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A SpaceX e o futuro em Marte

Elon Musk já prometeu colonizar o planeta vermelho até 2040. Com lançamento do Falcon Heavy, ele parece estar perto de cumprir essa promessa

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Um viajante do tempo chega a Marte em 2059 e é saudado pela equipe da primeira colônia humana no planeta. Ele encontra uma base de laboratórios que estuda todas as condições do lugar e tem até estufas com cultivos de frutas e legumes. É um episódio da série Doctor Who, mas no ritmo em que vamos, pode muito bem ser nosso futuro. Se a corrida do século 20 era até a lua, a do século 21 com certeza é até Marte. E dessa vez, iniciativas públicas e privadas competem para ver quem chega primeiro.

Enquanto a Nasa anuncia que pretende conduzir sua primeira missão em Marte com humanos em 2030, uma empresa americana promete colonizar o planeta vermelho até 2040. É a Space Exploration Technologies, ou SpaceX, de Elon Musk.

Fundada em 2002, a SpaceX surgiu como um empreendimento ousado. Depois de vender para o Ebay a plataforma de pagamentos online da qual foi um dos cofundadores, a Paypal, Elon Musk resolveu investir sua fortuna em dois grandes projetos: ele comprou parte da Tesla Motors, uma startup da Califórnia focada em carros elétricos, e criou a SpaceX, uma empresa de tecnologias espaciais cujo objetivo era fabricar seus próprios foguetes pela metade dos custos que as agências espaciais tinham (e que iria, no futuro, fazer o transporte interplanetário).

Os investimentos arriscados deram ao empresário a fama de "Willy Wonka do Vale do Silício". Em uma entrevista no TED Talk, o empresário conta que sua empreitada foi motivo de piada. "Você ouviu a história do homem que fez uma pequena fortuna na indústria espacial? Sim, antes ele tinha uma grande fortuna", conta. E, por um tempo, os desacreditados pareciam estar certos.

Durante anos, todos os testes da empresa para lançar um foguete deram errado. Em 2008, a empresa esteve prestes a falir. Mas, quando o dinheiro investido por Musk estava quase acabando e só restava recursos para a produção de um último foguete, a SpaceX surpreendeu a todos e conseguiu ser a primeira instituição privada a lançar um foguete na órbita terrestre.

O lançamento chamou atenção da Nasa, que firmou um contrato de quase 2 bilhões de dólares com a SpaceX, para o transporte de cargas até a Estação Espacial Internacional. Para o mercado, o feito transformou a SpaceX em uma espécie de “serviço de delivery espacial”. Para o fundador da empresa, foi apenas a conclusão da primeira fase do plano de negócios.

Hoje, a SpaceX trabalha em sua segunda fase: conquistar Marte. Nela, a empresa pretende reduzir ainda mais os custos de viagens espaciais, vender “ingressos” para o planeta por 500 mil dólares, e levar um milhão de pessoas até 2070. E não é só a passeio. O ambicioso Elon Musk afirma que as viagens não serão feitas exclusivamente por super ricos que desejam conhecer os cânions de Valles Marineris. Para ir à Marte, ele acredita, alguns largarão tudo e venderão todos os seus bens para construir novas vidas no planeta vermelho.

Mas toda a redução de custos essencial para essa exploração interplanetária depende do progresso da atual missão do SpaceX, que é construir superfoguetes reutilizáveis. “Um veículo totalmente reutilizável nunca foi feito antes. Esse realmente é o avanço fundamental necessário para revolucionar o acesso ao espaço", já afirmou Musk. Com o sucesso do lançamento da Falcon Heavy, no entanto, parece que o empresário está cada vez mais próximo disso. E que nós caminhamos para o futuro de uma série sci-fi. 

 

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