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Quer conseguir um trabalho? Não comece pelo currículo!

Distribuir currículo por aí já não funciona mais! O profissional moderno sabe o que quer e como fazer para chegar lá.

Dizer que o mundo está em constante mudança ou que o mercado de trabalho não é mais como antigamente já está tão batido que não vale nem a pena repetir, mas a reflexão a seguir é desdobramento de uma reflexão sobre estas constatações.

Era comum e difundido em larga escala que "se você quer arrumar um emprego você precisa primeiro fazer um bom currículo" e por muitos anos essa foi a regra do jogo, é claro que uns mais ligados e espertos já percebiam algumas mensagens nas entrelinhas dessa regra.

O intuito dessa reflexão não é, de forma alguma, desmerecer a importância do currículo como parte integrante e indispensável no "jogo" do emprego, mas estabelecer uma compreensão um pouco mais clara da dinâmica que envolve ingressar no mercado de trabalho, conseguir um trabalho ou se recolocar no mercado de trabalho.

Partimos do princípio e, para espanto de alguns, o princípio não é o currículo. Hoje, mais do que nunca, as empresas e seus competentes departamentos de gestão de pessoas, têm, dentre seus inúmeros objetivos, maximizar a produtividade e a capacidade de fazer com que as pessoas gerem e agreguem valor ao todo. Por isso a máxima "colocar a pessoa certa no lugar certo" nunca fez tanto sentido dentro das empresas como nos tempos de hoje.

Diante desse objetivo, empresas mapeiam com muito mais atenção e detalhes os perfis de cada função dentro da empresa e, na busca pelos melhores profissionais, seguem esse critério á risca: é preciso encontrar o melhor profissional para essa função, em outras palavras, preciso encontrar para ocupar esse cargo alguém que tenha exatamente essas competências ou se aproxime o máximo disso.

Esse conjunto de competências encapsulado no que chamam de perfil ideal para a função nada mais é do que o famoso CHA da administração, Conhecimentos, habilidades e atitudes. Nota-se então que para cada vaga, cada função dentro da empresa, os critérios de escolha dos candidatos baseiam-se nos conhecimentos, habilidades e atitudes que esses candidatos têm que condizem com a função que eles exercerão. Parece lógico né? É lógico!

Acontece que, para se conseguir um trabalho, não contamos mais com a prerrogativa de ter uma oportunidade para mostrar serviço. Isso quer dizer que você precisa mostrar resultados e fazer por merecer a oportunidade de ingressar em uma empresa e ser recompensado/remunerado por isso.

Se dificilmente poderemos contar com uma oportunidade de "mostrar nossas competências" como então gerar interesse das empresas pelo nosso trabalho?

Para isso devemos começar a busca pelo trabalho beeeemm do começo...

O primeiro passo é definir com um foco objetivo quais são as pretensões do candidato em termos de trabalho. O que ele quer fazer e o que ele mais se adequa em termos de trabalho (parte-se do princípio que o trabalhador deve levar em consideração os trabalhos que terão mais chances de lhe dar prazer). Na definição pelo cargo/função a ser exercido o candidato já começa a trabalhar, num processo de introspecção, suas aspirações, motivações, sonhos e propósitos, o que se transforma em combustível para a jornada que se inicia.

A partir do momento em que o candidato escolhe o seu alvo, ou restringe significativamente as opções, restando-lhe apenas o que lhe agrada e/ou o que mais condiz com suas aptidões é hora de mapear essas funções. Aqui vale o registro de que quanto mais detalhado e aprofundado for esse estudo, maior será a chance de sucesso na busca pelo trabalho.

Quando o candidato se vê de posse de um relatório de competências que a função exige do perfil ideal é hora de trabalhar!

Essa preparação do candidato é extremamente vital para o sucesso e, infelizmente pode durar anos (inclusive para o caso de ser necessário ao candidato um curso superior completo por exemplo). Mas dia após dia o foco do candidato deverá ser no desenvolvimento das competências necessárias para se encaixar no perfil da vaga.

Conhecimentos devem ser adquiridos e refinados. Use e abuse do autodidatismo e das infinitas possibilidades que a internet tem para estudar a fundo o que de fato será relevante em termos técnicos para o exercício pleno da função que você escolheu.

As habilidades, em sua grande maioria, são desenvolvidas através de treinamentos práticos e através do trabalho, ou o que muita gente gosta de chamar de "experiência". Pois surgem inúmeros questionamentos como, por exemplo: "Como poderei ter experiência se não me dão oportunidade?" ou "Como vou treinar minhas habilidades se as empresas querem somente pessoas que já dominam essas habilidades?".

A resposta desses e de outros questionamentos é justamente a PREPARAÇÃO. Se o candidato tem claro em sua mente que sua missão é se tornar o mais próximo profissionalmente do perfil ideal desejado pela empresa ele sabe que o desenvolvimento das habilidades faz parte dessa preparação e aí é que o candidato deve expandir sua forma de entender a famosa "experiência".

Muitas pessoas ainda entendem aquela "experiência", que devemos colocar no currículo, como "empresas onde você trabalhou". Mas o conceito de experiência é muito mais amplo que isso. Viver é ter experiências, todos os dias experimentamos e adquirimos experiências, mas precisamos de indicadores para mostrar que essas nossas experiências são possíveis de ser aproveitadas dentro da empresa.

Nessa etapa da preparação, os bons candidatos se valem de oportunidades bem interessantes para o desenvolvimento de suas habilidades, como por exemplo os trabalhos voluntários, os grupos de igrejas e associações, os estágios remunerados ou não, as participações em conselhos e por aí vai...

Não menos importante, mas muitas vezes negligenciadas pelos candidatos à emprego estão as ATITUDES.

Atitudes são extremamente valorizadas hoje no mercado de trabalho basicamente por dois motivos: 1) São rigorosamente mais difíceis de treinar atitudes em colaboradores que não as possui e, 2) Estão intimamente ligadas à força de vontade do trabalhador.

Nesse cenário é importante refletir sobre as atitudes e perceber que algumas empresas dão extrema importância à elas, inclusive, em detrimento de conhecimentos e habilidades. Algumas empresas preferem treinar habilidades e difundir conhecimentos aos seus colaboradores que identificados com as atitudes necessárias para o exercício pleno da função.

Ainda não falamos especificamente de currículo!

Se o candidato usa esse período de preparação para se aproximar o máximo possível do perfil ideal para a vaga, o "recheio" do seu currículo demonstrará de forma clara e cristalina que esse candidato é alguém que se parece com o perfil ideal para a função e  digno de merecer uma entrevista. Aqui já esclarecemos, por exemplo, uma pergunta muito comum de quem persegue o primeiro emprego "o que eu devo colocar no meu currículo?" 

Na hora da entrevista de emprego as coisas ficam ainda mais fáceis, basta mostrar para o entrevistador o quanto você quer esse trabalho e principalmente o quanto você fez durante toda essa jornada para se preparar para esse dia. Cada passo rumo ao seu objetivo conta, cada habilidade desenvolvida surpreende o entrevistador e quanto mais preparado para ser "o cara" dessa função você estiver, menos você dependerá dos métodos ortodoxos de encontrar trabalho.

Distribuir currículo por aí já não funciona mais. Seja inteligente para focar naquilo que vale a pena para você e principalmente tenha muita força de vontade para ser quem você quer ser!

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Tags: competências currículo emprego mercado de trabalho preparação

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