A ÚLTIMA PAREDE

Quando você começar a erguer essas paredes, a bagunça será inevitável. Transtornos, dúvidas, medos, cansaço farão parte do seu dia a dia. Entretanto, é a sua única saída para construir a obra mais importante que todo ser humano deve erguer: a dos seus sonhos.

Quando resolvi fazer algumas mudanças em casa, a bagunça começou. Quem já se envolveu com construções, sabe do que estou falando, e mesmo se você nunca lidou com isso, é capaz de imaginar o transtorno que uma obra gera.

Depois de uns três meses da obra de ampliação que iniciamos, lembro do que um dos pedreiros me disse: " ‘seu’ Paulo, esta é a última parede. É ela que terá a maior viga de sustentação. Sem ela, a casa pode ficar linda, mas corre sério risco de desmoronar".

Aquela frase me marcou, por que na vida da gente, pessoal ou profissional, quase sempre é uma bagunça quando promovemos mudanças, sejam elas pequenas ou grandes, que as estejamos começando do zero, ou apenas fazendo algumas ampliações.

Quando nos envolvemos em mudanças, parece que nunca vão terminar, e assim como uma obra, no começo do processo, tudo fica mais feio, uma quebra-quebra geral, mais destruição do que construção.

Já vi pessoas abandonarem uma obra, por que não aguentam tanta bagunça, ou, no meio do caminho, percebem que não darão conta de terminá-la.
Assim é na vida. Às vezes você, que havia parado de estudar, começa uma mudança, e retoma sua obra, seu projeto com os estudos. No entanto, faz uma tarefa aqui, outra ali, enfrenta dificuldade aqui e ali, porém, quantos desistem no meio do caminho? Não aguentam a bagunça, os transtornos que essa reconstrução está gerando?

A mãe, que cuidava do filho o dia todo, ao retomar suas atividades estudantis, sente-se acabada no fim da noite, e mais ainda, por pensar que está deixando o filho com a babá, ou com alguém da família, e não raras vezes, desiste da faculdade por não suportar o peso da nova obra que estava erguendo, para ter e dar melhores condições a quem tanto ama. Ela não ergueu a última parede, pois se bastaria conectar suas competências profissionais, de estudante, e mãe, para que a obra fosse acabada. Como não fez isso, certamente, lá na frente, a agonia, um sentimento de vazio lhe invadirá, quando quem tanto amou, por razões naturais, se afastará.

Ou o pai, que parou com os estudos para trabalhar mais, e ganhar o suficiente para honrar compromissos tidos, antes, e hoje ainda, como de homem. Ao retornar para o ensino médio, sente-se um peixe fora d’água, pois está em meio a adolescentes, e ele já está mais velho. Quantos desistem por isso, ou, simplesmente por não suportarem o cansaço, ou ainda, por não terem tempo livre para o boteco no fim da tarde. Deixam a obra semiacabada novamente, e retomam o cotidiano que, provavelmente, não lhes dará um futuro melhor.

Quem sabe você, no trabalho, tenha procurado construir uma bela obra, e de parede em parede, como numa casa que vai sendo erguida, se doa, se compromete, aceita ganhar pouco por um tempo, na ânsia de ser promovido. Mas, como fez muitas mudanças para poder se dedicar mais à carreira, já não aguenta mais esperar, e acaba parando no meio do caminho, pedindo demissão ou deixando de lado todo empenho que vinha tendo.

O que acontece com essas pessoas? Elas não aguentaram erguer a última parede. Exatamente quando a obra estava por acabar, por ser concluída, elas desistem, e a chance de que tudo desmorone é grande, juntamente com o sucesso que a pessoa procurava, na carreira, na vida, nos negócios.

Se você quer muito alguma coisa, e começou uma mudança para consegui-la, vá até o final, erga a última parede.

Se você é um vendedor que está prospectando, mas sem conseguir efetivar a venda, não pare agora. Qual parede precisa erguer, não no sentido de bloquear suas vendas, mas, de criar a base, a sustentação necessária para que o cliente deseje seus produtos ou serviços? Se você é um empresário, empresária, e não tem obtido muito êxito nos negócios, ou não consegue ampliá-los, qual é a última parede que precisa levantar?

Será que não está faltando a parede da gestão correta? Quem sabe da ousadia? Pode ser ainda a dá coragem? Do foco? Do posicionamento da sua marca? A de aprender a liderar quem trabalha com você, de uma forma que entreguem todo o potencial que possuem?

Qual parede está faltando você erguer, colaborador, que anseia subir os degraus na multinacional na qual trabalha, ou, na pequena empresa do interior? Será que não falta o pilar da responsabilidade, ancorado pela parede do comprometimento? Pode ser que a parede do tempo ainda não tenha sido erguida, e você quer sucesso na sua obra, sem antes dar tempo para os primeiros tijolos ficarem firmes, não é?

Tudo isso, é o mesmo processo que o pedreiro do início deste texto me disse. Se você não erguer a última parede, tudo vai ficar torto, perigoso, e um dia, vai desmoronar, por mais bonito que pareça durante um tempo.

Pense nisso para sua vida, para sua carreira, nas suas relações. Será que você não está parando no meio da obra? Talvez tenha erguido algumas paredes, no entanto, falta exatamente aquela que lhe daria maior sustentação?

Quando você começar a erguer essas paredes, a bagunça será inevitável. Transtornos, dúvidas, medos, cansaço farão parte do seu dia a dia. Entretanto, é a sua única saída para construir a obra mais importante que todo ser humano deve erguer: a dos seus sonhos.

Qual é, ou quais são, as suas últimas paredes?

Forte abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre.

Prof. Paulo Sérgio
Empresário e Palestrante

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