Pare de vender siglas

“A beleza é o acordo entre o conteúdo e a forma” (Henrik Ibsen)

Entre um emaranhado de siglas e termos técnicos, pergunto-me “O que aconteceu com o simples?". Quem nunca se deparou com algum termo ou expressão que alguém “soltou” no meio de uma conversa de negócios e logo pensou: “Mas o que será que isso quer dizer?”? Ou até mesmo sentiu alívio após uma pesquisa no Google...“Nossa, era só isso?” 


Qual a razão dessa sofisticação nos nossos diálogos? Porque não preservamos o lado simples das coisas?

Talvez uma necessidade de parecer SER!

Lembro-me quando o termo “RESILIÊNCIA” virou moda. Era “resiliência” para cá, “resiliência” para lá, mas quando os problemas econômicos aumentaram e as empresas foram obrigadas a reduzir drasticamente os seus custos fixos, a pressão por resultados aumentou, os benefícios diminuíram e neste exato momento muitos “resilientes” não aguentaram a pressão.

Recentemente recebi um fornecedor para uma reunião no escritório. Ao longo da conversa observei a quantidade de termos e siglas rebuscadas que ele se utilizava. A cada momento que ele mencionava uma, eu o interrompia e perguntava o que aquela expressão queria dizer e, para o meu espanto, por algumas vezes, ele não sabia responder. Quanto ao perfil dele, apresentação pessoal impecável, mas sai da reunião com a sensação de que o conteúdo deixou a desejar. Por fim, verifiquei que o produto não atendia nossa necessidade e não fechamos negócio.

No início de minha carreira, eu tive a felicidade de cruzar com um diretor exigente, sensato e que sempre aproveitava toda oportunidade que tinha para ensinar.

Lembro-me de uma ocasião que ele havia solicitado um relatório, por máquina, com a posição das horas disponíveis na produção. Algo bem simples. O que eu fiz? “Enfeitei o pavão”, fiz um relatório rebuscado, cheio de informações e gráficos. Ele? Analisou educadamente o relatório, agradeceu e disse: “Para este tipo de trabalho, os gráficos apenas gastaram tinta da impressora e folhas de papel ofício. Gasto desnecessário, por menor que seja, altera o resultado da empresa”.

O que eu aprendi? Coloque energia no que realmente trará resultado, elimine todo tipo de desperdício (todo mesmo) e pense na última linha. Ela sempre precisará estar no “azul” e de preferência acima do planejado.

Sugiro que em um contato com um cliente, com um par de trabalho ou, até mesmo, em uma entrevista de emprego, a fórmula é simples: se prepare para a ocasião, se cerque de todos os recursos que necessita e seja você mesmo! Não pense em “prender gatinhos” e sair contando para todos que “prendeu um leão”. Não seja um simulador de eficiência.

Não estaria a beleza no acordo entre o conteúdo e a forma?

 

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