Diversidade nas empresas: a distância entre o desejo e o resultado

O tema diversidade vem ganhando espaço no ambiente corporativo, mas ainda estamos muito distantes de mudanças efetivas.

Em um passado não muito distante...

Não existia o Google.

Não existiam smartphones.

A internet ainda era um universo restrito, tanto em volume de informação quanto no acesso.

Quantas opções de profissão existiam? Talvez um terço das existentes hoje. O ideal era passar anos na mesma empresa, fazer carreira, ou no mínimo não mudar muito de emprego para não “sujar” o currículo.

Ah, e naquela época também era mais difícil para pessoas de baixa renda conquistarem um diploma universitário.

Tanta coisa mudou, não é? E, ao mesmo tempo, pouca coisa mudou na maioria das corporações no que se refere à diversidade. E não falo de diversidade somente sob os aspectos de gênero e raça, mas de background, de experiências, de visões de mundo.

Grandes empresas fazem campanhas publicitárias de apoio ao movimento LGBT, igualdade de gênero e combate ao racismo. Mas essas pessoas são aprovadas nos processos seletivos? Alcançam cargos de diretoria?

Startups que por definição são inovadoras, revelam-se tão ou mais conservadoras que companhias seculares no que se refere a igualdade de gênero (vide polêmica recente que acabou com a demissão de um engenheiro do Alphabet).

Não quero dizer aqui que não exista um real desejo de inclusão. Porém, transformar aspirações em realidade requer esforço, trabalho. E, neste caso, conscientização e mudanças de atitude.

Veja, se os requisitos do processo seletivo são os mesmos, se os critérios de avaliação não são constantemente questionados, qual a real mudança?

Recentemente o CEO de uma empresa de tecnologia narrou sua experiência com a inclusão de gênero. Ele queria uma mulher para a vaga, mas nenhuma atendia a todos os requisitos. Ele optou, então, por avaliar outros critérios também e selecionou uma candidata que não dominava completamente uma determinada tecnologia (coisa que, convenhamos, pode ser superada com certa facilidade). O resultado é que, seis meses depois, a moça continuava na empresa, desenvolvendo com competência seu trabalho.

Por outro lado, acompanhei recentemente no Linkedin o caso de uma empresa que desejava contratar um transsexual, mas exigia inglês fluente (!). A intenção era genuína, mas o processo seletivo foi feito no automático.

E esse mundo de hoje, tão, tão distante do mundo de 20 anos atrás, não suporta mais ações no automático, ausência de questionamento, de inovação.

O que você tem feito para sair do automático?

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Tags: diversidade gestão inclusão processo de seleção recursos humanos