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Três passos para se tornar um gerente cobrador

Quando o administrador não se preocupa com a entrega daquilo que está sob sua responsabilidade, os problemas se acumulam e, com o passar do tempo, geram estresse, perda de confiança e de resultados

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“Quando isso estará feito? Eu sou um cobrador que vocês não fazem ideia!”

Foi assim que o prefeito de São Paulo, João Dória Jr., em reunião no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), se manifestou ao ser informado de que seriam instaladas câmeras de segurança na cidade. De fato, esse não é um rótulo que a maioria dos gerentes gosta de assumir. Mas é necessário. O verdadeiro gerente não apenas estabelece compromissos, mas, especialmente, os cumpre!

Quando o administrador não se preocupa com a entrega daquilo que está sob sua responsabilidade, os problemas se acumulam e, com o passar do tempo, geram estresse, perda de confiança e de resultados.

A causa disso é a falta de consciência de gerentes e funcionários da dinâmica dos clientes e, consequentemente, de quão importante é sua responsabilidade perante eles.

Por essa razão, cada indivíduo deve ser esclarecido e relembrado continuamente sobre as consequências de seus erros, atrasos e omissões.

Não deixa de ser curioso constatar a quantidade de profissionais que gostaria de trabalhar com liberdade de horário. São as mesmas pessoas que esperam, ao abrir o chuveiro, que a água caia. E, ao colocarem seus celulares para carregar, a eletricidade esteja presente na tomada. Imagine se todos os funcionários das concessionárias de energia e água decidissem trabalhar com horário flexível. Principalmente os de manutenção desses sistemas.

Embora seja possível algumas posições dentro das empresas terem, de fato, certa tolerância de horário, o mundo não funciona desse modo. Todos os dias, milhões de brasileiros precisam de água, alimento e eletricidade regularmente, entre outras necessidades.

Do mesmo modo, cada cliente espera, ao contratar a empresa em que você trabalha, ser atendido na qualidade e no tempo especificados pelo contrato estabelecido com sua companhia. Portanto, cada funcionário é responsável por assegurar esse atendimento. Então, essa responsabilidade começa com o indivíduo ser lembrado repetidamente sobre isso.

Em segundo lugar, todo gerente deve estabelecer não apenas o que deve ser entregue e quando, mas também os pontos de controle nos quais verificará em que altura está a tarefa sob responsabilidade de cada funcionário.

E, então, vem a ação mais impopular e relevante que todo gestor deve ter: cobrar de cada um, nesses pontos de controle, a entrega do que está prometido. Infelizmente, muitas pessoas acham que, quando alguém a cobra, é porque desconfia dela, e não porque está cumprindo seu papel de líder. Isso é motivo de muitas discussões e diálogos ásperos, pois as pessoas são boas para dar explicações de porque não fizeram algo, mas nem sempre são tão inteligentes para criar soluções e cumprir os prazos que estão sob sua responsabilidade.

É verdade que somos frutos de uma cultura, mas também agentes de sua transformação.

Um profissional capacitado sabe quanto tempo demoram as tarefas sob sua responsabilidade, levando em conta até mesmo as agruras causadas por outras pessoas e departamentos. Sabe receber cobranças e mostrar evidências de que as tarefas sob sua responsabilidade estão sendo feitas. E, também, sabe cobrar dos demais suas obrigações e contribuir para que todos façam o que tem de ser feito, na hora que tem de ser feito.

Não adianta termos um ambiente onde todos são amigos entre si, de modo a evitar cobranças mútuas e mostrar as evidências do que está sob sua responsabilidade. Mas, os clientes estão mal atendidos, a empresa está sem lucratividade e seu futuro está comprometido.

Não tenhamos ilusões: ninguém gosta de ser cobrado. Entretanto, não há como sincronizarmos as ações de muitas pessoas para cumprir os propósitos da empresa sem essa cobrança. Portanto, por mais constrangedor, desagradável e estressante que seja, o bom profissional deve ter domínio emocional para aguentar as cobranças e, acima de tudo, entregar o que deve ser entregue, na hora que tem de ser entregue.

Quando isso não é feito, pessoas esperam em hospitais e em aeroportos, ruas não são conservadas, alimento, eletricidade, água e esgoto não chegam aonde deveriam, crimes não são evitados e clientes não são atendidos. Portanto, somente uma pessoa inconsciente imagina que seu trabalho é insignificante. Cada indivíduo em uma organização é fundamental para a consecução dos objetivos.

O importante é que cada gestor faça sua parte nesse complexo sistema, mantendo-o íntegro e atuando da maneira que se espera.

E que essa consciência transforme clientes, funcionários e líderes em uma comunidade preocupada com as pessoas e capaz de suprir suas necessidades, gerar oportunidades e prosperidade para todos.

Vamos em frente!

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