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Lições de coaching: a arte de ouvir

Semana passada, desembarquei no aeroporto JFK para uma reunião de negócios e, como de praxe, procurei um táxi. Cumprimentei o motorista, coloquei a bagagem dentro do porta-malas e me sentei. Distraído por não me conformar com as perguntas estúpidas e sem sentido que o oficial da imigração havia me feito, de repente sou surpreendido com um comentário do motorista que começava a conversar.

Ao erguer meu olhar em sua direção, logo imaginei que ele fosse indiano ou paquistanês. Eis que o motorista me confessava ter nascido em Bangladesh . Seu nome, Abu Bakar, mais parecia o de um personagem do conto Mil e Uma Noites. No entanto, ele me disse que seu nome é uma homenagem ao profeta e melhor amigo de Maomé.

Assim, Bakar desembestava a contar sua história: casado, com uma filha de 19 anos que está terminando o segundo grau em Saint Martin, na América Central, outro filho com 22 anos, estudando engenharia civil em Nova York e a mulher desempregada, a grana estava muito curta. Lamentando a vida e quase às lágrimas, dizia-se sem esperança, sem saber o que fazer. Num lampejo, ele me pede um conselho.

Rapidamente pensei com meus botões: “caramba, dou conselhos para CEOs sobre como enfrentar as intempéries que o cargo impõe, implementar suas idéias ou desenvolver a carreira e, de repente, vejo a pergunta de um motorista de táxi. Seus dilemas: o que fazer diante da crise. Daí ele dispara a seguinte frase: “não tenho desesperança como mulçumano. Acordo de manhã e faço as minhas orações. Não vejo o caminho; entreguei nas mãos de Deus”.

Eu, então, tentei lhe dar um pouco de esperança e, ao final do trajeto, quando desci do táxi, ele se vira para mim e diz: “muito obrigado, o senhor não sabe o quanto estou me sentindo melhor”. Caminhando rumo ao hotel, percebi o quanto aquela cena não só me emocionara como reforçava algo que sempre defendi e vejo muitos ignorar nos processos de “coaching” : a simples importância de ouvir.

Claro que ele se via diante de um grande problema, mas na verdade o taxista ansiava por alguém que escutasse sua história, lhe desse atenção. Minha experiência em clínicas de “counseling” mostra o quanto as pessoas têm dificuldade de ouvir o outro, se manter no silêncio e entender aquela voz incontida em meio a tanta falta de atenção desse mundo enlouquecedor. Não podemos esquecer que ouvir é uma arte e a recompensa não tem preço! Acreditem, somos capazes de mudar a vida de alguém com o simples ato de ouvir.

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Tags: conselhor falar ouvir treinar

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