Como o ego pode atrapalhar na sua carreira?

Para a filosofia o Ego, significa o “eu de cada um”, afinal, o que seria isso?

   Para a psicologia o ego é núcleo estruturante, um princípio de organização dinâmica que avalia, orienta e determina as atitudes dos indivíduos. O senso comum traz a ideia de pessoas voltadas pra si, que priorizam seus próprios interesses em detrimento do bem estar comum. Isso na verdade é uma distorção, pois o ego nos protege nos fortalece, quando estamos em equilíbrio e maduros emocionalmente.

   Nas relações profissionais, dizemos ser difícil trabalhar com pessoas com “ego forte”, na verdade estamos nos referindo a pessoas vaidosas, egoístas, que necessitam atrelar as vitórias, os bons resultados, a inovação aos esforços individuais, tendo como combustível a admiração, o reconhecimento (status ou financeiros), o poder e, até mesmo a inveja dos colegas de trabalho.

   Nossa carreira, para ser realmente satisfatória, passa por ter significado, ser um canal para vivência de nossos dons e talentos, atender necessidades intrínsecas. Quanto mais nos conhecemos, mais conscientes do que nos impulsiona, nos agrada, nos atinge, nos coloca na defensiva, e menos refém das armadilhas de proteção do ego ficamos.

   Todos nós, ao sermos contratados, apresentamos nossos CV, com experiências acadêmicas, profissionais e comportamentos que podem fazer a diferença no processo seletivo. Porém não temos o hábito de avaliarmos com profundidade nossa biografia. Por que somos tão perfeccionistas, competitivos, colaborativos, inseguros, arrogantes, planejados, procrastinadores e etc? Por que?

   Quando estamos numa organização social como uma empresa, tendemos a reproduzir padrões de nossas primeiras experiências sociais, repetir formas de comunicação e relações interpessoais, posturas irrigadas na primeira infância. Crescemos por fora, mas em diversos aspectos somos ainda infantilizados e assim como uma criança pequena, queremos o amor exclusivo e todas os desdobramentos desse desejo - atenção exclusiva, diferenciação, priorização das próprias vontades. Queremos as coisas do nosso jeito.

   Quando profissionalmente encontramos pessoas que não conhecem minimamente como funcionam emocionalmente é bem complicado, pois de modo geral, causam disfunções nos times que fazem parte e, quando são líderes, com o poder para potencializar suas distorções egoicas, geralmente criam muitos conflitos, competições, stress.

   O ego pode atrapalhar nossa carreira quando não sabemos a dimensão dele, quanto em busca de aprovação, reconhecimento, carências e inseguranças tomamos atitudes como só ser legal com quem gostamos, quem nos elogia, quem não coloca nossa autoridade em risco. É comum criamos clima de competição exacerbada, desconfiança, falta de parceria. Outro risco é ficarmos com uma visão limitada da realidade, sem o confrontamento com outras perspectivas e por isso não tomarmos as melhores decisões.

   O ego distorcido afasta a possibilidade de sermos quem somos em nossa essência, viramos reféns da máscaras que criamos para nós mesmos. Reflita um pouco: quais são suas máscaras prediletas? Do super poderoso, assertivo/agressivo, competitivo, workholic, vítima, agradador, indiferente, desconfiado, bonzinho... são tantas possibilidades. Quais ganhos e quais perdas o uso prolongado ou excessivo tem influenciado sua carreira.

O autoconhecimento é a chave para o início da mudança positiva.

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