Ilusões e exageros nos processos de Recrutamento e Seleção

Mas e de quem é a culpa disso? Do RH ou do chefe? Depende.

O próprio título do artigo é bastante incisivo e define bem o que gostaria de abordar. Cada vez mais ao ouvir histórias dos meus colegas e familiares, vejo que assim como temos 2 tipos de processos, o formal e o informal, dentro das organizações existem 2 imagens das empresas, a que é vendida na hora do recrutamento e a que você encara na realidade.

Claro que nem tudo é regra, mas parece que os recrutadores gostam de criar uma empresa maravilhosa, vender até, para os candidatos, visando fazer com que seus olhos brilhem e faça-os quererem aquela vaga mais do que tudo.

As gafes já começam nos anúncios das vagas. Você está pesquisando na internet bem tranquilo quando de repente aparece uma vaga que é a sua cara! Então clica nela e vai ver a descrição, até que se depara com mais mistérios e segredos do que informações. Frases como:

Benefícios compatíveis com o mercado…
Empresa não identificada…
Salário à combinar…

Parece que a empresa está com vergonha de anunciar a vaga, sabe? Ao terem condições nada favoráveis e chamativas (ou por outros vários motivos), optam pelo sigilo em busca de reter mais candidatos, aumentando seu portfólio de postulantes e assim tentarem encantá-lo e até fazê-lo brigar pela vaga uma vez que o mesmo já se candidatou e está no processo.

Emprego não está fácil no Brasil, por isso, uma vez dentro do recrutamento, muito dificilmente as pessoas depois de se depararem com a realidade, negam a oferta.

Processos seletivos que duram cerca de 2 a 6 meses também são um caos. Se você estiver empregado e fazendo esse recrutamento em paralelo, tudo certo… O máximo que isso irá te incomodar é ter que sair escondido da empresa algumas vezes, e é até bom que demore pois você pode disfarçar mais as saídas, em intervalos maiores. Mas imagine para quem está desempregado? Com os nossos humildes salários de CLT já está difícil manter as contas do mês e todas as obrigações, o que dirá ficar esperando 3 meses em um recrutamento?

As organizações também nem acusam recebimento do seu currículo. Não é nada incomum você já está empregado em outra empresa e receber uma ligação chamando para outro processo seletivo. Você nem sabe de fato se está sendo cogitado para a vaga, até que receba a derradeira ligação do recrutador. Por isso privilegiados são aqueles que tem contatos dentro das empresas e fazem a ponte direta com o pessoal responsável.

Um outro aspecto importante é o feedback, mesmo quando não existe a contratação. As pessoas se sentem menosprezadas ou não capacitadas se não passarem em um recrutamento. Saber o que causou aquele insucesso ajuda os candidatos a melhorarem para as próximas entrevistas e para sua vida profissional como um todo!

Entrando um pouco na parte de experiências, conhecimentos e habilidades, temos 2 macro-grupos de equívocos.

O primeiro é sobre o excesso de qualificação para não usar nem metade dela. O famoso: Inglês Fluente.

Você realmente precisa saber falar uma língua de maneira nativa para poder mexer em um software ou conversas esporádicas? Excel Avançado é outro caso clássico. As pessoas que exigem isso talvez nunca tenham feito um curso avançado. Preencher planilhas ou utilizar fórmulas simples como SOMA e SE está longe de programar em VBA ou usar fórmulas mais complexas.

Como o segundo equívoco, temos a arte de vender a empresa. Frases como:

Ambiente descontraído = Falta de organização
Análise, manipulação e gestão de dados e informações = Fazer relatório
Gestão de carteira de ativos = Vender

Nada contra dar uma aparelhagem mais bonita às funções, acho até legal, você cria aquele sentimento de dono e de importância no funcionário (até por que ele tem mesmo!), entretanto existe uma linha muito tênue entre você querer dar um aspecto mais formal e você querer superestimar o cargo/empresa.

Brincando um pouco, lê-se: Empresa do ramo farmacêutico procura profissional para exercer a gestão dos recursos financeiros de um polo.

Traduzindo para um bom português: Farmácia contrata caixa.

Brincadeiras à parte… Imaginando que você passou por todo o processo de recrutamento e agora se encontra na função, aparecem então as descobertas mais desagradáveis.

Levar gritos, realizar atividades nada a ver com o que você faz, trabalhar fazendo hora extra direto, não utilizar nenhuma das habilidades exigidas, excesso de operacionalização, nenhuma liderança ou autonomia… Claro, estou usando várias hipérboles, mas acredito que muitos já se depararam com várias dessas circunstâncias e surpresas em maior ou menor grau.

Mas e de quem é a culpa disso? Do RH ou do chefe?

Depende.

Ao estruturar um mau fluxo de um processo de recrutamento, o RH coloca o chefe em uma posição delicada, causando muitas vezes esse equívoco ou problemática do processo. Como também um chefe que impõe certas coisas, acaba por cercear o gestor de pessoas a fazer um processo nada condizente com a realidade bem como prejudicial aos candidatos. Vários outros agentes externos e internos que interferem nisso que se fossemos citar, demoraríamos bastante. Até as altas expectativas e falta de conhecimento da empresa por parte dos postulantes ao cargo prejudicam os processos seletivos.

Passar por recrutamentos ruins é uma ótima experiência para criar maturidade para as próximas vezes e até mesmo ajudar a você na hora de elaborar um para sua empresa.

As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Avalie este artigo:
(0)
Tags: recrutamento RH seleção