nos anos iniciais do Ensino Fundamental em Várzea Grande, 2009.
A maioria das Professoras entrevistadas deixou evidente que utilizam uma diversidade de técnicas e recursos nas aulas de Ciências. Esta realidade se comprova mediante os planejamentos elaborados e registrados diariamente, desenvolvidos por elas, com a participação dos estudantes.
Isto indica que os cursos de Formação Continuada e os grupos de estudos organizados para troca de experiência e relatos contribuem com a quebra da metodologia tradicional e para o nascimento de novas percepções, numa política instigante sobre o ensino das Ciências Naturais e Tecnológicas em uma perspectiva de formação de valores e atitudes em virtude da diversidade de situações existenciais que afetam a sociedade.
Essas ações, de acordo com essas profissionais, se desenvolvem dentro de tais metodologias:

1 Aproveito a vivência dos alunos e a partir de problematizações, construo projetos de ensino de forma coletiva com o grupo. A partir de pesquisas de campo, leituras e discussões coletivas os conhecimentos vão sendo elaborados e apreendidos de forma significativa, havendo assim, a possibilidade de transformarem-se em atitudes no futuro. (P1)
2 Leitura de textos informativos, leitura de gravuras, pesquisa e experiências ainda que poucas e com respostas apontadas nos livros didáticos. (P2)
3 Exposição de vídeos referentes aos conteúdos para a análise e discussão dialogada, leitura compartilhada e exposição dialogada dos conteúdos. (P3)
4 A observação e sempre que possível o uso de materiais concretos, anotações relativas a “procedimentos” (produção de texto), relatórios a cada visita. A escola trabalha com os mais variados projetos. (P4)
5 Questionamentos, levantamentos de hipóteses, leituras diversas, discussões coletivas, pesquisas direcionadas, experimentações comentadas. (P5)
6 Levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos, leitura sobre assuntos ligados à disciplina, Leituras compartilhadas de texto, pesquisa orientada sobre temas em estudo, produção de texto, perguntas polêmicas e realizando trabalhos em grupo, entrevistas com pais e comunidade, roda de conversa sobre os assuntos estudados, exibição de fitas de vídeo, pesquisa de campo e oficinas relacionadas aos conteúdos. (P6)
Estas falas evidenciam uma diversidade de recursos e metodologias utilizadas pelas professoras, o que vem a confirmar o que foi dito anteriormente sobre esta questão.
Acredita-se, cada vez mais, que, para haver um processo eficiente de ensino e aprendizagem, é necessário oferecer aos estudantes, oportunidades para fazerem investigações na sala de aula; ou seja, o professor e a professora devem proporcionar momentos para que os alunos realizem observações, façam perguntas, apresentem soluções para os problemas, examinem livros, planejem investigações, revisem e repensasse o que já se sabe à luz de novas informações. Só assim, obterão evidências experimentais, reconhecerão, analisarão e interpretarão dados, proporão explicações e predições; e finalmente comunicarão resultados e conclusões, mesmo que fracassadas, mas que com certeza estimularão o (a) estudante a refazer, testar, criar, até que se obtenha uma resposta positiva daquilo que se pretende.
Um dos argumentos que justificam a transformação do ensino de Ciências como investigação é que, fruto de uma maneira superficial e pouco científica de interpretar o mundo, se produz conhecimento do senso comum, que é divergente do conhecimento científico.
Abaixo faremos referência sobre as dificuldades encontradas pelos professores no processo de ensino-aprendizagem em Ciências Naturais e Tecnológicas.


d) Dificuldades no processo ensino e aprendizagem em Ciências Naturais

Ao questionar as docentes sobre as dificuldades encontradas para trabalhar a disciplina Ciências Naturais, verificamos que 02 (22%) responderam que há insuficiência de recursos necessários para realizar o trabalho; 02 (22%) fizeram referência às condições físicas e ambientais desfavoráveis; e 05 (55%) ressaltaram que se não realizassem e não considerassem o conhecimento prévio dos alunos e alunas antes pensar as metodologias e atividades a ser trabalhada, a maior dificuldade apontada por essas professoras, seria a deficiência dos alunos e das alunas em relação aos conhecimentos anteriores, dificultando a aprendizagem de novos conteúdos. GRÁFICO (03)

