A quem obedecer?

Certamente você já passou por uma situação no trabalho em que não sabe a quem obedecer, já que as ordens ou as instruções vêm de diferentes ou divergentes fontes. É de cair o queixo que as organizações sofram com o que desde o século XX alguém já sinalizava como não recomendado. Qual a consequência disso, então?

Certa vez, numa aula sobre liderança, comentei com meus alunos sobre os princípios de Fayol, o grande precursor da Teoria Clássica da Administração. Fiquei pasma quando perguntei quem já tinha vivido uma situação de desrespeito ao princípio “unidade de comando”, postulado por ele. Praticamente todos da turma tinham um exemplo para contar. OK, mas o que é “unidade de comando?”

Segundo Fayol, para uma gestão bem-sucedida, é preciso que se respeitem alguns princípios, dentre eles o que defende que cada empregado deve receber ordens de apenas um superior, se se tratarem de um objetivo único. Parece óbvio, não é mesmo? Não, não é! Talvez se isso fosse tão óbvio a gente não visse com tanta frequência consequências da gestão de vários comandantes simultâneos, como, por exemplo, uma ordem da diretoria financeira se sobrepondo a uma ordem da diretoria geral, e vice-versa. A situação parece ser mais comum em empresas de pequeno porte, com cargos e atribuições pouco definidas, ou ainda empresas familiares, nas quais as relações de parentesco podem influenciar na postura dos líderes, o que não significa que empresas de porte maior estão isentas da ocorrência.

Muitas empresas, na figura dos seus líderes, não atentaram para as consequências do desrespeito a esse princípio, que vão desde a confusão mental dos liderados, que não sabem a quem atender, ao enfraquecimento do comando, gerando conflitos não somente entre os próprios gestores, que muitas vezes por disputa de ego, no estilo “quem manda mais”, assumem uma queda de braço e deixam o colaborador no fogo cruzado, e ainda geram com suas atitudes o atestado de falta de coesão entre as lideranças, o que distancia a empresa da criação e manutenção do senso de identidade única, valioso para qualquer organização que deseje manter uma cultura forte. É como naquela casa em que o pai dá uma instrução e a mãe dá outra. Como o filho vai saber a quem obedecer? E o pior de tudo isso é que qualquer desobediência possui consequências, e em se tratando de ambiente corporativo, o funcionário pode até ser punido com desligamento, advertência ou dano da sua imagem enquanto profissional, muitas vezes injustamente. Já vi bons profissionais sendo repreendidos por terem agido de acordo com instruções de um dos líderes, sem a concordância do outro.

Se você está na condição de liderado e possui gestores que não se alinham e falam línguas diferentes, posso me atrever a recomendar que mantenha uma comunicação clara com esses líderes, para que um compreenda nitidamente que suas ações ou a falta delas está coordenada com tal ou qual liderança. Nessas situações, investir em comunicação é ainda mais fundamental. Se você é o próprio gestor que submete seus liderados a essas condições, saiba que você pode estar inibindo o desenvolvimento da sua equipe, que, por medo de agir e sofrer consequências negativas, se torna acanhada, numa posição reativa, sem disposição para inovar ou ir além, e, como é de se esperar, certamente você está longe de ganhar o prêmio de “gestor do ano”. 

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Tags: comando Fayol liderança princípios unidade de comando

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