Sociedade do conhecimento: a volta do trabalho em equipe

Na sociedade do conhecimento, o desempenho não é do indivíduo; este é um centro de custo e não de desempenho, o qual é da organização

O fato de na sociedade do conhecimento ele ter de ser altamente especializado para ser produtivo implica em dois novos requisitos: que os trabalhadores do conhecimento atuem em equipes e que, caso estes não sejam funcinários, precisam no mínimo ser filiados a uma organização.


Fala-se muito hoje em dia a respeito de equipes e trabalho em equipe. A maioria parte de uma hipótee errada, isto é, que nunca trabalhamos em equipes antes. Na verdade, as pessoas sempre trabalharam em equipes; poucas podem trabalhar sozinhas de forma eficaz. O agricultor tinha de ter uma mulher e a agricultora um marido. E ambos trabalhavam em equipe com seus empregados. O artesão também precisava de uma mulher, com a qual trabalhava em equipe: ele cuidava do trabalho e ela dos clientes, aprendizes e dos negócios. E ambos trabalhavam em equipes com os oficiais e os aprendizes. Hoje, muitas discussões assumem que existe somente um tipo de equipe, mas na verdade existem vários. Até agora, de fato, a ênfase tem sido no trabalhador sozinho e não na equipe. Com o trabalho do conhecimento tornando-se cada vez mais eficaz à medida que se especializa, as eauipes tomam o lugar do indivíduo como unidade de trabalho.


A equipe atualmente elogiada – Peter F. Drucker a chama de conjunto de jazz – é apenas um tipo de equipe. É o tipo mais difícil tanto para se formar como para se fazer trabalhar de forma eficaz, e também o que requer mais tempo para conseguir capacidade de desempenho. Há de se aprender a usar tipos diferentes de equipes para fins diferentes e entendê-las; isto é algo que até agora recebeu pouca atenção. Portanto, a compreensão das equipes, das capacidades de desempenho dos difeentes tipos, das suas forças e limitações e as diferenças entre elas irão se tornar preocupações centrais no gerenciamento de pessoas.


Igualmente importante é a segunda implicação do fato de que os trabalhadores são fundamentalmente especialistas: há necessidade de eles trabalharem como membros de uma organização. Somente esta pode prover a continuidade básica da qual os trabalhadores do conhecimento precisam para serem eficazes. Somente a organização pode converter seus conhecimentos especializados em desempenho.


Por si mesmo, o conhecimento especializado não produz desempenho. Um cirurgião não é eficaz a menos que haja um diagnóstico – o qual, na maior parte dos casos, não é sua tarefa, nem está dentro da sua competência. Um historiador pode ser muito eficaz em suas pesquisas e seus escritos. Mas para educar estudantes, é substancial a contribuição de muitos outros especialistas, pessoas cuja especialidade pode ser literatura, matemática, ou outras áreas da história. Isto requer que o especialista teha acesso a uma organização e este acesso pode ser como consultor ou prestador de serviços especializados. Em sua maioria, os trabalhadores do conhecimento serão funcionários, em tempo integral ou parcial, de uma organização como uma agência do governo, um hospital, uma universidade, uma empresa ou um sindicato. Na sociedade do conhecimento, o desempenho não é do indivíduo; este é um centro de custo e não de desempenho, o qual é da organização. Outras informações sobre o tema podem ser obtidas no livro Administrando em tempos de grandes mundanças de autoria de Peter F. Drucker.

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