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Num mercado de trabalho V.U.C.A., o que os profissionais precisam aprender para se reinventar?

A sigla V.U.C.A surgiu no final dos anos 90 e tem origem no vocabulário militar. Ela é utilizada para definir algumas características do mundo atual, a saber: volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity).

(*) Por Gilberto Brant
A sigla V.U.C.A surgiu no final dos anos 90 e tem origem no vocabulário militar. Ela é utilizada para definir algumas características do mundo atual, a saber: volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity).

Os princípios do V.U.C.A, portanto, tendem a moldar a capacidade dos profissionais compreenderem as consequências de suas ações, de estarem preparados para realidades diferentes, saber interpretar oportunidades inesperadas, mas relevantes e, por fim, antecipar questões que guiam o seu desenvolvimento.

O que nos leva a duas possibilidades de comportamento: tentar continuar a pensar e viver neste mundo V.U.C.A com os padrões tradicionais ou aprender a quebrar esses padrões, tornando-se mais alerta e preparado para ambientes voláteis, recheados por crises econômicas, disrupturas e novas concorrências, onde a tomada de decisões rápidas é necessária para combater eventuais turbulências.

Como desenvolver novas habilidades e comportamentos neste cenário?
Segundo Arline Davis, Diretora de Treinamento e Desenvolvimento da SBPNL - Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística, a chave da questão está em como trabalhar o sistema de crenças da pessoa. Segundo ela, o profissional que enfrenta este cenário precisa “aprender a desaprender", mudar sua forma de atingir objetivos apenas pela experiência histórica e buscar novas competências para atingir resultados e fazer gestão de pessoas.

A falta da capacidade de adaptação pode comprometer o desempenho profissional e até a qualidade de vida do indivíduo. O que, por sua vez, ocasiona desconforto ou até angústia, a depender. “A incerteza é especialmente desafiadora, pois usamos nossos aprendizados ao longo da vida para formar nosso ‘mapa’ de mundo. Desbravar um novo território, sem mapa, sem bússola e sem um guia pode ser demasiadamente estressante.

Diante disso, as pessoas podem ‘travar’ em reações, ao invés de avançar com novas respostas. Quando falamos em “travas”, pensamos em paralisia, podendo ser, inclusive, um gatilho para a temida síndrome de “burnout”, gerando fortes impactos nas pessoas e nas organizações”.

Arline explica que um dos pressupostos da PNL diz que as limitações estão no modelo de mundo do indivíduo e não no mundo em si. Dessa forma, entende-se que não há restrições e contingências no ambiente e mercado, mas, sim, no sujeito. Esta premissa ajuda e apoia o desenvolvimento das competências necessárias para lidar com um mundo neste ambiente V.U.C.A. Na superação do assoberbamento, stress e reatividade, o profissional pode aprender e desenvolver qualidades como agilidade, confiança e criatividade, necessárias para responder proativamente, ao invés de apenas reagir.

Abordagens como esta, baseadas em uma visão sistêmica do ser humano, foram o foco do Congresso Mundial 2017 da PNL, Hipnose e Coaching, realizado em Paris, com a participação de cerca de 200 especialistas de países como Alemanha, Suíça, Brasil, Nova Zelândia, Japão, França, Portugal, Inglaterra, Turquia, Israel e Cingapura.
No evento, Arline Davis apresentou uma metodologia por ela desenvolvida, o “Evolutionary Coaching Cycle”, que possibilita que o Coach (profissional de coaching) desenvolva em seu coachee (cliente) o potencial criativo, intelectual e emocional que possibilita mudanças necessárias para este novo cenário.

“O objetivo desta metodologia é expandir o potencial individual, melhorando o desempenho pessoal e profissional, por meio do aperfeiçoamento de habilidades e competências indispensáveis para que as metas pretendidas sejam atingidas”, comenta Arline.

Arline Davis mencionou o enfoque dado no Congresso sobre os grandes desafios empresariais desse momento. Entre eles, acompanhar as mudanças contínuas e a complexidade ocorridas num contexto de competição do mercado e a necessidade de desenvolvimento humano para conviver no ambiente V.U.C.A..

Palestrantes de destaque
Arline cita a palestra de Bruce Grimley, PhD em Psicologia, que levou a palestra “Hipnose e PNL, um espaço social para reorganização de identidade”, na qual falou sobre jornada humana pela vida e o uso de mapas que foram criados na infância e adaptados ao longo desse percurso, que são úteis, porém não são suficientes em cenários de mudanças e imprevisibilidade.

Fazendo uma referência à literatura acadêmica, Grimley coloca a hipnose como espaço social criado para auxiliar nesta transformação. Em termos gerais, somos formalmente convidados a utilizar as habilidades do hemisfério direito e os aspectos mais inconscientes da nossa arquitetura interna para chegar fenomenologicamente a um local que suporte nossos novos resultados durante um novo ciclo de existência.

Outro participante sublinhado pela especialista foi Lucas Derks, escritor, instrutor, psicólogo, conferencista internacional, estudioso de PNL desde 1977 e criador do método “Depression in Awareness Space (DAS). O método é um marco na psicologia, pois com a ajuda da PNL, consegue ajudar seus clientes a desenvolver suas capacidades ocultas em apenas uma sessão. O DAS é composto por uma série de ações que levam ao diagnóstico e solução rápida do problema. O primeiro passo é identificar os chamados pontos escuros ou traumas. Posteriormente, o profissional ajuda o cliente a explorar a questão escondida “por trás da escuridão”, para, a partir desse ponto, começar a transformar essa deficiência em "uma capacidade que o cliente não possui".

O diferencial desse método é conseguir trabalhar uma mentalidade positiva, afastando os “pontos escuros” de forma rápida, usando como ferramenta a Programação Neurolinguística. A metodologia desenvolvida por Derks proporciona uma sensação reconfortante ao cliente, à medida que explora as questões mais difíceis já vividas e que, consequentemente, atrapalham seu desenvolvimento, seja na vida profissional, seja nos relacionamentos interpessoais.

(*) Gilberto Brant - Master Practitioner em PNL e Diretor de Marketing da SBPNL

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