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Assuma ser autor e personagem da sua história de vida

Seja autor da sua biografia e pare de responsabilizar o mundo, ou os demais, pelas suas frustrações, inquietudes e falta de sonhos próprios

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O número de pessoas que ao longo da sua vida passa se queixando dos altos e baixos do seu destino só tem crescido, e de forma especial em nossa cultura latina.

São pessoas que transitam por sua existência sem terem se apropriado de sua história, biografia e destino. Levam a vida em função de expectativas, comentários, orientação e palpites dos outros.

E estes “outros” podem ser familiares, professores, gurus, formadores de opinião ou pessoas com algum destaque em qualquer atividade na vida social ou meios de comunicação.

Reverter este quadro tem sido parte de muitos dos debates, avaliações e análises do nosso sistema educacional e políticas sociais. Ampliado agora pelo acentuado aumento nos índices de longevidade da população.

Ou seja, corremos o risco de termos uma população idosa que vai passar boa parte do seu tempo buscando culpados para responsabilizar pela suas insatisfações, fracassos e desmotivação com a sua própria vida.

Exatamente numa fase em que um dos fatores mais importantes para superar este sentimento e comportamento, será a capacidade de, cada indivíduo, desenvolver instrumentos, formas e atitudes para se reinventar nos vários papéis que vive.

A possibilidade de reverter este diagnóstico começa na intimidade da própria família, se estende pela estrutura formal do sistema de ensino, envolve os processos de escolha e orientação de carreira, apoio psicológico, mundo corporativo, meios de comunicação, movimentos religiosos, auto-desenvolvimento, reflexão e muitos outros agentes do processo que influi e interfere na formação da individualidade.

Quando olhamos esta questão na perspectiva da família um dos pontos que chama a atenção é que muitos pais não educam filhos para a vida. Estão preocupadas em formar pessoas moldadas pelos seus próprios sonhos, medos, receios e limitações. Ou seja, criam filhos para sí mesmo, temendo perde-los ou imaginando que jamais estarão em condições de encarar a vida na sua plenitude de conquistas e fracassos.

Um indicador muito atual é a quantidade de filhos – especialmente figuras masculinas – que permanecem na casa dos pais até uma idade bastante avançada. E a justificativa, de maneira geral, é de que, além do conforto, estão aguardando conseguir uma situação financeira mais segura. Discurso este reforçado pelos próprios pais, que muitas vezes fazem ainda sacrifícios, de várias naturezas, afirmando que “os filhos devem ser poupados das dificuldades que eles próprios viveram...”

O efeito desta atitude tem resultado em individuos despreparados para assumir sua própria história de vida, além de também evitarem compromissos nos papeis de cônjuges, pais, profissionais e até mesmo como cidadãos.
A seguir surgem as instituições de ensino, - com honrosas exceções - onde o processo educacional ainda está baseado em modelos impositivos, avaliações padronizadas, bloqueio da criatividade, do empreendedorismo e, mais grave, ainda, na falta de estímulo ao processo reflexivo na busca das suas próprias aspirações e fontes de realização.

Complementam este processo de castramento do compromisso para o próprio indivíduo se tornar autor da sua biografia, gurus da auto-ajuda, orientadores de carreira com receitas prontas, histórias de figuras emblemáticas pouco inspiradoras ou incoerentes entre sua vida pública e privada...

Meios de comunicação e conteúdos que valorizam a esperteza em detrimento da importância de conquistar algo por mérito, esforço, disciplina e dedicação.

Vale também um registro para os movimentos religiosos que continuam pregando uma submissão na vida terrena, diante da promessa de uma vida eterna cheia de maravilhas e paz duradoura. Ou seja, seus méritos são muito maiores pelo que você deixa de fazer, do que aquilo que realiza ou conquista.

Enfim, num mundo em profundas transformações, questionamentos, avanços tecnológicos, conflitos e choque de valores, se torna fundamental que cada indivíduo ouse se apropriar da sua história de vida. Seja autor da sua biografia e pare de responsabilizar o mundo, ou os demais, pelas suas frustrações, inquietudes e falta de sonhos próprios.

Este artigo nada mais é do que apenas uma provocação. E de forma especial para todos aqueles que desejam prolongar suas vidas com algum sentido e propósito.

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