GRÁFICO (03)- Dificuldade encontrada pelas professoras para trabalhar com a disciplina das Ciências Naturais e Tecnológicas De forma similar, em uma pesquisa realizada por Fracalanza (1986) sobre o ensino de Ciências, as condições de trabalho e a falta de material didático eram as mais apontadas como fatores que impediam um ensino de qualidade, fazendo com que os professores e professoras se escravizassem a propostas de ensino de Ciências, que nada tinham a ver com a realidade dos alunos; e o que era mais grave, pouco tinham a ver com Ciências.
Podemos inferir, então, que, em vinte e três anos, muitas mudanças ocorreram na política Nacional e Estadual de Ensino que descentralizaram os recursos destinados à educação, passando essa responsabilidade para as próprias escolas que atualmente, recebem verbas para sua manutenção, de acordo com o seu tamanho e número de matrículas.
Dessa forma, não há dificuldades para trabalhar a disciplina de Ciências Naturais e Tecnológicas nos anos iniciais do Ensino Fundamental quando se trata de materiais pedagógicos ou de condições físicas e ambientais, a não ser por uma má administração da equipe gestora e do CDCE escolar. É preciso que o pedagogo e a pedagoga compreendam que não recebeu uma formação específica que o fundamente para o ensino dessa ciência, porém, como já dizia Guimarães Rosa: “mestre não é quem sempre ensina, mas quem, de repente, aprende”, e buscar formação e informação profissional decorrente das exigências e desafios do trabalho de um profissional que acima de tudo, é mediador e mediadora da prática social e humana, é fenômeno histórico, que busca a humanização do homem e aquele que abre a possibilidade de maior compreensão de nós próprios e do contexto histórico em que estamos inseridos.
Portanto, deseja-se neste trecho do texto, interpretar a fala das professoras que dizem que o ensino de Ciências Natural e Tecnológico independe dos recursos e espaços oferecidos pela escola. É claro que este fato contribui, mas não é o principal, pois é importante reconhecer que o conhecimento é um instrumento de trabalho do professor e da professora, uma vez que a educação de qualidade se faz com professor qualificado e a sua formação está articulada a um projeto que se constrói de maneira intencional e a partir das experiências adquiridas ao longo da formação inicial e de ouros momentos da vida desse e dessa profissional, sabendo-se que a metodologia é todo o seu fazer pedagógico, ou seja, uma postura metodológica que considere seu trabalho, suas dificuldades, dores, ousadias, experiências, querer, compromisso, comprometimento, compreensão e amor, muito amor e dedicação.
Quando o professor e a professora assumem como intelectuais em contínua construção de sua identidade profissional suas ações são desenvolvidas em sintonia com a real condição da sua sala de aula, de seus alunos e de suas alunas.
Vejamos a seguir, como se realiza planejamento e com qual freqüência é ministrada a disciplina Ciências Naturais.


