A importância do gerenciamento de crises corporativas

Primeiramente devemos lembrar que crise não é o mesmo que problema. Problemas existem todos os dias na empresa, são rotineiros, tratados com recursos próprios e internamente.

Primeiramente devemos lembrar que crise não é o mesmo que problema. Problemas existem todos os dias na empresa, são rotineiros, tratados com recursos próprios e internamente.

Já no caso das crises existem diversos conceitos e eles são elaborados de acordo com o tipo de negócio da empresa. Por isso o conceito de crise para o FBI é um e para a Polícia Militar é outro e para a empresa é visto de outra maneira.

• Por exemplo: para o Institute for Crisis Management, crise é “uma ruptura empresarial significativa que estimula extensa cobertura da mídia. O resultado do exame minucioso feito pelo público afetará as operações normais da organização podendo, também, ter um impacto político, legal, financeiro ou governamental nos negócios”.

• Para a Academia Nacional do FBI, crise é “um evento ou situação crucial, que exige uma resposta especial da Polícia, a fim de assegurar uma solução aceitável”.

De acordo com Institute for Crisis Management, os tipos de crises podem ser:

• Atos de Deus
• Problemas mecânicos
• Erros humanos
• Decisões ou indecisões administrativas


Temos crises financeiras, políticas e outras tantas, mas a maioria possui características semelhantes e destas, seis são as mais comuns:

1. Imprevisibilidade;
2. Ameaça a vida;
3. Compressão de tempo;
4. Necessidade de postura organizacional não rotineira;
5. Planejamento analítico especial e capacidade de implementação;
6. Considerações legais especiais.

Uma crise pode acontecer a qualquer momento, por isso é imprevisível e todas as empresas estão sujeitas a elas. De uma empresa aérea a um supermercado, por exemplo.

Para tratarmos de uma crise é essencial que tenhamos elaborado cenários prospectivos e destes identificados os riscos reais e potenciais para o negócio e a partir desta identificação façamos a análise de risco a fim de identificarmos as probabilidades e impactos resultantes destes riscos e avaliarmos de acordo com o apetite ao risco empresarial.

É a parir daí que iniciamos a elaboração do nosso plano de segurança, justamente com a finalidade de evitarmos que aquele risco, ou no nosso caso aquela crise se instaure. Então, conclui-se que o plano de segurança é preventivo, que ajuda a evitar que determinado risco (crise) ocorra.

Deve ficar claro que nem todo risco irá originar uma crise, mas, em muitos casos, a forma de se tratar um risco pode desencadear uma crise.

Como sabemos que não há segurança 100% porque as condições de segurança dependem do ambiente externo, portanto incontrolável e, além disso, dependem da ação do homem, igualmente incontrolável.

Desse modo o que surgirá deste plano de segurança será o risco residual, aquele que, apesar das ações para mitigar sua concretização, ainda assim, podem ocorrer por ações incontroláveis.

Neste caso, o plano de emergência ou contingência, como era chamado até o dia 11 de setembro de 2001 e que após esta data e a destruição das torres gêmeas, os americanos passaram a chamá-lo de plano de continuidade de negócios que tem a finalidade de agir prontamente durante uma emergência, diminuir as perdas humanas e materiais e reestabelecer, o mais rápido possível, a produção e/ou a volta das atividades essenciais.

Deve ser lembrado que em 2007 a ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas publicou a NBR 15.999 parte 1 de Gestão de Continuidade de Negócios – Código de Prática, revisada em 2008. Ainda em 2008 a ABNT publicou a NBR 1.999 parte 2 com os requisitos da GCN sendo que esta (a parte 2) foi cancelada e substituída pela NBR ISO 22301 Segurança da sociedade — Sistema de gestão de continuidade de negócios — Requisitos em junho de 2013.

O uso das normas é essencial para podermos utilizar as metodologias mais praticadas no mercado internacional e que estão a nossa disposição.

A estruturação de como a empresa irá se portar diante de uma crise é fundamental para o resultado desta situação. Muitas vezes a crise nem é tão grave, mas a forma de tratá-la trará consequências desastrosas.

Concluindo, a forma mais adequada de tratarmos uma crise é agindo para diminuir suas perdas, sejam elas materiais, de imagem, de reputação, financeira ou de vidas. Para isso, o plano deve ter sido estruturado com as responsabilidades distribuídas de acordo com a organização da empresa, as pessoas devem ter sido treinadas e o plano deve ter sido executado em forma de simulados para o seu aperfeiçoamento.

De uma maneira bastante sintética, as ações de redução de perdas SEMPRE devem ter como princípio basilar que a vida está em primeiro lugar, depois o patrimônio, o meio ambiente e a continuidade operacional, sempre que esta lógica é invertida os resultados são desastrosos.

 

Avalie este artigo:
(0)
As opiniões veiculadas nos artigos de colunistas e membros não refletem necessariamente a opinião do Administradores.com.br.
Tags: crises corporativas gerenciamento de crises

Fique informado

Receba gratuitamente notícias sobre Administração