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As relações interpessoais nas organizações globais.

O recursos humanos é o principal diferencial competitivo das empresas globais, o perfeito uso desta ferramenta constitui ações eficientes e duradouras, as quais podem ser o limiar entre empresas de sucesso.

Lúcio Brandão,

Atualmente, muito tem se falado da importância das relações interpessoais dentro das organizações, de se humanizar o ambiente de trabalho, mas afinal o que é essa tal humanização?

Humanizar significa respeitar o trabalhador enquanto pessoa, enquanto ser humano. Significa valorizá-lo em razão da dignidade que lhe é intrínseca. A prática da humanização deve ser observada ininterruptamente. O comportamento ético deve ser o princípio de vida da organização, uma vez que ser ético é preocupar-se com a felicidade pessoal e coletiva.

Numa sociedade em que os valores morais estão sendo dissipados por ações que descontroem a ética e a moralidade, existe uma necessidade latente de se buscar humanizar as pessoas e consequentemente as organizações.

Diante disso, com o aumento da necessidade das empresas de gerarem resultados positivos, tem se enfatizado a importância das relações interpessoais com vistas a melhorar o desempenho funcional e consequentemente contribuir para a efetivação dos objetivos organizacionais. O relacionamento interpessoal saudável, por exemplo, às vezes não encontra guarida no âmbito organizacional, gerando os mais diversos conflitos e, portanto, “desumanizando” as organizações.

O PAPA JOÃO PAULO II apud MASLOW (2000: 61) assevera que: O propósito da empresa não é simplesmente lucrar, mas ser vista em sua base como uma comunidade de pessoas que, de várias formas, estão se esforçando para satisfazer suas necessidades básicas e que formam um grupo particular no serviço de toda a sociedade. O lucro é um regulador da vida de um negócio, mas não é o único regulador; outros fatores, humanos e morais, também devem ser considerados, pois, a longo prazo, serão igualmente importantes para a vida do negócio.

A IMPORTANCIA DO RELACIONAMENTO INTERPESSOAL

Os primórdios do tema tem no pesquisador o psicólogo Kurt Lewin os trabalhos mais significativos sobre o assunto. MAILHIOT (1976: 66) posteriormente ao referir-se a este pesquisador, afirma que “A produtividade de um grupo e sua eficiência estão estreitamente relacionadas não somente com a competência de seus membros, mas, sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais”.

Schutz, outro psicólogo, trata de uma teoria das necessidades interpessoais: necessidade de ser aceito pelo grupo, necessidade de responsabilizar-se pela existência e manutenção do grupo, necessidade de ser valorizado pelo grupo. Tais necessidades formam a tríade de que fala MAILHIOT (1976: 67), quando este faz referência aos estudos de Schutz: necessidades de inclusão, controle e afeição, respectivamente.

A importância dada aos relacionamentos parte do pressuposto de que os interesses das organizações são as necessidades e objetivos dos indivíduos de forma coletiva. Suas necessidades se originam no ser complexo que somos e que, necessariamente, passam pela emocionalidade das relações sociais e suas trocas intersubjetivas. Em síntese, seria afirmar que as organizações buscam alinhar os objetivos individuais aos coletivos de forma que possam conjuntamente possibilitar a concretização dos interesses organizacionais.

Maturana e Bunnell (1998) lembram que a humanidade começou junto com a linguagem e é ela que possibilita a comunicação, mas a linguagem não é algo puramente abstrato, pertence ao espaço concreto dos afazeres. Os relacionamentos interpessoais se fez necessário desde os primórdios da humanidade, uma vez que era necessária a formação de agrupamentos como forma de garantir a sobrevivência da espécie e no reino animal isso fica evidente ao nos depararmos com algumas espécies, as quais fazem disso condição básica para a vida.

Relacionamentos interpessoais e interorganizacionais são atualmente os grandes diferenciais competitivos das mais variadas organizações, ele por sua vez, está intimamente ligado à necessidade de se ter recursos humano, mais importante inclusive que os financeiros e tecnológicos, ou seja, tem a ver com trabalho em equipe, confiança, amizade, cooperação, capacidade de julgamento e sabedoria das pessoas.

Os estudos de Gonçalves e Leitão (2001), Almeida e Leitão (2003), Pinto (2004) e Gonçalves (2005) possibilitam identificar elementos centrais na forma como se desenvolvem os relacionamentos em oito empresas ali estudadas, consideradas na vanguarda do projeto. Eles estão aqui expressos em termos de valores e práticas de gestão:

1) reconhecimento de que a organização é uma construção de todos;

2) não busca lucros máximos e acumulação;

3) lideranças motivadas para a mudança e conscientes da necessidade do exemplo pessoal;

4) elevado comprometimento com as metas e maior motivação para o trabalho;

5) eliminação da mentira junto a seus stakeholders e conduta ética;

6) compatibilização entre produtividade e emprego;

7) participação nas decisões, diálogo, cooperação, solidariedade e espírito comunitário;

8) respeito ao ambiente natural;

9) espiritualidade percebida no mesmo nível da saúde física e mental.

A importância dos relacionamentos interpessoais é evidente, os efeitos que a boa gestão deste recurso pode constituir o principal diferencial entre empresas, mas esta tarefa aparentemente simples é bem mais complexa, já que está se falando de homens e mulheres que tem sonhos e frustrações que podem ser o limiar entre um profissional bem sucedido e um “colaborador problema”.

Diante disso o gestor deve estimular micro processos relacionais que possam de forma integrativa e interdisciplinar alinhar eticamente e moralmente os objetivos individuais aos coletivos, claro que respeitando os limites e a formação intelectual deste colaborador, já que suas particularidades são os elementos mais importantes para a formação de um profissional bem sucedido e consequentemente agrupado a uma equipe pode se ter um grupo com alto desempenho.

Dentre tantas alternativas em busca da melhor forma de se harmonização da relação homem/trabalho, é mas do que necessário existir bom senso para se chegar o mais próximo deste processo. A integração gestor/colaborador deve ser flexível, já que aqui a produtividade funcional é o mais importante e ela está intimamente ligada ao clima organizacional. Só assim surgirá um funcionário que possa explorar ao máximo suas potencialidades em favor dos ideais de uma empresa

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Tags: gestao de pessoas recursos humanos relacionamentos

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