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Os MOOC não são tudo isso que se esperava deles... Será que são?

Um título cativante de um artigo do Le Monde chamou a minha atenção no Twitter: "Os MOOC não são tudo isso que se esperava deles"

Um título cativante de um artigo do Le Monde chamou a minha atenção no Twitter: "Os MOOC não são tudo isso que se esperava deles" Intrigado, li o artigo, ou mais exatamente o editorial, sobre o fato de que as taxas de conclusão são ruins, que por fim nada se compara a uma boa formação tradicional e que as universidades, ou melhor, os professores, estão se afastando dessa modalidade.

Percorrendo os caminhos no mundo da formação profissional há quase 20 anos e tendo a oportunidade de exercer minha profissão nos quatro cantos do mundo, presenciei a formidável evolução realizada pela formação contínua em empresas, com uma busca constante pela eficiência.

Houve uma concorrência feroz no mercado francês de empresas de formação por causa da seguinte máxima: se uma empresa quiser recuperar sua taxa de formação, ela deverá formar seus funcionários. Isso criou um mercado com mais de 50 mil empresas de formação, do humilde instrutor independente até as multinacionais. Essa concorrência obrigou cada agente a encontrar as melhores modalidades para formar um funcionário.

Desde uma formação em sala de aula, coordenada por um instrutor com PowerPoint, ao surgimento do e-learning e de métodos mais práticos, passando pelo mobile learning e chegando à realidade virtual de hoje e do futuro com o adaptative learning, nós desenvolvemos uma riqueza pedagógica fora do comum na França.

Há 5 anos, acompanhamos a chegada dos MOOC, vindos de universidades americanas de renome. No começo, permaneci cético ao ver estes vídeos de palestras e seus questionários, que reuniam diversas centenas de milhares de alunos apenas por causa de seus nomes, pois, pedagogicamente, a modalidade estava longe de ser a melhor. Eu poderia ter parado aí, como fez o autor desse artigo do Le Monde, principalmente se olharmos as taxas de conclusão muito baixas. Porém, vi uma verdadeira revolução na aprendizagem em três níveis:

– O conteúdo tornou-se livre e acessível para muitas pessoas, de maneira igualitária. Não importa mais a quem pertence o conteúdo (professores, universidades), a criação de conteúdo nunca foi tão prolífica: conferências TED, canais no YouTube ou ainda a Khan Academy na qual meus filhos adoram revisar conteúdo. Os MOOC fazem parte deste novo ecossistema e não é mais necessário deslocar-se até uma palestra, uma biblioteca ou uma conferência para ter acesso aos melhores conteúdos;

– O poder da comunidade dos aprendizes. Com a criação dos MOOC, surgiram novas formas de aprendizagem mais colaborativas. O autor do artigo elogia os méritos da aprendizagem com palestras, como o fato de ser uma aula sem interações à parte para saber o que seu colega de classe fará depois da aula. Sim, as redes sociais são amigas das palestras, mas não por razões pedagógicas! Por outro lado, os MOOC usam o recurso das redes sociais para criar uma comunidade de aprendizes, assim como para compartilhar conteúdos oriundos de fontes globalizadas, como jornais e sites;

– O mundo tornou-se mais plano. O autor se interessa pela educação na França, mas, para mim, o mais formidável é que um conteúdo criado por uma universidade francesa seja acessível na Costa do Marfim ou em Xangai. É uma excelente maneira de desenvolver nossa língua além das fronteiras, e em particular os MOOC podem ser a boia salva-vidas de países que não têm a mesma oportunidade de ter o mesmo orçamento com o qual a educação francesa conta. Nosso papel não é compartilhar o conhecimento? Sabemos que a educação e a expansão de horizontes sobre o mundo permitem evitar os extremos e é exatamente disso que precisamos neste momento!

Então, sim, eu acredito nos MOOC, não tanto no clichê associado a eles, e sim mais na obrigação de aprimorar nossos métodos pedagógicos: neste sentido, os MOOC nos ajudarão a continuarmos nos questionando. Não existe uma verdade absoluta quando falamos sobre formação, e eu acho esse tipo de debate saudável.

A revolução digital está em curso, e a formação pode estar no coração dela ou passar despercebida. Cabe a cada um decidir sua posição. Qual é a sua opinião? 

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Tags: carreira educacao ensino mooc