e) Planejamento e freqüência das Ciências Naturais em sala de aula

Em relação à forma de planejamento, 02 (22%) professoras, da amostra pesquisada responderam que é realizado bimestralmente; e 06 (34%) afirmaram não haver planejamento específico da disciplina, tendo em vista que é trabalhada de forma interdisciplinar, ou seja, visando garantir a construção de um conhecimento globalizante, rompendo com as fronteiras das disciplinas e estabelecendo um diálogo entre elas, mas que na prática nem é bem assim, porque pouco se trabalha conteúdos de ciências naturais e tecnológicas.
A respeito da freqüência com que é ministrada a disciplina Ciências Naturais e Tecnológicas, verificamos que 06 (66%) das docentes pesquisadas não seguem um horário por semana, seguem o desenvolvimento do Projeto em ação; e quanto à avaliação 06 (66%) delas não realizam uma avaliação sistematizada, avaliando com regularidade, numa tentativa interdisciplinar, utilizando diversos critérios, entre eles, oralidade, participação, desenvoltura na realização das atividades propostas, tomadas de atitudes e decisões, iniciativa, socialização, escrita, produções escritas e orais. Tudo isso com caráter de evidências para intervenções que se fizerem necessária mais direcionada mesmo à aprendizagem da leitura, escrita e das quatro operações, ainda que a intenção seja dispensar a classificação conceitual dos estudantes e das estudantes.


f) Critérios de seleção de Conteúdos de Ciências Naturais e Tecnológicas nos anos iniciais do Ensino Fundamental

Quanto aos conteúdos de Ciências Naturais e Tecnológicos trabalhados em sala de aula, a maioria dos docentes não segue a disposição do que é trazido nos livros didáticos, trabalha de acordo com conteúdos selecionados nos projetos em ação, na intencionalidade de que o estudante e a estudante sejam capazes de realizar estudos comparativos dos elementos constituintes dos ambientes, de modo particular, o solo e a água, de algumas fontes e transformações de energia, das interferências do ser humano no ambiente e suas conseqüências, do funcionamento do corpo humano, buscando a integração de aspectos diversos e as condições de saúde, além das tecnologias utilizadas para a exploração de recursos naturais e reciclagem.
Reconhecendo que os atuais livros de Ciências Naturais são bem ilustrados e contextualizados, com conteúdos pertinentes aos anos iniciais, reservamos seu uso para a leitura de aprofundamento e pesquisas.
De acordo com os PCN de Ciências Naturais e incluindo as tecnologias por ser o saber-fazer cientificamente fundamentado que se expressa na dinâmica do processo produtivo, qualidade inerente à ciência que recorre às ferramentas como instrumentos auxiliares do processo de ensino-aprendizagem, desta forma, é preciso aproximá-las da compreensão do estudante e da estudante, favorecendo seu processo pessoal de constituição do conhecimento científico e de outras capacidades necessárias à cidadania.
É com esta perspectiva e com aquelas voltadas para toda a educação fundamental que foi destacada os critérios de seleção de conteúdos: eixos temáticos, que representam uma organização de diferentes conceitos, procedimentos, atitudes e valores para cada um dos ciclos da escolaridade, compatível com os objetivos a que se aponta.


