A Ética e os Valores do Indivíduo

A ética da ao homem os seus valores morais. Cabendo ao mesmo a responsabilidade pelas suas ações. Quanto às organizações para ser vista eticamente deve responder pelas atitudes sociais, e o desenvolvimento individual de seus colaboradores.

                  

                  A ética faz parte da vida do ser humano, todos os homens têm comportamentos diferenciados e únicos. A ética é um princípio que cada indivíduo traz consigo desde a infância. É um valor adquirido na sua relação familiar, e cotidiano de sua existência. Segundo ARDUINI (2007, p.35) O ser humano é chamado a estruturar, desde cedo, o sentido de sua personalidade. A pessoa constrói-se através de fases, desde a fecundação genética até a ida ao tumulo.

                   Para FROMM (1968, p.30).


                   O Homem não é uma folha de papel em branco em que a cultura pode escrever seu texto: É uma entidade com sua carga própria de energia estruturada de determinadas formas, que, ao ajustar-se, reage de maneira especifica e verificável as condições exteriores.


                   Através dos valores, que são princípios morais, o homem adquire o comportamento ético, que rege suas atitudes na sociedade em que vive. O comportamento ético conduz o homem a fazer o que considerar importante em sua vida.

                   VÁSQUEZ (1984, p.69) define a moral:


                   A moral é um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal.

                   
                   Cada pessoa possui valores individuais e intransferíveis. A consciência do certo ou errado e suas próprias convicções, ideais, opiniões sobre as pessoas e bens materiais, que influenciam e manifestam nos relacionamentos sociais.


                   Como não existe verdade absoluta, o que é certo para um, pode ser errado para o outro, porque os valores são trazidos do berço, ou seja, são construídos na relação primeira da criança. Na infância, os pais ensinam os primeiros passos e as primeiras palavras, e no decorrer da existência vão evoluindo, adquirindo a maturidade que possibilita crescimento e desenvolvimento da personalidade.

   
                   Os primeiros valores são aprendidos na relação familiar; amor, segurança e felicidade, ou o contrário, depende da qualidade da relação.


                   Para DURANT (1965, p.94).


                   [...] A família é a primeira unidade social em que os indivíduos aprendem a lealdade e a obediência; e o desenvolvimento moral do individuo se resume em ir ampliando a órbita dessa lealdade e dessa obediência ate atingir as fronteiras da pátria. Mas logo que deixa a terra firme do lar a juventude mergulha no maelstrom da concorrência e perde a boa vontade cooperante, adquirida na família. E a idade madura, próspera, porém infeliz, muitas vezes se volta para o velho lar com um suspiro de alivio - encontrando nele uma serena ilhota comunística.


                   Independente do tipo de família que o indivíduo pertença, pobre, rica, branca, preta, índio ou de outras etnias, condições financeira e religião, eles terão seus princípios morais e crenças, transmitidas pelos pais ou seus representantes. E estes valores são transferidos para as futuras gerações. A partir da infância, a caminho da maturidade, o indivíduo vai adquirindo novos costumes que vão surgindo com a convivência social, escola, grupos de amigos e trabalho.


                   KANAANE (2008, p.97) destaca.


                   O conjunto de indivíduos associados forma a base da sociedade, fundamentada nos valores, normas e sistemas de comunicação. Inicialmente, pode-se considerar que o pensamento social se caracteriza por representações individuais que gradativamente vão constituir as representações sociais.


                   Dentro ou fora da família os princípios adquiridos na infância estarão sempre presentes na relação do homem com o homem. O conjunto de normas regulamentadoras rege o comportamento ético em sociedade e estarão entrelaçando e interligando, educação, cultura, tradição e cotidiano. O todo aprendido na infância forma um indivíduo que prima pela honestidade, à humildade, a moral, o respeito ao próximo e as leis, ao meio ambiente, a solidariedade. Para VÁZQUES (1984, p. 195) O individuo, enquanto ser social faz parte de diversos grupos sociais. O primeiro ao qual pertence e cuja influência sente, sobretudo na primeira fase da sua vida (infância e adolescência), é a família.

  
                   Portanto ser ético é ser responsável por suas atitudes, sempre procurando meios em que possa contribuir para uma sociedade melhor, seja com as atitudes, sendo honesto em qualquer situação e ter coragem de assumir os seus erros e decisões para com o próximo e a própria natureza.

 
                   No entendimento de ARDUINI (2007, p.42).


                   É hora de abraçar o sentido da ética em favor da sociedade livre e fraterna. A ética é solida e não apenas uma forma transitória. A ética é paixão que não se cansa, paixão que enxerga vasta formas de ética. Há um tecido consistente que elabora múltiplas faces de ética. São éticas fertilizantes que não podem ser dispensadas.


                   Quando o individuo busca aprendizagem e conhecimentos, procuram ambientes em que todos tenham o mesmo objetivo, como as escolas. Alguns podem encontrar mais dificuldades para alcançar o que almejam. Outros possuem ou encontram mais oportunidades de crescimento.


