Por que você trabalha?

Três formas de enxergar sua atividade profissional e como fazer uma reflexão a partir delas pode te ajudar a tomar as rédeas da própria carreira.

Qual é sua relação com seu trabalho? Para você, cada minuto é um sofrimento e as horas não passam? Você espera ansiosamente pela sexta-feira e volta a ficar deprimido no domingo à noite? Talvez você não goste muito do que faz, mas está focado no próximo passo, na próxima promoção que te fará ganhar mais e avançar na hierarquia. Por fim, talvez você esteja conectado com um motivo maior e seu trabalho é uma das formas de colocar sua capacidade e suas habilidades à serviço desse propósito.

Me arrisco a dizer que é bem provável que alguma das situações descritas acima se encaixa na sua forma de enxergar e conduzir sua atividade profissional.

Não digo isso por dizer. Não é uma opinião baseada em achismo. Amy Wrzesniewsk, uma psicóloga da Universidade de Yale, tem se dedicado a estudar como nossas concepções mentais afetam nossa forma de trabalhar. Suas pesquisas revelam que os profissionais possuem três orientações básicas. Normalmente, enxergam sua atividade como: (1) um emprego; (2) uma carreira; ou (3) uma missão.

As pessoas que veem o trabalho como um emprego enxergam sua atividade profissional como um fardo e o salário como uma recompensa. São os que dizem “trabalho porque preciso”, comemoram efusivamente a chegada do fim de semana e reclamam a cada segunda-feira. Idealizam o momento da aposentadoria, na qual “aí sim, será possível curtir a vida”. Ainda que a aposentadoria seja pouco mais que uma abstração futura.

A segunda orientação refere-se ao grupo de pessoas que enxerga o trabalho como carreira. Para esses, o trabalho não é só uma necessidade, mas também uma forma de progredir e ter sucesso. É o profissional clássico da era industrial. Cheio de ambição. Seu objetivo é escalar a pirâmide hierárquica das organizações tradicionais e ser reconhecido como um profissional bem sucedido.

O terceiro grupo de pessoas é composto por aqueles com um forte senso de propósito. A realização principal para essas pessoas é contribuir para um bem maior. Para eles, colocar seus conhecimentos e habilidades em prol de uma missão significante é a principal fonte de satisfação. As recompensas externas continuam importando, porém são secundárias. Por valorizarem a atividade, se sentem gratos, se dedicam mais e, por consequência e de um modo geral, acabam colhendo mais resultados.

Um ponto fundamental das pesquisas de Wrzesniewsk é a conclusão de que a forma como as pessoas se relacionam com seu trabalho não resulta do tipo de atividade exercida, remuneração ou grau de educação formal do profissional. Dessa forma, existem médicos que consideram seu trabalho apenas um emprego, assistentes administrativos com foco na carreira e operários da construção civil que veem seu trabalho como uma missão.

Na visão da pesquisadora e de outros psicólogos comportamentais, o modo como nós encaramos nosso trabalho é uma construção mental e é o ajuste de sua atitude que direciona o foco para uma das três abordagens. A maneira como o indivíduo dá significado ao que faz é que define o jogo.

Isso mesmo, o jogo está em suas mãos. O raciocínio deve ser: eu consigo implementar mudanças concretas no meu dia-a-dia que tragam mais propósito e prazer para a atividade que desempenho? Se sim, mão na massa!

Ao mesmo tempo, tomar conhecimento desse tipo de abordagem acaba com os argumentos para continuarmos culpando fatores externos e terceiros por nossa infelicidade no trabalho. Nos dá a liberdade para fazer um diagnóstico consciente. Esse diagnóstico nos permitirá mudar nossa rotina e trazer o sentido para nossa vida profissional ou, até mesmo, perceber que não existem mais adequações possíveis, encerrar um ciclo e partir para uma nova encarnação profissional.

E aí? Como você se sente em relação ao seu trabalho?

 

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