Caso de Polícia.
26 de fevereiro de 2008 às 08:07
Eu gostaria de propor um brinde a mentira, ao roubo, a trapaça e a bebida. Se você terá que mentir, minta por um amigo. Se você terá que roubar, roube um coração. Se você terá que trapacear, trapaceie a morte. E se você terá que beber, beba comigo.
João da Silva é o gerente financeiro da sua empresa. Ele trabalha há mais de cinco anos com você. João da Silva é um cara honesto, nunca fez nada de errado, nunca chegou atrasado ao emprego, nunca pisou na bola. João da Silva conhece todos os buracos da área de contabilidade da empresa, todos os jeitinhos brasileiros que foram usados para maquiar o balanço financeiro. João da Silva sabe onde o financeiro é vulnerável. João da Silva é casado, tem três filhos, prestação da casa para pagar, prestação do carro para pagar, prestação do supermercado para pagar, mensalidade da escola dos filhos para pagar, enfim, um cara normal como tantos outros.
De repente em um domingo qualquer, a mulher de João da Silva machuca seriamente as costas brincando com os filhos. Na segunda-feira, João da Silva chama você para conversar sobre a necessidade da esposa realizar uma operação médica caríssima para resolver o problema nas costas. Você, o dono da empresa, expressa os seus sentimentos, e se coloca a disposição para fazer o que for necessário para ajudá-lo.
Cinco meses depois, com a falta do salário da esposa para completar a renda de casa, as contas começam a não fechar. O dinheiro que o João da Silva bota em casa não é o suficiente para pagar os cartões de crédito e o financiamento do apartamento. Os filhos precisam de sapatos para ir à escola, João da Silva precisa colocar comida em casa, e comprar remédios para a esposa.
Em 65% dos casos como esse, a pressão sobre João da Silva é tão grande, que ele escolhe roubar a empresa para resolver os seus problemas financeiros.
Uma em cada três pequenas empresas com menos de 100 funcionários nos EUA sofre esse tipo de assalto. Apenas 40% daqueles que sofrem esse tipo de roubo descobrem que foram roubados. Desses, apenas 10% chamam a polícia para fazer alguma coisa. Na grande maioria dos casos, o pequeno empresário se livra do problema demitindo o funcionário corrupto, que provavelmente continuará a cometer os mesmos crimes na próxima empresa.
Em 90% dos casos de ladrões de colarinho branco, os assaltantes são pegos por acaso. O desfalque financeiro é tão bem feito que apenas em 10% dos casos um auditor consegue descobrir que alguém está roubando dinheiro da empresa.
"É muito fácil roubar 3 mil dólares por mês de uma pequena empresa. É muito fácil inventar despesas para encobrir o roubo. Foi assim que o meu crime começou. Depois de um ano, eu comecei a roubar 20, 30 mil, 50 mil dólares por mês, e quando você percebe, você está viciado em roubar. No primeiro mês a questão moral tirou o meu sono, depois, roubar se tornou um hábito para mim.
Eu nunca pensei que eu fosse ser descoberto. Mas, quatro anos depois, quando o FBI bateu na minha porta, eu percebi que alguém mais inteligente do que eu descobriu o meu crime. Eu roubei 1,5 milhões de dólares da empresa." Barry Beyne, ex-controller de uma pequena empresa americana condenado a seis meses de confinamento intenso nos EUA.
Hoje Barry Beyne é um bem sucedido consultor americano especializado em detecção de fraudes e prevenção contra assaltos internos de funcionários. Ele deixou o lado negro da força para fazer parte da cavalaria.
Nem todos os casos terminam assim.
Há pouco mais de nove meses eu conheci um pequeno e bem sucedido empresário paulistano proprietário de três bacanas e bem localizadas lojas em São Paulo. Vamos chamar esse empresário de Paulo de Tarso. Pioneiro no comércio de determinado produto no Brasil, Paulo cresceu rápido, contratou rápido, e aproveitou todas as oportunidades que o mercado ofereceu.
Alguns meses atrás Paulo descobriu que 2,5 milhões de reais em produtos estavam faltando no estoque da empresa. Algum funcionário malandro o roubara. Infelizmente essa não foi a primeira vez que o Paulo foi passado para trás pelos próprios funcionários. Dotado de um empreendedorismo nato, grande força de vontade de fazer e acontecer, Paulo nunca deu muita atenção aos controles da sua pequena empresa, e muito menos ao processo de contratação de funcionários. Dono de um bom coração, Paulo acreditava em tudo que ouvia dos funcionários, contratava qualquer pessoa. Por outro lado, às vezes Paulo era estouradão. Quando dava na telha, gritava com os funcionários que imaginava que o haviam roubado e os humilhava na frente dos outros.
