A tragédia das baixas expectativas

Expectativas funcionam por dois motivos. Primeiro, elas dão entusiasmo e confiança para trabalhar duro. Segundo, como um placebo, elas subitamente mudam nossa atitude

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Pergunte a uma centena de estudantes da Harvard Busines School se eles esperam um bom emprego quando terminarem a graduação e todos responderão “sim”.

Pergunte a uma radiante garota de 10 anos se ela espera uma chance numa carreira de matemática, e provavelmente ela já estará pronta para dizer “não”.

Expectativas não são garantias, mas podem nos dar uma chance de agir tal como esperamos, trocar o agora pelo depois, investir em trabalho duro e sonho produtivo como maneira de provocar impacto.

Expectativas funcionam por dois motivos. Primeiro, elas dão entusiasmo e confiança para trabalhar duro. Segundo, como um placebo, elas subitamente mudam nossa atitude, e nos fornece a resiliência necessária para continuar apesar das dificuldades.

“Eventualmente” nos dá energia para persistir.

Quando nossa cultura diz: “pessoas como você não deveriam esperar ter uma vida daquela”, ela está roubando. Roubando de pessoas capazes de conquistar mais, bem como roubando da nossa comunidade. Como pode uma sociedade (que somos nós) dizer: “nós não esperamos que você se forme, nós não esperamos que você lidere, nós não esperamos que você faça a diferença”?

Quando as pessoas são levadas a trocar suas paixões e seus esforços pelo falso consolo de desistir e reduzir suas expectativas, todos nós perdemos. E (quase tão ruim) quando elas substituem a realidade das expectativas pela aventura quixotesca do impossivelmente maior, sonhos irrealistas, nós também perdemos. Sonhos “disneyescos” são uma maneira de se esconder, porque o Príncipe Encantado não vai chegar tão cedo.

Expectativas não são garantias. Pensamento positivo não garante resultados, tudo o que pode fazer é algo melhor do que pensamentos negativos.

Expectativas que não correspondem ao que é possível são meramente falsos sonhos. E expectativas pequenas demais são um desperdício. Precisamos de professores e líderes e colegas que nos ajudem a ir além e descobrir o que é possível, para que possamos fazer algo semelhante.

Expectativas não são desejos, são parte de uma equação direta: esse trabalho mais aquele esforço mais essas pontes levam à probabilidade daquele resultado. É uma consciência clara do que é possível combinado com uma comunidade que compartilha da sua visão.

É fácil manipular a linguagem das expectativas e transformá-la em uma armadilha, um abandono do tipo “você-está-por-sua-conta”. Mas a expectativa é contagiosa. Expectativa vem da nossa cultura. E, acima de tudo, expectativa depende de apoio – persistente e generoso, para que seja criado um lugar onde o salto possa acontecer.

Existem limites ao nosso redor, estereótipos, campos desnivelados, desafios sistêmicos onde deveria existir apoio. Um impacto silencioso, mas corrosivo, que essas injustiças criam está nas mentes dos desprivilegiados, em suas percepções do que é possível.

O reflexo que mostramos para a pessoa próxima a nós é uma das imagens mais importantes que ela jamais verá novamente.
Se podemos ajudar apenas uma pessoa a recusar falsos limites, fazemos uma contribuição. Se podemos dar educação às pessoas, ferramentas e o acesso que elas precisam para atingir seus objetivos, fazemos a diferença. E se ajudamos a apagar falhas sistêmicas, tradições e políticas que levam grupos inteiros de pessoas a insistir no menor, nós mudamos o mundo.

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