A coragem de ser imperfeito

Baseado no livro da escritora Bené Brown, falando sobre o tema vulnerabilidade.

Este título e conteúdo é inspirado no livro best seller da escritora Bené Brown e nas minhas próprias experiências e percepções.

Muito recentemente passei a considerar o tema vulnerabilidade, refletir mais a respeito e ler o livro que recomendo a todos. É algo que está em nós, mas que normalmente não paramos para pensar, simplesmente vivemos e seguimos tentando conviver ou camuflar.

É algo gigante que achamos que é possível e necessário abafar. Me arrisco a dizer que tudo que não temos controle nos deixa vulneráveis. E para os que concordarem com esta afirmação, importante pensarmos que não temos o controle de praticamente nada, especialmente se envolver outras pessoas.

Vulnerabilidade é tida como algo negativo, vergonhoso, feio e outros tantos possíveis adjetivos. Muitos de nós passamos a vida nos protegendo e evitando situações e pessoas que nos colocam em fragilidade. Chorar na frente dos outros é ridículo, principalmente se for homem. Dá onde tiramos isso? E tantas outras coisas que tomamos como verdades absolutas e enraizamos profundamente em nossas mentes e corações.

Homem que é homem tem que brigar e sair com um monte de mulher. Mulher que não sabe cozinhar e cuidar da casa não serve para casar. Para ser bem sucedida profissionalmente, precisa ter uma postura forte, agressiva e masculinizada. Pedir ajuda demonstra fragilidade. O segundo lugar é para perdedores. Se não tiver um bom carro melhor nem sair de casa. Se não é casada tem algum problema. Se não teve filhos ainda, é egoísta. Só teve um filho, então não pensa na outra criança e na importância de ter irmãos. O homem tem que prover e se não está bem financeiramente é um fraco. Preciso me garantir sozinho.

“O amor é o propósito maior. É a essência da vida, mas tornou-se raro neste plano. Aqui a vida tem sido regida pelo medo. Sentimos medo de não sermos aceitos, de não sermos reconhecidos, medo da escassez, medo até mesmo de amar! E é por isso que estamos tão distantes da nossa essência e da felicidade que tanto buscamos.” Sri Prem Baba

São tantas as inverdades que nos limitam a passar anos tentando ser alguém que não somos ou a batalhar por bens que não queremos, ou a modificar a nossa essência. Que talvez seja por isso que as doenças da mente não param de crescer, tanto em crianças e adolescentes, como em adultos experientes. Expectativa versus realidade raramente se cumprem e tudo bem. Tudo bem desde que tenhamos a coragem de ser imperfeitos.

“Não deixe o perfeito ser inimigo do bom.” Voltaire

Nos últimos tempos, algumas das experiências mais bonitas que eu tive e ricas em aprendizado ocorreram quando eu demonstrei vulnerabilidade. Acabei tendo o privilégio de perceber que ao contrário do que pensamos, ela nos aproxima das pessoas. Somos seres humanos e no fundo gostamos de saber que estamos nos relacionando com pessoas como nós. Imperfeitas com certeza. Que choram sim, por alegria ou tristeza. Que precisam de ajuda ou aprender a pedir. Pessoas que precisam de pessoas. Que erram e vão errar muitas outras vezes.

“A jornada da vulnerabilidade não foi feita para se percorrer sozinho. Nós precisamos de apoio, de pessoas que nos ajudem na tentativa de trilhar novas maneiras de ser e não nos julguem. Precisamos de uma mão para nos levantar quando caímos (e se você se entregar a uma vida corajosa, levará alguns tombos). A maioria de nós sabe prestar ajuda, mas, quando se trata de vulnerabilidade, é preciso saber pedir ajuda também.” Bené Brown

A coragem para mostrar a verdadeira essência. Tirar o escudo e a armadura. Conectar. Sentir. Se abrir para possibilidades que a vida apresenta. Ficar mais leve. Ser grato e feliz.

Boa jornada!

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