                   As oportunidades variam de indivíduo para indivíduo e também a forma que cada pessoa vê as oportunidades e ameaças no ambiente externo. Cada indivíduo de acordo com a sua convivência familiar cria a sua capacidade para melhorar a sua realidade de vida. Alguns criam possibilidades e alimentam esperanças de mudanças e descobrem melhores caminhos para um futuro promissor. Outros transformam as dificuldades em possibilidades e mudam o rumo dos seus destinos.


                   Uns analisam tudo o que lhes cercam, copiam o que é bom para o seu crescimento e desprezam o que não lhes servem. Cada indivíduo tem uma forma de ver as oportunidades e de saber aproveitá-las. Desta maturidade ele trará bons resultados ou não, vai depender do seu modo de vida. Segundo FROMM (1968, p.119) O homem só tem um interesse verdadeiro e este é o seu desenvolvimento total de suas potencialidades como ser humano.


                   A cultura é o diferencial dos povos. E a ética é relativa a cada cultura.


                   BONDER (2006, p.15) afirma que.


                   [...] Quando pensamos na palavra "cultura", imaginamos um sistema externo a nós que nos impõe regras e direcionamentos. No entanto, esse sistema nasceu da própria experiência humana da existência. Poderíamos dizer que cada indivíduo constrói sua pequena cultura individual por meio do processo de experiência e do histórico de seu existir no mundo. [...]


                   Em qualquer cultura, a ética é a reflexão do ser humano, sobre a sua ação, e pode torná-lo mais sensível e sensato, consciente de suas praticas no seu espaço da sua vida. A forma de ver o próximo, as ações solidárias, depende da experiência de vida individual. O compromisso com a ética parte da consciência crítica de cada indivíduo que se torna sujeito. Segundo ARDUINI (2007, p.50) Ética é valor fundamental na vida humana. A ética existe para valer e não para enganar a verdade. Onde há ser humano, deve sempre prevalecer o respeito pessoal. [...]


                   O equilíbrio de uma sociedade depende de três fatores: governo, família e empresa. Então o futuro das nações esta nas mãos das pessoas. Porém muito há que se refletir, por que: Muito se diz que pouco se pode esperar do governo, que falta à ética aos políticos que cada um elegeu para ser o representante da sociedade. Dizem também que a família está se destruindo, perdendo os valores morais e culturais aprendidos por tradição e pela falta de respeito aos pais. Sendo as organizações o lugar em que as pessoas passam a maior parte do seu tempo, e ali gastam os melhores anos de sua vida o que cabe a elas? O trabalho é uma necessidade da vida. É essencial para a sobrevivência e pode melhorar as condições de vida do homem, por meio de treinamento as empresas podem torná-lo mais inteligentes e hábeis. As modificações existentes no mundo do trabalho, através do desenvolvimento, conhecimentos e habilidades pode melhorar a qualidade de vida, mas e a ética?


                   Para alguns autores dentro deste contexto relatam:


                   A ética é valida quando articulada com as pessoas, Pois ética não é adorno nem passatempo, é expressão da personalidade. A ética não é estranha ao ser humano, mais é componente da vida antropológica. A ética suscita a maturação pessoal. (ARDUINI, 2007, p.45)


                   O trabalho quer como fonte de satisfação e realização, quer como fonte de sobrevivência, insere-se numa categoria mais ampla que reflete, entre outros pontos, a dicotomia entre o prazer e a sobrevivência. O trabalho, enquanto categoria de mediação das relações entre sujeitos de diferentes contextos e classes sociais estabelece a dinâmica as relações de poder e autoridade presentes nas organizações e na sociedade como um todo. (KANAANE, 2008, p.99).


                   A ética da ao homem os seus valores morais. Cabendo ao mesmo a responsabilidade por suas ações. Quanto às organizações para ser vista eticamente deve responder pelas atitudes sociais, e o desenvolvimento individual de seus colaboradores.


                   O planeta agradece às atitudes de todos. As organizações pela responsabilidade social implantando normas regulamentadoras e o individuo pela conscientização da conservação do planeta em que habita.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS


ARDUINI, Juvenal. Ética responsável e criativa. São Paulo: Paulus, 2007. 132p.

BONDER, Nilton. Ter ou não ter, eis a questão! A sabedoria do consumo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 131p.


DURANT, Will. Filosofia da Vida. Tradução Monteiro Lobato. 13ª edição, 1 volume – São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1965. 268p.


FROMM, Erich. Análise do Homem. Tradução Octavio Alves Vellho. 6ª edição – Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1969. 211p.


KANAANE, Roberto. Comportamento Humano nas Organizações: O Homem rumo ao Século XXI. 2ª. Ed. – 10. Reimpressão. - São Paulo: Atlas, 2008. 131p.


VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. Tradução João Dell'Anna. 7ª edição – Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S.A, 1984. 267p.


Autora: Maria da Glória Dantas de Araújo

Video no YOUTUBE: http://youtu.be/AKN9jb0458o


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