Porque todo administrador deveria ver O Mecanismo

A nova série da Netflix tem gerado muitas polêmicas, mas deixando elas de lado há três importantes lições que podem ser aprendidas nela

O Mecanismo. A nova série do Netflix tem dado o que falar. Inspirada nas investigações da Operação Lava Jato, a trama que adaptou nomes de personagens e histórias reais tem gerado a ira de uma parcela da população simpatizante com o antigo governo petista.

Nas redes sociais, a palavra boicote em referência a Netflix foi sugerida pelos setores de esquerda. A ex-presidenta Dilma chegou a escrever uma nota de esclarecimento criticando a série. O ex-presidente Lula afirmou que entrará com um processo: "Nós vamos processar a Netflix, nós não temos que aceitar isso. Eu não vou aceitar", disse o líder petista. 

Já o diretor José Padilha, qualificou essa discussão como “boboca” e argumentou que sua obra é uma ficção inspirada livremente em eventos reais". "Personagens, situações e outros elementos foram adaptados para efeito dramático", diz uma tela que é repetida ao começo de cada episódio.

No entanto, o objetivo desse artigo não é debater se o lado a ou o lado b está certo, o que há de verdade e o que há de mentira em cada fala dos personagens da série. A BBC Brasil, inclusive, já fez lindamente esse trabalho que pode ser lido aqui: O que é verdade e o que é invenção em 'O Mecanismo', a série da Netflix sobre a Lava Jato 

A intenção também não é discutir o contexto cinematográfico da série dirigida por Padilha, que também dirigiu a série Narcos e filmes como Tropa de Elite 1 e 2. (Apesar de que nesse ponto são só elogios, por ser uma série com bastante ritmo de enredo, com a condução narrativa a la Blade Runner versão do Diretor (através da narração em OFF) e também pelas tomadas de cenas precisas.

Mas o papo aqui é outro. São três pontos vistos durante a série que poderiam ser muito bem direcionados e refletidos nas dinâmicas administrativas, no comportamento de líderes e profissionais, e também na gestão de marketing. Vamos a elas:

Setores precisam trabalhar em conjunto
Na série fica claro que para qualquer ação efetiva como prisão, investigação ou coleta de provas acontecer, o trabalho tem que ser feito em conjunto entre a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça Federal. Quando uma das três instâncias não participa do processo, em algum momento ele empaca e até às vezes retrocede.

A mesma situação acontece com as empresas. Se dentro dos setores, os profissionais tentarem caminhar sozinhos, sem integração, uma hora vai empacar. A integração completa e troca de informações da equipe de Marketing, com o time de vendas, com o RH, com a Logística e demais departamentos faz com que realmente a organização tenha mais chances de atingir melhores resultados. E isso muitas vezes não acontece. Já cansei de conversar com amigos consultores e eles relatarem que boa parte dos problemas na hora de seus diagnósticos são empresas que não possuem integração de setores.

Quanto mais orgânica e consistente for a estrutura, mais eficiente. Resgatando uma frase de David Packard, fundador da HP: “O marketing é importante demais para ser deixado a cargo apenas do departamento de marketing.” E, na verdade, isso vale para todas as áreas.

Resiliência gera resultados
Quem assistiu a série verificou que os personagens, mas precisamente os investigadores da Polícia Federal, só conseguiram avançar e prender os infratores por conta da equipe dedicada e pelo "sangue nos olhos" que possuíam. Os resultados aconteceram pela resiliência e perfil "batalhador", mesmo sem a estrutura adequada e/ou de terem um "chefe babaca" que buscava travar algumas coisas.

Esse perfil da resiliência, da capacidade de realização, de encarar os desafios é a marca registrada dos grandes empreendedores de sucesso, é o perfil mais desejado por todas as seleções de RH hoje em dia. Busque ter esse perfil e montar equipes que também o tenham, novamente, falando em resultado, isso fará muita diferença.

Criatividade faz a diferença
A terceira lição foge do contexto e enredo do Mecanismo, mas é algo inerente a série. Criatividade em suas estratégias de Marketing. E a turma do Netflix deu um verdadeiro show neste sentido. Como fazer para divulgar uma nova série da plataforma? Redes Sociais? Ok! Por e-mail? Ok, também! Mas que tal pensar fora do quadrado?

E ele desenvolveram uma "grife para os corruptos". Com direito a vídeo para moda (assista abaixo) e duas lojas dentro do aeroporto de Brasília e São Paulo. Foi tão criativo, que você nem precisou ir ao aeroporto para ver. A divulgação "gratuita" da inusitada notícia aconteceu em dezenas de veículos de comunicação (inclusive aqui no Administradores), além do Buzz que fez nas redes sociais. Ou seja, um investimento pequeno comparado ao grande impacto que gerou. Essa é mais uma prova de que criatividade sempre é muito bem-vinda e faz uma diferença danada ao nosso favor.

Você verificou uma outra lição? Então, coloca nos comentários. Já quer uma quarta lição sobre o Mecanismo? Então, leia esse fantástico artigo do Fábio Zugman. 


Ps: Tenho quase certeza que nos comentários daqui ou das redes sociais terá pelo menos uma pessoa criticando esse texto ou indicando que é um "absurdo" tirar qualquer lição desta "série mentirosa". :P

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