Como encontrar o equilíbrio emocional diante de novos desafios?

Segundo uma pesquisa realizada este ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo

É muito difícil sair da “zona de conforto”, mas quando a última gota d’água transborda, você precisa tomar alguma atitude. No início de 2016 a minha saúde vinha sendo afetada diariamente por conta da intensa sobrecarga de trabalho e de uma autocobrança absurda. Era preciso ou me adaptar ao ambiente corporativo tal qual eu vivia ou construir minha própria jornada. Preferi me afastar de tudo que estava me intoxicando (a cidade, o trabalho, a rotina). Fui morar na floresta (literalmente) determinada a enfrentar os meus medos e a repensar sobre o meu propósito de vida. Voltei a estudar espanhol, entrei para o Muay Thai, aprendi finalmente a nadar, tirei a carteira de motorista e tomei a decisão mais difícil da minha vida: empreender.

Naquela época eu tinha muitas incertezas e várias dúvidas, mas sabia que de alguma maneira devia seguir a minha intuição. Era preciso arriscar e se jogar. Como diz um amigo meu: “se for pra errar, erra direito”. No entanto, se eu já me cobrava nos tempos de carteira assinada, imagina quando fui trabalhar para mim mesma. O grande desafio era então saber como equilibrar a vida pessoal/profissional e não me desconectar de mim mesma.

Segundo uma pesquisa realizada este ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo. E aí entra o maior desafio de empreender: lidar com uma montanha russa de emoções e superações a todo momento. É muita pressão mesmo: da equipe, dos clientes, dos sócios, da família, mas sobretudo de nós mesmos. Hoje com mais propósito no trabalho, consigo escutar e interpretar os sinais do meu corpo. Substitui os ansiolíticos por corrida, yoga, dança e meditação, afinal a primeira mudança inicia dentro de nós.

Creio que muitas vezes esquecemos nossa própria condição humana: passamos madrugadas trabalhando focados na estratégia do negócio e lidando com o risco a cada segundo. Todo dia é uma coisa pra aprender e algo à superar. Empreender exige disciplina, muito autoconhecimento, paciência e resistência. Praticamente uma maratona. Mas é fundamental também a pausa: respirar e recuperar o fôlego, senão você se afoga.

Na última semana conheci 3 super grandes mulheres que são exemplo de superação emocional e que enfrentaram as adversidades com muito foco e objetividade. Juliana Glasser, fundadora da Carambola e do Engenho Maker, super competente e que passou por cima do preconceito em ser uma mulher programadora e homossexual, Nina Silva, Gerente de Projetos da Honda que já enfrentou o racismo e o assédio moral em determinada fase de sua carreira e Patrícia Borges, Desenvolvedora de Software na Globo.com que superou a deficiência visual e os preconceitos da área. Todas estas têm em comum o fato de não desistirem de seus sonhos. De terem resiliência e resistência emocional.

O medo faz parte da gente (nascemos com ele), porém não podemos deixar que ele trave os nossos projetos de vida. Como dizia Cora Coralina “Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir”.

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Tags: carreira desafios equilibrioemocional resiliência

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