Desenvolvendo o mindset criativo

Ser curioso como os bebês, imaginativo como as crianças e crítico como os adultos é permitir que as experiências ao seu redor escrevam a todo instante, capítulos criativos no seu “livro mental”

A partir do momento que o mundo corporativo direciona seus esforços para tornar a inovação algo inerente a sua cultura e então criar e sustentar diferenciais competitivos, associa-se a esse contexto o fator criativo. A criatividade está ligada a um conjunto de atitudes, comportamentos e habilidades que permitem a geração de ideias diferentes; e que, quando direcionadas e aplicadas da forma correta deixam de ser ideias criativas e para gerarem resultados inovadores.

Mesmo sabendo que diante deste cenário, ter a criatividade como aliada ao perfil de alta performance é uma excelente estratégia de desenvolvimento profissional, alguns tendem a supor que a criatividade é um dom, uma dádiva concedida a outros; e se perguntam: o que eu posso fazer para me tornar uma pessoa mais criativa? Pois bem, a criatividade é resultado de um estado mental estimulado a partir de nossos conhecimentos (adquiridos de maneira formal ou não), nossas habilidades (aplicação prática dos conhecimentos) e nossas atitudes (nosso comportamento diante dos fatos), que criam as condições ideias para nosso cérebro:

  • Observar sem miopias o contexto ao seu redor
  • Organizar as informações de forma plena e acessível
  • Conectar melhor as informações para que elas se tornem úteis.

No limite, ser criativo é permitir que seu cérebro trabalhe para você e não por você e que esse fato deve ser estimulado continuamente.

Contexto Cerebral

Nosso aparelho mental costuma nos pregar algumas “pegadinhas”, e muitos até o chamam de preguiçoso. Essa fantástica máquina de processamento, que representa apenas 2% de toda nossa massa corpórea é uma exímia consumidora de energia do nosso corpo, chegando a consumir entre 18% e 20% da nossa energia. Agora imagine 2% de massa do seu corpo consumindo 20% de toda sua energia corpórea. Esse fato contribui para que o nosso cérebro esteja sempre em um nível de recepção de informações limitado, afinal de contas ele precisa operar em processos otimizados e já reconhecidos, pois de forma contrária ele consumiria ainda mais de nossa energia! A conclusão disso tudo é que nosso cérebro busca o comodismo, a zona de conforto, e nos leva a cair na rotina em nossas ações. 

Diante deste contexto, como você acredita que são geradas as boas ideias se o nosso cérebro tende a nos levar para “o mal caminho”?

Insights Criativos

Algo que repito para todos meus alunos é que insight é um processo mental natural, resultante do perfil curioso, que se permite colecionar experiências de diversas esferas e magnitudes, adicionando ao seu baú de histórias, referências de fatos positivos e negativos. Falando metaforicamente (metáfora é a linguagem do inconsciente, e este representa o maior espaço disponível para armazenamento de informações no seu HD mental, mas por ser inconsciente, as pessoas normalmente não sabem acessá-lo):

“Só possui o baú cheio quem tem o que colocar nele”.

O baú é sua mente criativa, composto de uma estrutura vasta e complexa de pontes que carregam além de oxigênio e nutrientes para o resto do corpo, aquilo que você coloca nele, suas experiências, isto é, um conjunto de informações vivenciadas, interpretadas e transformadas sensorialmente.

Um cérebro treinado (experiente e permissivo) fará com que, quando necessário, os pontos se conectem e a situação problema seja percebida por pontos de vista naturalmente diferentes. Como dizia Einstein: “não adianta fazer sempre as mesmas coisas e esperar por resultados diferentes”. Tudo será visto com mais clareza, e as ideias serão apenas consequência de um bom preparo.

Treinando a Mente Criativa

Manter o cérebro preparado e estimulado para que as pontes se conectem e os insights façam parte da sua natureza requer disciplina, paciência e entusiasmo, algo que só se consegue com a automotivação e o hábito. Traduzindo em termos práticos, abaixo destaco algumas dicas para treinar e preservar a sua mente criativa.

Combinar a preparação neurológica e fisiológica

Mente e corpo representam um processo sistêmico e plenamente integrado nos seres humanos, o que significa que aquilo que se pensa pode afetar suas ações, bem como seus hábitos fisiológicos também influenciam a forma de seu cérebro identificar, armazenar e processar informações.

  • Boas noites de sono: ter uma boa noite de sono é mais importante do que a maioria das pessoas imaginam. Durante o processo de “descanso da mente”, uma série de reações químicas acontecem automaticamente (como um programa mental agendado para ser executado naquele momento) que irá limpar sua mente de todos os resíduos que restaram ao longo daquele dia em que sua mente trabalhou por você ou para você. Lembre-se, para andar com seu baú cheio você precisa tirar o que não importa e dar espaço para a novidade.
  • Exercícios: fazer exercícios não apenas melhoram os aspectos de saúde, estética ou condicionamento. Os exercícios físicos ajudam o cérebro a manter fluidez durante seus processos de geração e distribuição de nutrientes para o resto do corpo.
  • Redução de estress: este é um item bem complexo, mas a lógica é simples. O cérebro, como foi dito antes, tem uma tendência a ficar na zona de conforto, portanto se ele conhece a situação problema, é isso que você terá, já que dificilmente (sem preparo) soluções serão apresentadas a você. Com isso, a mente criativa fica limitada focando no problema e nesse momento o hormônio do estress começa a ser produzido e distribuído para os demais órgãos. Esse hormônio (cortisol) “cega” ou “limita” o cérebro, o confundindo no processo de organização das experiências, que combinadas, gerariam soluções adequadas. Como reduzir o estresse? Meditação, pensar de forma empática antes de tomar uma ação, se alimentar de forma adequada e saudável. A alimentação ajuda em uma série de processos químicos que suportam nossos estados emocionais visto que todo sistema gastrointestinal, principalmente o intestino possui uma ligação muito forte com o cérebro. Sabe aquela dor de barriga que as vezes bate em situações de nervosismo? Mente e corpoestão conectados por uma via de duas mãos. Lembre-se disso!
Outras dicas
  • Quebre a sua rotina fazendo todos os dias algo novo. Desde o modo como escova os dentes ao caminho que usa para voltar para casa após o estudo ou trabalho.
  • Esteja sempre em movimento, oxigenação cerebral vem da movimentação corporal.
  • Esqueça as limitações que aparentemente te impedem de algo. Sempre é melhor escrever, pois mesmo que o conteúdo não esteja bom, você poderá voltar mais tarde para editá-lo. Páginas em branco não podem ser editadas.
  • Exercite a empatia, perceber, ver e ouvir as pessoas e os contextos por diversos ângulos é um belo exercício de flexibilidade e resiliência.
  • Seja ousado e colecione experiências, elas serão o conteúdo do seu baú.
  • Desprenda-se de crenças que sejam preconceituosas. Você tem todo direito do mundo em não dar a mínima para algo ou alguém ou se fechar para determinados contextos, mas perderá uma bela oportunidade de trabalhar o “sair da zona de conforto”.

Estado de Equilíbrio

Por fim, exerça a curiosidade dos bebês, seja imaginativo como as crianças e tenha o senso crítico dos adultos. O equilíbrio entre estes três mantras comportamentais permitirá que naturalmente e aos poucos, seu cérebro deixe de agir por você e passe a trabalhar para você, e o melhor, de forma criativa.

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Tags: criatividade desenvolvimento pessoal inovação insights mente criativa neurociência

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