Duas semanas atrás, a história do bem sucedido empresário paulistano terminou tragicamente. Depois de cinco dias desaparecido, a polícia encontrou o corpo de Paulo de Tarso enterrado em um terreno baldio na grande São Paulo com um tiro no meio da testa. Ele foi executado. O crime, praticamente solucionado, foi encomendado por um gerente comercial da empresa que tinha planos de roubar a empresa inteira do Paulo.
Eu entendo que vivemos em um país que tem medo do confronto. Medo de falar na cara do outro o que realmente pensa. Medo de tocar nas feridas mais delicadas dos relacionamentos mais queridos. Medo de ser objetivo, franco, direto, objetivo, honesto e íntegro com medo do que o outro vai pensar. Entretanto, quanto mais você cozinhar um problema, mais frito você estará.
Meses atrás eu reencontrei uma contato publicitário de uma revista muito bacana que durante dois anos tentou me vender várias páginas de anúncios. "Ricardo, eu achava você um cara muito arrogante. Você nunca me recebia. Eu te chamava para almoçar, jantar, enviava convites para os nossos eventos, e você sempre me esnobava dizendo que não tinha verba para investir na minha revista. Hoje eu entendo o que você me dizia. Você era sempre honesto. Você sabia que não tinha dinheiro e não queria me ver investindo tempo onde eu não conseguiria retorno. Eu aprendi isso na prática. Eu perdi a conta das vezes em que eu fui enganada e usada por pessoas que aproveitavam da minha estratégia de relacionamento para almoçar e jantar comigo e nunca fecharam nada. Eu gostava de ser enrolada. Eu gostava de fantasiar estratégias onde não existiam negócios. Eu achava que o cara que me aceitasse receber era mais amigo do que você que só chamava se tinha negócios. Os caras eram abstratos enquanto você tentava me ensinar a ser objetiva. Muito obrigada por ter sido sempre honesto, franco e objetivo comigo."
Todas as empresas em que eu trabalhei na minha vida passaram por alguma experiência com algum malandro tentando roubar o financeiro. O perfil dos caras era sempre o mesmo: o mais santo, o mais organizado, o mais correto, o mais rápido na entrega dos relatórios. É praticamente improvável que você nunca seja roubado na sua própria empresa. Cedo ou tarde algum malandro vai tentar. Porém, eu penso que você pode fazer algumas coisas para inibir ou pelo menos fazer o safado pensar duas ou três vezes antes de se meter com o lado negro da força.
A coisa mais importante que um empresário pode fazer para evitar ser passado para trás é: VERIFIQUE TUDO QUE TE DIZEM. Se você é o dono do negócio, você precisa fazer perguntas mesmo que você saiba as respostas. Tudo precisa ser checado. Mesmo as contas mais óbvias, mesmo as pessoas mais confiáveis. Peça para ver as notas fiscais das contas mais comuns. Assegure-se que todos os funcionários percebam que você faz perguntas o tempo todo sobre todo tipo de coisas, das mais simples até as mais complexas. Os gastos com copinhos de plásticos estão altos? Peça para ver a nota fiscal do fornecedor. Compare com os meses anteriores. Peça para ver as demais cotações de copinhos de plásticos que foram feitas.
NÃO OLHE APENAS A LINHA DE VENDAS! 95% dos empresários que eu conheço olham apenas a linha de vendas quando miram um balanço financeiro. Enquanto o dinheiro estiver entrando, enquanto a empresa estiver faturando, e a bicicleta estiver pedalando, o empresário não checa as linhas de despesas e muito menos questiona qualquer coisa. Beleza, "então se você não vai olhar, eu vou roubar".
Se aquele que está prestes a cair em tentação ficar sabendo que você é um cara que faz perguntas, checa, olha e fuça, a probabilidade do "vagabundo" agir é menor.
A empresa é SUA!
QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?
Ricardo Jordão Magalhães
Polícia
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Sobre o autor
Ricardo Jordão Magalhães
Ricardo Jordão Magalhães (ricardom@bizrevolution.com.br) é Revolucionário, Presidente e Fundador da BIZREVOLUTION (www.bizrevolution.com.br), onde ele ajuda as pessoas e as empresas a se transformarem em verdadeiras Empresas de Marketing focadas no foco dos seus clientes. Para conhecer melhor essa REVOLUÇÃO NOS NEGÓCIOS visite
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