g) O ensino de Ciências Naturais e a formação do cidadão

E ao finalizar o questionário, com a pergunta sobre a contribuição das aulas de Ciências Naturais e Tecnológicas, para que o indivíduo amplie o seu universo de conhecimento, a sua cultura, como cidadão crítico, inserido na sociedade, pode-se verificar que 06 (66%) das docentes afirmam contribuir para a ampliação do universo de conhecimento do aluno e da aluna, de sua cultura, tornando-o (a) cidadão (ã) crítico (a) inserido (a) na sociedade; no entanto, 03 (34%), representando a minoria, dizem contribuir apenas em parte; e citam como causas principais como a falta de condições favoráveis para trabalhar a disciplina, enfatizam a falta de laboratórios e metodologia inadequada.
Observa-se a existência de contradição, uma vez constatadas que 06 (66%), sendo sua maioria, trabalham a disciplina sem cumprir um horário por semana; afirmam que os recursos didáticos são suficientes para a realização de um bom trabalho e que, nessas escolas pesquisadas, a disciplina de Ciências Naturais e Tecnológicas não é muito valorizada.
Algumas das professoras que responderam de forma positiva a essa questão, deram as seguintes justificativas:
1-Os conteúdos são lidos, discutidos, abusando dos conhecimentos prévios dos alunos e das alunas e uma boa relação de amizade, respeito, franqueza e compromisso são imprescindíveis. Trabalhar com espírito democrático, despertar a cidadania democrática é uma base importante para esta formação crítico-participativo dos alunos e das alunas. (P1)
2- Ora, tudo aquilo que é feito com esmero é considerável, por isso tem que haver compromisso, seriedade e amor pela profissão e por aquele que está em suas mãos, sendo formado por você. É uma tarefa difícil, porém gratificante quando há doação. (P2)
3- Os conteúdos são lidos, debatidos. Existe um bom relacionamento entre os alunos e as alunas, respeito pelas opiniões dos outros, proporcionando uma formação crítica e participativa de todos. (P3)
4- Procuro debater os conteúdos trabalhados, incentivando a oralidade. (P4)
5- Quando passamos a informação para o aluno e para a aluna, fazemos com que eles e elas raciocinem e lhe damos oportunidade de expor o seu pensamento. (P5)
6- Os conteúdos aprendidos significativamente hoje podem servir, no futuro, como fator de inclusão para uma aprendizagem significativa. (P6)
7-Sem dúvida, pois trabalho de forma contextualizada, reflexiva e questionadora. (P7)
8- Apesar das dificuldades tento fazer um trabalho voltado para a ampliação dos conhecimentos dos alunos e das alunas. (P8)
9- Faço com que ele pense e reflita sobre os valores morais e possa questionar sobre os seus direitos e deveres como cidadão. (P9)
Diante das respostas apresentadas pelas docentes, pode-se inferir que, na visão de cada uma, o termo “formação de cidadãos críticos” é muito subjetivo. Uma metodologia que não leve a uma reflexão sobre a realidade na qual estão inseridos os alunos e as alunas dificilmente formará cidadãos críticos. Elas devem prezar por uma metodologia que seja significativa, procurando estabelecer uma relação entre o conteúdo a ser aprendido e aquilo que ele já sabe, entendendo que a educação é de natureza política e que, “para o educador e para a educadora progressista coerente, o necessário ensino dos conteúdos estará sempre associado a uma ‘leitura crítica’ da realidade. Ensina-se a pensar certo através do ensino dos conteúdos” (FREIRE, 1995, p. 29).
A seguir apresentam-se algumas considerações finais acerca da pesquisa realizada, na qual verificar-se a partir dos aspectos caracterizados nos itens anteriores, que o ensino de Ciências Naturais e Tecnológicas nos anos iniciais da rede estadual encontra-se próximo das perspectivas de Alfabetização Científicas Tecnológicas postuladas a autores como Fracalanza, Amaral, Gouveia (1986), Nóvoa (1995), Lorenzetti e Delizoicov (2003).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento científico e tecnológico tem ocasionado, na atualidade, significativas transformações. O grande número de informações disponíveis, a rapidez de acesso a essas informações bem como as possibilidades de interação entre indivíduos de diferentes universos intelectuais e culturais têm trazido inúmeras mudanças ao processo de ensino e aprendizagem, exigindo das escolas, dos educadores e das educadoras um novo posicionamento frente a essa realidade.
As Ciências Naturais, no entanto, têm sido apontadas como uma das disciplinas que tem condições de contribuir para a compreensão desses novos conhecimentos e valores, favorecendo a formação da cidadania. No entanto, conforme foi visto no decorrer deste estudo, o ensino de Ciências Naturais, nos anos iniciais, ainda precisa avançar em alguns aspectos para efetivamente possibilitar a formação do cidadão alfabetizado cientifica e tecnologicamente.
