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Jovem: ao planejar sua carreira considere o plano B

A busca de um plano de “B” de vida profissional não pode estar dissociado dos demais papéis que vivemos, bem como as diferentes etapas da vida

Possivelmente o “alerta” colocado no título pode parecer absurdo ou incongruente. Pelo menos para muitos jovens, que estão se preparando para o ingresso na vida profissional, ou até mesmo para um bom número de consultores que orientam ou atuam na área de planejamento de carreiras.

Devo confessar que estas percepções me ocorreram – por incrível que isto possa parecer - depois de estar tratando, por mais de 30 anos, com processos de preparação para a aposentadoria, de executivos com vínculo empregatício, autônomos, empreendedores e profissionais liberais.

É doloroso constatar o quanto estas pessoas, nesta chamada terceira etapa das suas vidas, manifestam dúvidas, lamentos e interrogações, ao se referirem, ou avaliarem, o seu passado.

Boa parte deles afirma estar extremamente “carregados” de arrependimentos e frustrações, – pelo que deixaram de fazer, ou, simplesmente, adiaram – o que acarretou, nesta etapa da vida, a consequente falta de um sonho, ou de qualquer perspectiva.

Sentem que lhes fez falta um plano “B”, chegando até mesmo a demonstrar uma tremenda incapacidade de se reinventar como uma alternativa que lhes permita a essencial preservação da auto-estima.

Esta percepção foi ainda reforçada quando li a entrevista da jovem Tamara Galtaroça, aluna do curso de Consultoria e Imagem, publicada no jornal “O Estado de São Paulo”, em que afirma textualmente:

“Trabalho em um banco, mas sempre quis ter um plano “B” na vida profissional, uma forma de ganhar uma renda extra e, quem sabe, até trocar de carreira mais tarde. Migrar para outra área é algo que sempre cogitei. Não mudaria radicalmente agora. Mas no futuro, talvez, seja uma alternativa profissional interessante. E para que isso possa se tornar realidade, deixando de ser apenas um complemento de renda, preciso aprender e ganhar segurança na atividade.”

O que vale ressaltar é que a busca de um plano de “B” de vida profissional não pode estar dissociado dos demais papéis que vivemos, bem como as diferentes etapas da vida.

Em nossa existência, assumimos papéis que, com certeza, terão grande influência em nossas carreiras. Refiro-me a papéis como: conjugal, familiar, social, espiritual, educacional e individual.

E devemos considerar também as exigências que vão surgindo, ou mudando, ao longo das diferentes etapas da vida.

Vejamos alguns exemplos relativamente previsíveis: jovem na casa dos pais; busca de autonomia psicológica e financeira; envolvimentos afetivos; relacionamentos sociais; amizades; relação conjugal; paternidade ou maternidade; educação dos filhos; meia-idade; envelhecimento, etc.

Cada uma destas fases apresenta exigências diferentes que muitas vezes não são encaradas pelas pessoas.

Apropriar-se da sua história de vida, mas de uma forma plena, é algo que ainda não faz parte do processo educativo, tanto nas famílias como da escola formal.

Muitos indivíduos passam toda sua existência atribuindo suas escolhas à terceiros. O que, além de não ser justo, impede o crescimento como um ser humano pleno.

Portanto, o que procuro fazer nesta reflexão, é provocar em cada leitor – especialmente os jovens – o desejo, a consciência e a busca do seu projeto de vida. Com as respectivas alternativas.

E vale tanto para quem alcança o sucesso, ou também como uma forma de estar preparado para superar fracassos ou revezes. Inevitáveis em uma existência normal.

 

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