Verificou-se este fato em algumas ocasiões, nas quais o ensino de Ciências Naturais e Tecnológicas foi descritas como pouco enfatizado em relação a outras áreas do conhecimento, destacando-se Língua Portuguesa e Matemática, tanto expositivo quanto teórico, além de ser ministrado como um apêndice curricular.
Os resultados da pesquisa apontam para uma realidade um pouco diferente, mas nos possibilitaram vislumbrar alguns avanços nesse ensino, principalmente em nível metodológico.
De acordo com a amostra pesquisada, para a realização desse trabalho (professoras do Primeiro e do Segundo Ciclo de três escolas públicas da rede estadual de ensino de Várzea Grande MT), o motivo de o ensino de Ciências Naturais e tecnológicas, serem pouco enfatizado nos anos iniciais deve-se ao fato de a Secretaria Estadual de Educação orientar a priorização das disciplinas Português e Matemática, por motivos que estão relacionados ao processo de alfabetização, letramento, exame de rede e a tradição.
Quanto aos métodos, técnicas e recursos utilizados para ministrar as aulas de Ciências Naturais, percebemos um grande avanço em relação a outras pesquisas que encontramos na biblioteca de duas universidades, sendo uma em Cuiabá e outra em Várzea Grande MT.
Neste sentido, as docentes deixaram evidente que utilizam uma diversidade de técnicas e recursos nas aulas de Ciências, o que pode ser comprovado através de observações, elaboração e realização de planejamento diário.
O livro didático deixa de ocupar uma posição de destaque, direcionando as atividades na sala de aula, bem como para a elaboração do plano de disciplina e tão pouco, para a proposta curricular para os anos iniciais do Ensino Fundamental.
Por sua vez, a insuficiência de recursos necessários para que a docente desenvolva um bom trabalho, bem como as condições físicas e ambientais das escolas não são ressaltadas pela maioria das docentes como dificuldades que vão interferir no processo ensino-aprendizagem.
E embora tenhamos verificado que o nível de formação das professoras e das escolas estaduais de Várzea Grande MT vem melhorando, nos últimos anos, e que a maioria das professoras pesquisadas é graduada e possuem Licenciatura Plena em Pedagogia, através de Universidades Particulares, porém, isso não constitui garantia para que tenham conhecimentos necessários para ministrar Ciências Naturais e Tecnológicas, em razão, principalmente, de o número de disciplinas oferecidas na grade curricular do curso de Pedagogia não estarem voltadas para a área científica.
Sob este aspecto, ressalta-se como sendo, um dos motivos que tornam necessárias, as buscas por formação contínua.
O livro didático é usado nas aulas de Ciências naturais e Tecnológicas, pela maioria das entrevistadas, como recursos para leituras, pesquisas, porém ainda é instrumento indispensável na prática de algumas dessas professoras.
Convém enfatizar que esse fato vem reforçar a necessidade de programas de formação continuada, voltados para a disciplina Ciências Naturais e Tecnológicas, visando suprir as lacunas deixadas nos cursos de formação inicial.
Por fim, gostaria que a Secretaria Estadual de Educação MT, fiscalizasse no interior das escolas estaduais se o uso das verbas do PDE (Plano de Desenvolvimento Escolar) está sendo utilizada legalmente na compra de instrumentos didáticos pedagógicos a fim de garantir ao (à) professor (a), melhor condições de trabalho e mais qualidade ao ensino das ciências naturais e tecnológicas.
Pretendo também, chamar atenção dos CEFAPROs para reavaliar a importância do ensino de Ciências Naturais e Tecnológicas no primeiro e segundo ciclos e pensar em formação continuada para os (as) pedagogos (as) que atuam nessa área e atendem a infância e a pré-adolescência, contribuindo com a atualização dos seus referenciais teóricos para que possam integrar à sua prática e oferecer um ensino – aprendizagem de mais qualidade.
Convém enfatizar que se o (a) professor (a) não tiver uma metodologia que ofereça após (às) estudantes aulas dinâmicas, experienciais, de forma crítica e reflexiva, só contribuirá para que estes (as) estudantes sejam impedidos (as) de exercer a cidadania, em toda a sua plenitude, porque estará formando pessoas passivas e acomodadas, despreparadas para enfrentar os desafios ambientais, tecnológicos e sociais do seu dia a dia.

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